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Glamour em decoração náutica
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Divulgação
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Decoração feita por Tânia Ortega |
Por Fabiana Gitsio Foi-se o tempo em que embarcações de Luxo eram prodígios de desempenho e mesmo de design - mas com interior feio e cafona. Iates milionários revestidos de brilhos em chintz e cetim ou no padrão de oncinha, bem ao gosto americano, são coisas do passado. A vida a bordo ganhou incríveis facilidades, de avanços na comunicação via satélite a TVs de plasma. Se o comandante hoje tem a mais moderna tecnologia para conduzir seu barco, nada mais natural que a decoração também acompanhe esse avanço.
A italiana Ferretti, do conglomerado náutico Ferretti, é considerada a "Rolls Royce dos Mares" - um Luxo com faturamento de $ 160 milhões de euros em 2004 (quando se leva em conta as outras sete marcas que compõem o grupo, a cifra sobe para $ 557 milhões de euros). E na brasileira Spirit Ferretti, de Marcio Christiansen, o único fabricante da Ferretti Yachts fora da Itália, decoração é coisa séria.
O estaleiro, com três unidades fabris em Alphaville, tem uma área destinada ao tema, a cargo da empresa Tutto a Bordo, de Tânia Ortega, arquiteta especializada em decoração náutica. "As pessoas hoje querem um barco que reflita a sua personalidade", destaca Tânia. "É como se fosse uma casa", lembra ela, que recentemente fez uma embarcação toda inspirada na Tailândia
Os clientes fazem questão de personalização máxima. Quem tem modelo a partir de 53 pés (portanto, pagou US$ 2,5 milhões por ele) costuma não se contentar com decoração de série. Até porque já tem casa no campo e na praia. Então, a coqueluche é o barco - nesta "casa" de singrar os mares, luxuosa de proa a popa (até o flybridge, é bom lembrar) é uma verdadeira sala de estar a céu aberto, com solariuns, mesa em U com área para churrasqueira e frigobar, entre outros confortos.
Tânia executa 40 projetos por ano e diz que a procura por decoração personalizada começou de sete anos para cá. Hoje, a maioria dos clientes já opta pelo conceito de custom made, em que cada um pode fazer de sua embarcação uma peça única. "Nenhum barco sai igual a outro", garante ela, que leva em conta os hábitos do proprietário - se o casal tem filhos ou se recebe muitos amigos a bordo para, três meses depois, entregar o projeto pronto.
Uma das raras arquitetas brasileiras de interiores dedicadas ao mercado náutico, Tânia nota que a interferência de esposas aumentou e aponta as diferenças entre os gêneros. "O dono está mais preocupado com eletrônicos e motor; na maioria das vezes é a mulher quem escolhe a decoração", afirma. Mas o marido define mais as coisas que faria em sua própria casa. "Afinal, o brinquedo é dele."
A procura por profissionais de decoração está diretamente relacionada à chegada da instituição "família" ao meio náutico, ante à propalada idéia de que barcos prestavam-se a encontros furtivos. O trade náutico brasileiro faturou US$ 385 milhões em 2004 e trabalha para mudar a visão arraigada em torno dos antigos "lobos-do-mar". "A imagem do barco que vive cheio de mulheres está defasada", garante Ernani Paciornick, promotor do Rio Boat Show, charmoso salão que anualmente na Marina da Glória e editor da revista Náutica.
E é justamente para tornar a vida a bordo luxuosa e aconchegante que entra uma profissional como Tânia Ortega. Junto com o cliente, sua equipe define tudo: desde o melhor revestimento até o enxoval e utensílios, como copos, pratos e petisqueiras, passando pelos eletrônicos, como TVs de plasma e DVDs das cabines. Não ficam de fora nem panos de prato e de chão. Tânia também estuda os hábitos dos donos: bebem mais uísque ou champanhe? Não é preciosismo, mas racionalidade de saber quais e quantos copos são realmente necessários. "Tudo o que se coloca no barco tem de ser usado", ela lembra.
Nessa busca pela personalidade do dono, Tânia segue muitas regras da boa decoração em terra firme. Procura colocar cores claras para aumentar as embarcações e jogar com as cores nos detalhes. Na movelaria, costuma optar pela madeira Cherry, mais escura, mas não escuríssima, ou a Mapple, clarinha. "Marfim não uso mais; saiu de moda", ensina.
Na cozinha praticamente não há restrições, com campeões de estilo como o fogão elétrico, acompanhados sempre do microondas e da lavadora de pratos de marcas como Bosch ou GE. Em barcos grandes, Tânia usa até geladeiras enormes do tipo side by side e não desaconselha nem mesmo pratos de porcelana e copos de cristal - devidamente acomodados em armários de acrílico que lembram adegas.
Em tecidos, utiliza até seda, mas manda impermeabilizar com teflon. Chenile e veludo são evitados, por serem muito quentes. Uma das tendências em revestimento é o couro de peles de peixes como tambaqui, pintado e pescado. Entre as vantagens: aceita qualquer tipo de pigmentação e polimento, tem promessa de ser 72 vezes mais resistente que o couro bovino e vem com a chancela do ecologicamente correto, já que em vez de produtos químicos é todo curtido e tratado com extratos vegetais e óleos naturais. Quem acha estranho deve saber que o efeito é 'elegantérrimo'.
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Ambientes decorados por Tânia Ortega, arquiteta especializada em decoração náutica |
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