| |

<< MATÉRIAS ANTERIORES
Ostra: exotismo e lendas num mercado que gira mais de R$ 7 milhões por ano no Brasil
Por Priscilla Portugal
Nem só de pérolas vive uma ostra. A carne desse molusco também é preciosa e combina com saúde, exotismo, lendas e, é claro, luxo.
A iguaria começou a ser apreciada como alimento no século V antes de Cristo, mas chegou ao Brasil há pouco tempo: em 1974. Mais tarde ainda, lá pelo fim da década de 80, foi que se começou a cultivar a ostra em nosso país, mais especificamente em Santa Catarina. Para se ter idéia, 95% da produção brasileira de moluscos (o que inclui ostras, mexilhões e vieiras) é do Estado. "Florianópolis já é conhecida como capital nacional da ostra", comemora Celso Sandrini, um dos primeiros a cultivar esse molusco na cidade.
Hoje, Florianópolis conta com mais de 250 produtores e o mercado das ostras girou R$ 7,2 mil no ano passado, o que representa mais de 1,5 milhão de dúzias do molusco. A Fenaostra, Festa Nacional da Ostra, - que começou há sete anos - não poderia ter nascido em berço melhor. A festa surgiu para se tornar uma nova fonte de recursos para maricultores e para impulsionar a atividade. E tem dado certo. Na última Fenaostra (que sempre ocorre em outubro) foram vendidas mais de -55 mil dúzias de ostras! "Queremos popularizar o acesso a esse prato, que ainda é desconhecido de muitas pessoas e tido como exótico", conta Sandrini, que também é um dos organizadores da festa.
É tanta a importância dada à ostra, que a cidade conta até com o Laboratório de Cultivo de Moluscos Marinhos da Universidade Federal de Santa Catarina, a maior instituição do Brasil a produzir sementes de forma contínua e a repassá-las aos produtores para engorda nas baías.
Nas barracas dos maricultores em Florianópolis, a dúzia pode sair por R$ 4,00, mas em restaurantes que elaboram pratos finos com a iguaria o preço pode subir muito. No restaurante Di Bistrô, de São Paulo, uma entrada à base de ostras gratinadas custa mais de 18 reais e um prato principal no Felix Bistrot, também na capital paulista, à base do molusco, ultrapassa os R$ 38,00.
Mas nem é preciso ir muito longe. Em Curitiba, há quatro meses a petiscaria Ostra Viva é a primeira especializada no molusco que funciona fora do litoral do Estado. Ali, o cliente escolhe: a ostra pode ser servida ao natural, assada ou gratinada. A dúzia custa R$ 14,00. "Nós já cultivávamos em Guaratuba (litoral do Paraná) há 12 anos e resolvemos abrir a petiscaria em Curitiba para atender nosso público da capital durante o ano todo", explica um dos proprietários, Gildásio Pereira Lins Filho. "Além disso, aqui temos a ostra da melhor qualidade que pode ser encontrada no Brasil, a chamada 'nativa'", completa Hamilton de Moura Kirchner, sócio de Gildásio.
Poderes eróticos
Na realidade, uma outra qualidade associada à ostra sempre gerou curiosidade em torno dela. Há milhares de anos, as civilizações grega e romana já valorizavam o consumo de frutos do mar e atribuíam a eles a reputação de serem afrodisíacos. Outros registros históricos contam que, em Roma, a iguaria era uma das principais atrações dos banquetes dos imperadores, que pagavam pelo molusco em ouro. Geralmente, esses eventos acabavam em orgias, o que reforçava a idéia de que a ostra tem poderes afrodisíacos.
De qualquer forma, já se sabe que o zinco é importante para a produção do sêmen no homem e que as proteínas aguçam os sentidos. Mas, mesmo se a ostra não tiver esse poder afrodisíaco, só o ritual de comê-la de dentro da concha já é extremamente sensual e exótico.
A ostra também faz bem à saúde, pois é rica em ferro, fósforo, cálcio, zinco, proteínas e vitaminas A, B e D. Por conta dessas propriedades, é utilizada em tratamentos contra anemia e como forma de recomposição nutricional em casos de osteoporose, por exemplo. Ah, mais uma boa notícia: 100 gramas dessa carne possuem, em média, 93 calorias.
Como as ostras se reproduzem?
Nas regiões de clima temperado, a ostra se reproduz durante o verão. Uma ostra produz milhões de ovos por ano, que se transformam em pequenas larvas. Após alguns dias, elas procuram fixar-se a algum objeto submerso e levam cerca de quatro anos para atingir a maturidade. Outubro é a melhor temporada para que se recolham as ostras. |
 |
|
<< Voltar
|
|