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Perfumes de nicho ganham espaço no mercado de luxo
Por Juliana Bianchi

Uma das primeiras a se beneficiar com a necessidade das marcas de luxo de se tornarem mais acessíveis, a indústria de perfumes invadiu o mercado nos últimos anos com dezenas de variações sobre o mesmo tema, apoiados em nomes fortes como Calvin Klein, Chanel, Armani, Bvlgari, Hugo Boss, Marc Jacobs e Narciso Rodrigues. A onda rotulou os aromas, bem como as pessoas que os usam, limitando suas possibilidades de reforçar sua identidade através do perfume. Reflexo dessa massificação começa a surgir na Europa, principalmente na França e Inglaterra, uma nova safra de perfumistas e marcas dispostas a retomar a exclusividade das fragrâncias feitas em pequena escala ou até mesmo sob encomenda, com o desafio de traduzir personalidades, sentimentos, lugares e momentos em notas aromáticas que realmente façam sentido a quem as usar.

Seguindo o mesmo caminho traçado por Annick Goutal, Jo Malone e Serge Lutens, expoentes da frágil barreira até então formada contra a banalização do segmento, artistas e outras personalidades sensíveis ao olfato como Keiko Mecheri, Delare Roth e Laurice Rahme começam a se fazer conhecidos daqueles que querem resgatar o prazer de ter uma fragrância quase que exclusiva, ainda que seja preciso pagar caro por isso.

Que o digam os 10 privilegiados que no final do ano puderam desembolsar 115 mil libras (cerca de R$ 437 mil) por um único frasco de 500 ml de cristal Baccarat, recheado com o perfume Majesty Imperial, uma edição super limitada da marca inglesa Clive Christian, que ainda incluía tampa cravejada com diamante de cinco quilates e gargalo com anel de ouro 18 quilates. Sem dúvida o perfume mais caro já comercializado até hoje.

reprodução

Criada por um designer de móveis em 1999, a marca possui desde então apenas três fragrâncias em linha, a X, 1872 e No 1, cada qual com uma versão feminina e masculina. Feitos em pequena escala com matérias-primas raras - caso da rosa de maio (colhidas apenas neste mês), da íris vinda do sul da França (na Europa 1 kg da raiz é vendida a 60 mil euros) e da karo karounde, flor branca encontrada apenas em solos vulcânicos da África do Sul, -, e em concentrações de quase 40% - a média do mercado é de 20% em perfumes e 7% em colônias - a Clive Christian se dá ao luxo de vender seus produtos por valores que começam na casa dos US$ 600 (cerca de R$ 1.300). Algo comparado apenas a outra edição especial feita em parceria com Baccarat, mas agora sob a assinatura de Annick Goutal. Trata-se da Eau de Hadrian, comercializada em frasco de cristal de 100 ml pintado a mão, por R$ 1.500 na Daslu.

reprodução

"Esse retorno ao produto artesanal, ao perfume de nicho, é um movimento natural contra a banalização dos aromas. Não tarda muito e teremos marcas e fragrâncias tão especiais, feitas para pessoas igualmente especiais, que nem chegarão aos ouvidos do público em geral", prevê Sut-Mie Guibert, consultora de perfumaria da importadora Brasif. De fato esse movimento já começou. Em Paris não é difícil encontrar pequenas lojas de aromas exclusivos dispostas a atenderem uma fatia limitada do mercado consumidor. Aquele disposto a se diferenciar pela exclusividade e não pela ostentação de marcas famosas. Caso da maison do perfumista Frèdèric Malle, onde apenas oito notas aromáticas desenvolvidas para a casa por perfumistas célebres como Jean Kerléo, ex-perfumista chefe da Givenchy, estão à disposição em tubos gigantes. Na IUNX, localizada na Rue de l'Université, também em Paris, é possível escolher entre 10 fragrâncias elaboradas pela Shiseido em parceria com a perfumista novata Olívia Giacobetti.

A tendência dos perfumes de nicho é tanta que até mesmo o perfumista francês Serge Lutens, que já ganhou fama ao redor do mundo com 11 fragrâncias diferentes, destacou 23 perfumes exclusivos de sua nova linha, para serem comercializados com exclusividade em seu Salon du Palais Royal. A decisão foi tomada pois, segundo ele, um perfume não pode ser tratado como produto de massa, ainda que a estratégia traga grande lucro.

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