edição nº 68 -
 
 
 

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Experiências gastronômicas inesquecíveis I
Por Priscilla Portugal

“- Não existe nada parecido com o sabor do fugu cru no mundo, Daniel. E o prazer de comer o fugu é triplicado pelo risco da morte. A perspectiva de morrer a qualquer momento, em segundos, produz uma reação química que realça o sabor do fugu. Você pode comer o fugu normalmente, no Japão, preparado por mestres especializados, com um risco mínimo. Mas só em Kushimoto, uma vez por ano, come o fugu com uma real possibilidade de não sobreviver ao primeiro pedaço. Não existe outra experiência gastronômica igual”.
(Do livro: “O clube dos anjos”, sobre a Gula, de Luis Fernando Veríssimo, ao narrar uma sociedade secreta e falar do preparo especial do Fugu, um peixe venenoso, que requer cuidados especiais em seu preparo e tem um sabor inesquecível)

Sabores e aromas podem causar experiências sensoriais que podem nos marcar de maneira definitiva. Tudo bem, não é preciso ser tão radical e arriscar a vida para provar um gosto inigualável como na história contada por Veríssimo (o fugu realmente existe e é uma iguaria japonesa), mas todos concordam que se dedicar ao conhecimento enogastronômico é um prazer e, acima de tudo, um luxo.

E foi justamente para aliar as idéias de conhecimento, gastronomia e luxo que um restaurante curitibano resolveu investir em noites temáticas. Uma vez a cada dois meses, o Terra Madre (inaugurado há um ano) aposta em uma das ricas culinárias do mundo e associa a degustação de pratos típicos a um serviço impecável e à harmonia com o vinho ideal. O resultado? Um menu desenvolvido especialmente para a ocasião que custa cerca de 200 reais por pessoa e funciona como uma lição cultural.

No jantar mais recente, comandado pelo chef Rodrigo Martins, a culinária portuguesa deu o tom, num cardápio que incluía petiscos de bacalhau, arroz de polvo, cabrito ao forno e as tradicionais sobremesas lusitanas. O evento contou com a presença de Tomás Roquette, proprietário da Quinta do Crasto (vinícola portuguesa mais premiada pela revista Wine Spectator) e David Baverstock, diretor de enologia da Herdade do Esporão. Os produtores foram de mesa em mesa para apresentar seus vinhos, contar um pouco da história e responder perguntas. "Os outros jantares temáticos que já realizamos foram inspirados na França, na Itália e na Espanha. Essa foi a forma que encontramos de prestar uma homenagem a países de rica gastronomia e tradição vinícola", conta Eder Fernandes, sócio do Terra Madre.

Essa parece ser mesmo a melhor maneira de unir saber e sabor, palavras que em sua origem latina significam a mesma coisa. Mas a curiosidade pode também aguçar os sabores. Em Paris existe um restaurante chamado Dans le Noir (em português, no escuro) e o ambiente é atípico: escuridão total em que os garçons têm deficiência visual e os copos são inquebráveis. O cliente vai tateando a mesa e saboreia os pratos sem enxergar nada do que está fazendo.

Novidades orientais

Se a idéia lhe parece radical, que tal sair da Europa e chegar à Ásia, terra de muitos sabores ainda inexplorados? Esqueça da barca de sushis e sashimis e de pratos como o yakissoba. Estamos falando de culinária japonesa contemporânea. Recém-inaugurado em Curitiba, o restaurante Kan tem esta proposta e oferece o Omakase, menu de degustação contemporâneo, composto de 9 pratos finamente elaborados, como o polvo espumante com framboesa. "Nosso compromisso é provar que a culinária japonesa e tudo que envolve o seu ritual delicado não somente alimenta o corpo, mas principalmente satisfaz a mente", diz o site oficial.

reprodução
Caviar ao blini

O trabalho envolvido no preparo de alguns pratos é outro diferencial sentido até pelos paladares mais exigentes. E pelos bolsos menos recheados. No Antiquarius, em São Paulo, uma porção de caviar ao blini (delicados crepes franceses recheados e cobertos com caviar iraniano) pode custar mais de 500 reais. Se o preço parece indigesto, conheça outras opções de pratos sofisticados que podem lhe satisfazer.

No Carlota (São Paulo e Rio de Janeiro), existe o polvo ao vinho do Porto acompanhado de polenta italiana com cogumelos portobello e azeite trufado, servido sobre uma folha de parreira e que sai por 45 reais.

No Rio de Janeiro, o restaurante oriental Shintori oferece o Kaiseki Ryoori, ritual nascido há mais de 500 anos, composto por uma série das melhores iguarias de um cardápio oriental. As porções obedecem ao princípio dos cinco sabores (doce, ácido, apimentado, amargo e salgado) e cinco métodos básicos de preparo (cru, fervido, grelhado, frito e cozido no vapor). Para apreciar esta delícia, basta desembolsar 120 reais por pessoa e encomendar com um dia de antecedência.

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