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A ousadia de ser Loro Piana
Em um terno, exclusividade começa no tecido
Por Juliana Bianchi
Nem só de cortes impecáveis, moldes personalizados e mãos hábeis para a costura vive um alfaiate de respeito. A qualidade, caimento e exclusividade do tecido a ser utilizado num terno pode se tornar o ponto chave para que uma peça se torne um desastroso artesanato de vestir e ou uma verdadeira obra-de-arte. É por isso que os grandes nomes mundiais da alfaiataria costumam ter seus próprios estoques de tecidos à disposição nos ateliês, e, não raro, peças inteiras feitas com exclusividade.
É o que acontece em Nova Iorque, no ateliê de Anthony Giliberto. Seus ternos de US$ 4 mil são feitos preferencialmente com lã fria ou pashimina de primeira linha, tecidos que, segundo ele, ajudam a disfarçar pequenas imperfeições do corpo e ainda valorizam o visual mesmo sem precisar mostrar a etiqueta. "Os mais sofisticados, feitos com pashimina pura, podem chegar a US$ 10 mil (R$ 23 mil)", afirma Giliberto, que atende, entre outros, Bill Gates, George W. Bush e o ator James Gandolfini, intérprete de Tony Soprano na série Família Soprano.
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Tasmanian - tecido exclusivo de Loro Piana |
Na mesma linha, Domenico Spano - que trabalhou com Alfred Dunhill, mestre sagrado nessa área, e hoje possui seu próprio ateliê na Sack's -, cria a cada semestre sua própria seleção de tecidos exclusivos. Alguns desenhados por ele mesmo e produzidos pelas melhores tecelagens do mundo, como as inglesas Tailor & Lodge e Moxon, que desde 1559 faz apenas 500 peças exclusivas ao ano, num total de 37.500 metros de pura lã tramada à mão. Maciez e exclusividade que pode elevar o custo dos ternos de US$ 3 mil a R$ 11 mil, no caso de ser utilizado um tecido de cashmere com vicunha, por exemplo.
Mas se o que interessa mesmo é ter o melhor e mais exclusivo tecido para se fazer um terno digno do maio poderoso CEO, nada bate as peças produzidas pelo lanifício Loro Piana, um dos mais respeitados do mundo. Considerada a mais luxuosa de cashemira italiana, a Loro Piana nasceu no início do século XIX, no norte da Itália, mais precisamente em Trivero, e de lá para cá se especializou em oferecer as lãs (merino, cashemira e vicunha) mais raras - algumas vindas da Mongólia - para o mundo todo. No Brasil, o estilista Ricardo Almeida e a Daslu Homem costumam ter à disposição de seus clientes alguns metros dessa preciosa matéria-prima para ternos especiais, feitos sob-medida.
Nos anos 80, já sob a direção da sexta geração da família, a empresa decide abrir suas primeiras lojas de roupas prontas na Europa, Estados Unidos e Ásia, sem abandonar, entretanto, o mercado de tecelagem. Atualmente, existem 83 lojas Loro Piana no mundo, onde se pode encontrar roupas masculinas, femininas e infantis feitas com o melhor dos tecidos.
No início do ano a casa superou suas próprias investidas no universo do luxo ao oferecer ao mercado ternos de US$ 30 mil, cuja exclusividade chegaria ao extremo do comprador poder e escolher pessoalmente a trama do tecido de seu próximo terno. Mas a extravagância só é permitida aos que estiverem dispostos a pagar US$ 1.5 milhão pelos únicos 90 kg da lã mais macia já produzida até hoje, - vinda de ovelhas criadas na Austrália ao som de ópera italiana e pastagem orgânica, o que, teoricamente, reduz o nível de stress dos animais e permite a produção de fios mais macios e de menor gramatura.
Como se não bastasse, a empresa ainda se dispõe a enviar um jato para levar o cliente até a fábrica na Itália, onde o design da peça será definido e as medidas para os ternos serão tiradas. "Essa quantidade de lã deve ser suficiente para 50 ternos para o cliente e seus amigos", diz Píer Guerci, CEO da empresa. Caso a agenda não permita tal extravagância de deslocamento, os diretores da empresa, entre eles Sergio Loro Piana, certamente não se incomodarão de mandar o melhor alfaiate ao escritório ou residência do pomposo cliente.
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