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Uma nova superfície do luxo no ar dos Jardins
Por Luciana Stein

A marca "Surface to air" não é lá muito conhecida entre os franceses. É sim uma dessas referências que transitam à boca pequena. Com apenas uma loja em Paris, seu trabalho é reverenciado na Europa e no Japão como uma radical expressão da contemporaneidade e seus criadores - 14 artistas - já foram contratados por marcas de luxo como Commes dês Garçons, além de L´óreal, Sony e Adidas para criação de produtos e consultoria de comunicação. A Loveless, loja multimarca da Burberry em Tókio, foi concebida pela Surface. Para os brasileiros, a marca significava apenas o endereço de uma lojinha a ser visitada na França. No entanto, a possibilidade dos consumidores entenderem toda a sua plataforma criativa se torna possível agora que a Surface to Air abre sua primeira loja fora da cidade-sede - e ela fica em São Paulo.

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Em Paris, a loja da Surface é localizada na frente da agência de comunicação que deu origem à marca. Já a loja brasileira está mais ao gosto do consumidor hedonista. Ela está na Al. Lorena, possui restaurante comandado pelo chef francês Nicolas Barbé, aluno do chef Alain Ducasse, tem espaço para exposições de arte e ampla sala com belas estruturas de ferro antigas onde ficam as coleções da marca própria da Surface, sapatos e objetos. Estilistas brasileiros de vanguarda como Fábia Bercsek, Neon, Juliana Jabour, Chiara Gadaleta e Alexandre Herchcowitch têm peças na loja.

À primeira vista, a Surface parece mais uma marca moderninha que vende camisetas com grafismos, estampas e cortes góticos, jeans justos e peças assimétricas, mas a marca ambiciona vender mais do que roupas. Seus estilistas são editores de arte que projetam em vários suportes. Criam desfiles de moda, shows de rock, vitrines para outras marcas, exposições visuais e desenham campanhas publicitárias. São incentivadores do "faça você mesmo" e do artesanal e fãs de uma rebeldia estética. As coleções de roupas, eles gostam de dizer ao menos, já foram resultado do encontro dessa gente criativa em festas. Numa delas, a turma produziu um livro de camisetas. No livro que tem o tamanho de uma camiseta estão as peças estampadas, o nome dos autores e a hora em que cada camiseta foi feita. Detalhe: foram produzidos três livros - resta apenas um e ele está na loja brasileira.

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A Surface, no mundo ao menos, não é um projeto de gente criativa, mas sem influência - do tipo "é hype, mas não vende nada". O "olhar radical" da marca é requisitado por grandes corporações do luxo que querem recuperar um frescor juvenil. Explica-se. Os criadores da marca afirmam que o luxo merece ganhar novos atributos além dos tradicionais (a exclusividade, a excelência da execução, e etc). "Apostamos que luxo hoje é oferecer alguma provocação ao consumidor, queremos que ele reflita sobre idéias que vão além do objeto em si", diz Karina Mota, braço brasileiro do grupo e quem trouxe a Surface to Air ao país. Ou seja, o luxo é visto como um valor associado ao silêncio, ao mistério e à discrição. Mas para a Surface to Air, o luxo pode ser barulhento como um show de rock desde que esteja carregado de significados artísticos ou criativos. "Vamos nos posicionar entre o tradicional e o contemporâneo, mostrando produtos mais ousados e acessíveis comercialmente", diz Karina. No país, camisetas podem ser encontradas ao valor de R$ 145, as jaquetinhas em estilo mod estão por volta de R$ 700. Karina promete exposições de arte e objetos, além de projetos em parceria com artistas nacionais.

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Ela enxerga a loja como um centro de criação. "Acreditamos muito na inventividade brasileira. De certa maneira o sul é o novo Oeste", diz fazendo alusão à corrida pelo ouro no oeste dos Estados Unidos, no início do século passado.

Surface to Air : Al. Lorena, 1989
www.surface2air.com

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