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Um chef para chamar de seu
Por Anna Julia Prieto
Nem só de cortes impecáveis, moldes personalizados e mãos hábeis para a costura vive um alfaiate de respeito. A qualidade, caimento e exclusividade do tecido a ser utilizado num terno pode se tornar o ponto chave para que uma peça se torne um desastroso artesanato de vestir e ou uma verdadeira obra-de-arte. É por isso que os grandes nomes mundiais da alfaiataria costumam ter seus próprios estoques de tecidos à disposição nos ateliês, e, não raro, peças inteiras feitas com exclusividade.
Ao invés de dividir as atenções do chef com os demais comensais presentes no restaurante, reserve a noite do mestre apenas para você e seus convidados, com a vantagem de poder contar com o aconchego do ambiente doméstico. Luxo para poucos, se estivermos falando de estrelas da gastronomia mundial como o espanhol Ferran Adrià e o franco-americano Daniel Boulud que já vieram ao Brasil exclusivamente para cozinhar na casa de clientes ultra-especiais.
No Brasil, chefs não menos afamados como Laurent Suaudeau e Alex Atala também costumam prestar esse tipo de serviço a preços que começam na casa dos R$ 200 por pessoa. Dependendo das preferências culinárias do cliente ou de quanto se deseja impressionar, o custo pode chegar à estratosfera com a adição de ingredientes refinados como caviar, foie gras e trufa no cardápio personalizado.
Diferentemente do trabalho de um buffet ou catering, nessas ocasiões costuma-se utilizar a estrutura da própria casa. Louças, talheres, taças e até mesmo os vinhos, que geralmente acabam saindo das adegas privadas dos clientes, são aproveitados in loco. Apenas panelas, facas e demais equipamentos mais próximos aos cozinheiros são trazidos, bem como uma pequena estrutura de auxiliares. Sim, porque chef que é chef só põe a mão na massa na hora da finalização dos pratos ou para receber os aplausos finais. Assim, a presença do chef na casa pode durar menos do que a refeição em si. O que, de fato, não deverá fazer muita diferença em se tratando dos grandes mestres, tal o nível de qualidade e competência de sua equipe treinada.
Mas não pense em repetir a fórmula quando a ocasião reunir um grupo grande. A idéia é justamente manter a exclusividade, caso contrário o evento perde sentido e vira uma festa para a qual seria melhor contratar logo um buffet competente. A chef uruguaia radicada em São Paulo há seis anos, Clo Dimet, é uma que não aceita sair de seu restaurante no Itaim Bibi para cozinhar para mais de 20 pessoas. Não raro Laurent assume as caçarolas para cortejar um único casal. E o próprio Adrià já se deslocou ao Rio de Janeiro apenas para festejar um aniversário com doze pessoas.
Experiência de grupo única, que ainda é complementada pelo prazer gastronômico de degustar verdadeiros manjares dos deuses feitos pessoalmente pelos mestres, que não raramente juntam-se ao grupo no fim das refeições para discutir o menu ou amenidades de uma noite, sem dúvida, inesquecível.
Mas se por algum motivo o momento não for o ideal para receber em casa, mas você não quer se privar de tamanho luxo, saiba que alguns restaurantes e chefs possuem salas privês para a realização de tais eventos. Os próprios Laurent, Atala e Clô dispõem de tal facilidade, bem como a chef Morena Leite, do Capim Santo e Salvatore Loi, no restaurante Fasano. Ainda que a atenção não seja a mesma, o recurso consegue imprimir um pouco mais de intimidade à reunião, sem abrir mão da qualidade de serviço e atendimento que são inerentes ao reduto destes mestres da caçarola.
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