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Rio Sol: o vinho que não vem do Sul

Reprodução
Rio Sol Reserva Cabernet Sauvignon 2003

Por Luciana Stein

Freqüentemente os brasileiros olham para a França como tradicional lar do luxo.

Lá estariam as manufaturas melhor acabadas, calcadas numa expertise centenária cuja qualidade de produto e sutileza de apelos inspira o mundo. Vez ou outra, entretanto, nos surpreendemos com algumas ações que sugerem que a tradição em determinado setor é algo que pode ser construída e fabricada.

Esse pode ser o caso da importadora de vinhos Expand, a maior de São Paulo e da mesma família controladora do Empório Santa Maria.

Depois de décadas trazendo rótulos do mundo inteiro ao país, a Expand fez a sua própria investida e lançou no ano passado o vinho Rio Sol, medalha de ouro no II Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, realizado em Bento Gonçalves em 2004, e medalha de bronze da revista Decanter, principal publicação inglesa sobre vinhos.

No mês passado, a empresa lançou o Rio Sol Reserva, um cabernet sauvignon, sirah e alicante bouschet que pretende chegar ao mercado mundial como um produto brasileiro de alta qualidade e um preço competitivo (no Brasil, ele custa R$ 48). Hoje cerca de 20% das 1,2 milhão de garrafas do Rio Sol são exportadas e já encontradas nos Estados Unidos e em 12 países da Europa.

Divulgação
Rio Sol Cabernet /
Shiraz 2003

Vinho originário de uma região tropical? De certa maneira, sim.

O Rio Sol Reserva não só está longe das regiões temperadas, mas também dos Vale dos Vinhedos no Rio Grande do Sul, endereço tradicional das vinícolas nacionais. Ele é produzido no Vale do Rio São Francisco, em Pernambuco, em parceria com a vinícola portuguesa Dão Sul e pela vitivinícola Santa Maria, que há 17 anos cultiva uvas na região.

Alguns podem questionar o terroir do rótulo produzido no paralelo 8, mas o dono da Expand, Otávio Piva de Albuquerque, diz que é um vinho que se afirma justamente pela sua diferença. A iniciativa pode ser considerada inspiradora. Questionado se era melhor exportar ou importar, ele afirma: "Exportar dá mais prazer e muito mais realização. Hoje, as grandes marcas são globais". E, algumas delas são globais por que são profundamente regionais.

Para fazer diferença no mercado mundial e integrar um segmento já consolidado, a inovação e a individualidade do produto são chave, daí que a produção da Expand pode servir de exemplo para outras empresas nacionais.

 

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