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Luxo ao lado da imaginação transforma papéis em objetos de desejo

Papelarias apostam em atendimento cuidadoso e projetos diferenciados de convites e cartões para atrair consumidores que gostam de exclusividade

Por Marina Faleiros Garcia

Reprodução
Álbum pintado à mão, a venda na Casa 8

No ramo de papelarias que oferecem serviços personalizados e atendimento diferenciado, a criatividade é o principal motor do Luxo. Nestes locais, um orçamento mais abrangente pode fazer com que simples folhas de papéis se transformem em jóias ou que objetos comuns ganhem um toque especial.

A Casa 8, por exemplo, foi inaugurada em outubro de 2003, na Rua da Consolação, no número 8, o que deu origem ao nome da empresa. Um ano depois, a oferta de produtos de qualidade e exclusivos fez com que o espaço ganhasse fama e fosse para a antiga loja da Daslu, na Vila Nova Conceição, reduto de Luxo em São Paulo. Agora, a empresa funciona em endereços próprios e investe em novos produtos, como a linha de papelaria personalizada, artigos em couro, canetas com detalhes em prata e outros itens inusitados e sofisticados, como álbuns prontos com capas de couro, que vão de R$ 60 a R$ 800. "Os mais caros são costurados à mão e tem as pontas das folhas douradas", explica Bia Adler, uma das sócias da papelaria. A Casa 8 também detém exclusividade no Brasil para distribuir os papéis franceses Cassegrain, de toque mais algodoado, que custam R$ 600 o cento.

A Paper House, que está instalada na nova Daslu, é outra que oferece papéis especiais, como cartões da marca Crane's, no valor de R$ 1 mil a centena. Aliás, a loja ainda oferece jogos, relógios e artigos para escritório, tudo com muita exclusividade e design pouco comuns. A Paper House tem ainda uma loja no Shopping Higienópolis e outra, a primeira da marca, inaugurada há 10 anos, localizada na Rua Oscar Freire.

Reprodução
Produtos da sofisticada Crane's, à venda na Paper House

Atuando, por enquanto, apenas com convites, a Papeteria é uma das mais novas e faz com que chaveiros, madeira e até porta-retratos virem convites. "Temos que elaborar embalagens diferentes e fazer convites de acordo com a festa, buscando um outro tipo de público", conta Cacau Barbosa, uma das sócias, que é especializada em desenvolvimento de produtos. De acordo com ela, vence neste mercado a empresa que tiver mais criatividade.

A Cards and Co é outra que aposta em um público ávido por novidades. A loja existe desde 1990 e foi uma das primeiras neste segmento, com a criação de cartões infantis com desenhos personalizados pelas irmãs Cristina Armentano e Adriana Moraes. "Na seqüência, vieram os convites para crianças e adultos em geral, focando a área de personalização, que sempre foi nosso diferencial, pois cada cartão ou convite é único", conta Cristina.

E como não há limites para a imaginação, são feitos pedidos dos mais curiosos nestas papelarias. Para Bia, da Casa 8, o importante é fazer algo diferente, que ninguém nunca viu. "Já fizemos convite em forma de colar, com acrílico, por exemplo". Entre os pedidos curiosos que a Casa 8 já teve e viraram moda é o de encapar álbuns com o mesmo tecido do vestido da noiva ou debutante. Entre os mais glamourosos, conta Bia, estão o que possuem fecho de ouro, impressão com pó de ouro e relevo timbrado artesanalmente, que saiu cerca de R$ 40 a unidade.

Mas ela explica que fazer produtos sob medida não significa sempre gastos excessivos: "temos projetos bem simples, mas originais e com qualidade. De qualquer forma, sempre sai um trabalho diferenciado, pois temos todo o cuidado com uma boa impressão e trabalhamos gramaturas de papel maiores. São pequenos cuidados que dão a sofisticação", diz. Entre os mais criativos e de baixo custo, Bia lembra de um convite de casamento que fez, que vinha dentro de uma pequena caixa, cujo conteúdo trazia um pouco de arroz e papéis coloridos para os convidados jogarem nos noivos no dia do casamento. "É mais barato, porém também inusitado, porque interage com os convidados", diz. Para oxigenar as idéias, ela conta que viaja e visita eventos importantes, como feiras de papelaria em Nova York e Fiepag (Feira Internacional de Papel e Indústria Gráfica).

Cristina ainda conta que o trabalho de criação pode ser bem divertido e que um dos convites mais diferentes que já fez foi um coberto de plumas cor-de-rosa pink . "O espaço aonde o trabalho foi feito ficou repleto de pedaços de plumas, ficamos com as mãos manchadas e espirramos muito", brinca. De acordo com ela, os clientes raramente têm noção do trabalho que envolve um projeto especial. "Existe uma pesquisa de materiais, muito brainstorm , consultas a fornecedores e várias montagens até chegar ao produto final."

Por isso mesmo, a hora do atendimento é uma das mais especiais, pois o cliente tem que conhecer todo o processo. De acordo com Cristina, é preciso que os funcionários tenham uma boa preparação, o que envolve conhecimentos sobre tipos de papéis e processos de impressão, por exemplo, para indicar, sem erros, o melhor trabalho. "Os atendentes ainda têm que entender o que o cliente quer e adequar ao orçamento dele para realizar o que foi proposto", diz. O ambiente também precisa ser descontraído, para que a pessoa não tenha pressa na hora de decidir a compra.

Bia ainda completa, dizendo que contato com o cliente é essencial, porque as pessoas que procuram este tipo de papelaria já vão atrás de idéias diferentes e produtos exclusivos. Para ela, o atendimento é o que mais conta neste segmento. "Temos que dar muita atenção aos clientes e sempre sugerir coisas diferentes", finaliza.

Divulgação
A Cards and Co aposta em um público ávido por novidades

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