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Cafés especiais ganham cada vez mais espaço no mercado
Por Juliana Bianchi

Quanto vale uma xícara de café? Caso se trate de um expresso feito com os melhores grãos do mundo, pode facilmente atingir a casa dos R$ 9,00. É isso o que vem acontecendo na cafeteria Santo Grão, em São Paulo, única casa brasileira que se atreveu a pagar R$ 16.288 por apenas 60 kg do café vencedor do Cup of Excellence de 2005, concurso realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês), com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Valor jamais atingido por um café nacional.

Produzidos por Francisco Isidro Pereira, na Fazenda Santa Inês, em Carmo de Minas (região sul), os grãos vencedores totalizam apenas 12 sacas de cafés especiais, todas devidamente aprovadas pelos 26 jurados de 12 países que participaram da sétima edição do evento, seguido pelo leilão internacional on-line, realizado dia 10 de janeiro, em Brasília. Arrematados por duas empresas estrangeiras, a australiana Michels Espresso (Instaurator) e a canadense Caffe Artigiano, os 60 kg disponíveis em São Paulo - que só devem durar três meses, dado o interesse do público pela especiaria - tiveram de ser negociados diretamente por Marco Kerkmeester, proprietário do Santo Grão, que só lamenta por não ter conseguido comprar maior quantidade. "Não há dúvida de que este café é especial. É o nosso Chateau Petrus do café", derrete-se.

reprodução

Dona da principal estratégia de marketing e de promoção da alta qualidade da produção de cafés no Brasil, a Cup of Excellence vem consolidando a imagem do País como grande fornecedor de cafés especiais no mercado mundial. Em sua sétima edição, o concurso contou com 553 lotes inscritos, sendo que apenas 61 foram credenciados para a fase internacional, na qual foram premiados 36 lotes, isto é, com notas de avaliação superior a 84 pontos. O primeiro colocado teve 95,85 pontos, nota jamais atingida no evento. "Esse é um daqueles tipos raros de café, que aparece com pouca freqüência e levanta eternamente a questão se o Brasil pode ou não produzir um café espetacular", explica Susie Spindler, diretora executiva da Alliance for Coffee Excellence.

Para se ter uma idéia, o preço médio da saca de 60 kg de um café especial padrão é R$ 400,00, o que na xícara pode chegar a custar no máximo R$ 3,00. O valor não inclui os sonhos de consumo desse setor, caso do lendário Blue Mountain, produzido na Jamaica e consumido principalmente no Japão e Estados Unidos por não menos de US$ 10,00 a xícara, e do Kopi Luwak, que passa por um curioso processo de fermentação no estômago da civeta, um mamífero típico da Indonésia, parecido com um gato (no idioma local, as palavras Kopi e Luwak significam, respectivamente, café e civeta). O quilo desse exótico e saboroso café, cuja produção anual não passa dos 230 kg, não sai por menos de US$ 660.

Atualmente o Brasil retomou a posição de maior produtor mundial de café, respondendo por 40% do volume total produzido, sendo que em 2005 28% disso (26 milhões de sacas) foram enviados ao exterior ainda sem grande valor agregado. Estima-se que em 2006 a produção nacional suba para 42 milhões de sacas, já de olho no incremento da demanda mundial para 146 milhões de sacas nos próximos 10 anos. O mercado hoje é estimado em 119 milhões de sacas.

Entretanto, o mercado de cafés especiais ainda responde por uma pequena parcela desse total, chegando no máximo em 8 milhões de sacas por ano, em todo o mundo. Segundo a BSCA, a produção de cafés especiais no Brasil só alcançará seu 1 milhão de sacas este ano, dos quais 600 mil certificadas pela BSCA, o que estimula o rápido incremento do faturamento, que devera quadruplicar em 2006, chegando a US$ 80 milhões. "O consumo de cafés tradicionais vem crescendo 1,5% ao ano no mundo, enquanto o segmento de cafés especiais vem avançando mais de 10% no mesmo período, o que mostra que os consumidores querem sim cafés de melhor qualidade", afirma Alexandre Frossard Nogueira, presidente da BSCA.

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