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Livrarias entram no universo do Luxo sem abusar nos preços

Com o mercado competitivo, lojas do setor investem em ferramentas do glamour, como atendimento de qualidade e ambiente confortável, para conquistar mais clientes

Por Marina Faleiros Garcia

Toc na Cuca, na Daslu

Há tempos que as livrarias deixaram de ser sinônimo de ambientes bagunçados e com pouco conforto. Hoje, para sobreviver no mercado cada vez mais competitivo e saturado, é preciso atrair o cliente e fazer com que a experiência de compra seja prazerosa e não apenas parte de uma rotina. Neste contexto, muitas livrarias apostaram em design, exclusividades e atendimento de qualidade para ganhar mercado e se firmarem como opção não só de compras, mas também de lazer, trazendo para si alguns componentes do mundo do Luxo, mas sem excluir clientes ou cobrar a mais por isso.

A livraria Toc na Cuca, por exemplo, está dentro da loja da Daslu, uma das mais luxuosas do Brasil. Ela oferece livros técnicos de arquitetura, arte, paisagismo e fotografia, entre outros temas, mas o fato de estar dentro de uma loja glamourosa não significa preços abusivos. Lá, grande parte das edições é importada direto da editora, para diminuir os custos. Os preços da unidade também são os mesmos das outras duas lojas da rede existentes em São Paulo. "Mas temos livros exclusivos, que só vão para a loja da Daslu, por exemplo", conta Guilherme Yera, responsável pelo atendimento da Toc na Cuca na Daslu. Uma destas exclusividades foi o livro dó fotógrafo Helmut Newton, vendido a R$23 mil, que fazia parte de uma tiragem reduzida e vinha acompanhado de uma mesa do designer Philippe Stark.

A livraria fica bem na entrada da Daslu Homem e o local agradável convida aos que passam por lá a dar uma olhada nas edições disponíveis e relaxar em um dos sofás, tomar algo como café ou refrigerante, oferecidos pela loja. "Muita gente vem apenas para conversar", conta Yera. A arquitetura segue o mesmo padrão de toda a Daslu, num estilo clássico, porém com toques de modernismo.

O atendimento também é diferenciado: os vendedores são profissionais, conhecem todo o material e o gosto dos principais clientes. "Temos uma lista de clientes e ligamos para todos avisando quando temos lançamentos e novidades". Na mesma semana, conta Yera, o cliente vem buscar o livro ou a loja envia até a casa dele os exemplares, para que o cliente veja e compre o que lhe interessar.

Também existem lojas de livros que se apropriam de algumas nuances do Luxo, mas visam vendas em massa, como é o caso da Fnac - Fédération Nationale d´Achats pour Cadres - de origem francesa. A rede, apesar de muito lembrada pela venda de livros e CD´s, não gosta de ser chamada de livraria, mas sim de local de venda de produtos culturais e de tecnologia da informação. Isso porque, explica Martine Birnbaum, diretora de Comunicação e de Ação Cultural da empresa no Brasil, a Fnac aposta num mix de serviços e produtos que inclui celulares, home theaters, DVD´s e papelaria. "A missão da Fnac é dar acesso a produtos culturais em um ambiente agradável, com atendimento de alta qualidade e preços abordáveis. Isso sim é Luxo", diz. Com isso, acredita, conquista um número cada vez maior de clientes.

Ela conta que a Fnac mantém o mesmo padrão arquitetônico em todas as lojas, com a finalidade de proporcionar uma compra mais agradável, com comunicação fácil, facilidade de circulação, atendentes que abordam, mas não incomodam, luz agradável e espaço para café e eventos. São realizados, em média, cerca de 250 eventos culturais gratuitos por ano em cada loja, entre pocket shows , palestras, bate-papos com autores, exposições e sessões de autógrafos. Nas lojas da Fnac no Brasil, por exemplo, já estiveram artistas como Marília Pêra, Sarah Brightman e Marina Lima. "Aliamos a experiência comercial com a cultural", diz Martine. De acordo com ela, faz parte das preocupações da rede que o cliente tenha uma experiência agradável dentro das lojas. "Nosso padrão de qualidade é elevado e fundamental para nós, para que o cliente se sinta privilegiado. Assim, no momento da compra, ele vai se lembrar de ter tido uma experiência agradável e vai retornar", acredita.

A empresa, no entanto, pretende manter sua qualidade e diferenciais sem explorar em excesso sua marca. Por isso, apesar de ter dobrado de tamanho em apenas um ano - pulou de três para seis lojas no Brasil no ano passado - Martine avisa que a meta da Fnac é de ter, no máximo, 15 lojas no País. O grupo ao qual pertence, a rede, o PPR, é o mesmo que detém marcas muito conhecidas no mercado do Luxo: Gucci, Yves Saint Laurent, Sergio Rossi, Boucheron, Bottega Veneta, Bédat & Co., Alexander McQueen, Stella McCartney e Balenciaga.

Já a Mille Foglie, instalada na região dos Jardins, na capital paulistana, foca apenas os livros relacionados a gastronomia e bebidas. A loja oferece livros de design de vinícolas, técnica de fotografia de alimentos, etiqueta e, claro, livros de receitas. "Grande parte do nosso público é proprietário de restaurante ou atua na área, mas existem muitos executivos e empresários amantes da área que são clientes e adoram comprar exemplares para dar de presente", conta Gabriela Mascioli, proprietária da livraria.

A arquitetura do local foi toda pensada para atrair o cliente, porém sem excesso de informações. A decoração clean , desenvolvida pela arquiteta Cecília Vicente de Azevedo, contrasta com os livros coloridos nas estantes. "Pensamos num ambiente mais neutro, para não ficar ostensivo. A fachada ainda é em cobre, o que remete às panelas feitas deste material, muito usadas na gastronomia", conta Gabriela.

Para atender os clientes, a proprietária conta que seleciona muito bem seus atendentes, que são pessoas formadas em áreas afins, como gastronomia ou turismo. "Eles também são capazes de entender e indicar muito bem os livros, que são 80% escritos em outra língua. Além disso, são capazes de atender clientes estrangeiros", conta. Segundo ela, alguns dos maiores clientes da loja ainda contam com uma listagem da sua biblioteca feita pela Mille Foglie, para que os atendentes controlem o que ele já comprou e indiquem mais livros de seu interesse. "Sabemos o gosto de muitos clientes e ligamos para avisar de lançamentos", conta.

O espaço da loja também conta com um café e espaço para eventos fechados e almoços para pequenos grupos. No terceiro andar, ainda existe a cozinha experimental, em que alunos podem assistir aulas de culinária diferenciadas, como design de bolos e, agora na Páscoa, ovos de chocolate, mesclando diversos serviços para manter o cliente sempre satisfeito.

Mille Foglie, nos Jardins

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