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O Vinho na história e no mundo
Por Francisco Alberto Coutinho
Diretor da ABS/SP - Associação Brasileira de Somelliers de São Paulo, sub-seção São José dos Campos

O verdadeiro "néctar" dos Deuses

Hoje, mais do que nunca, temos convivido com uma crescente onda de interesse pelos vinhos. Isto fica muito claro pelo aumento do consumo e, sobretudo pelo interesse por cursos, literatura e também viagens de visita a vinícolas produtoras, além de um notório aumento no número de confrarias de apreciadores de vinhos. Tomar um bom vinho é não só um grande prazer como também a arte do conviver e partilhar. É a bebida tomada em todos os níveis culturais e sociais. Do pobre ao rico, muitos já provaram um pouco deste néctar que, com sua ação relaxante e de euforia, se torna a bebida que é tomada quem sabe há mais de quatro milênios. Isso mesmo, há mais de quatro mil anos.

Mas, o que é o VINHO?

A definição é simples: qualquer vinho é o produto da fermentação alcoólica natural do suco de uvas. Isto ocorre naturalmente quando uvas maduras têm suas cascas rompidas, permitindo o ataque de leveduras que transformarão o açúcar da fruta em álcool.

O homem, lá atrás, talvez tenha por acaso descoberto o vinho e devido ao seu sabor e efeitos, passou a consumir e desenvolver técnicas de vinificação e plantio.

Pode-se hoje afirmar que a vinicultura expandiu-se sob forte influência do Império Romano, que em função de seu costume de ter o vinho como bebida principal e tradicional, atingiu os Celtas, os Germânicos e os Eslavos, que de alguma maneira incorporaram esta bebida aos seus hábitos de vida cotidiana, expandindo-se assim de maneira global.

Foi perpetuada pelos monges, que depois da decadência dos Romanos e da precariedade da agricultura da Idade Média, em função da tumultuada situação histórica, passaram a dominar as técnicas de plantio, cultivo e vinificação, por conta da necessidade do vinho para as celebrações da Igreja Católica. Porém, somente no século XVIII é que se viu duas revolucionárias mudanças: a garrafa de vidro e a rolha de cortiça, possibilitando com isso, pela primeira vez, a guarda e o transporte. Antes destes novos artefatos, os vinhos eram guardados em tonéis, vasilhas ou ânforas fechadas com finas camadas de óleos, que não permitiam a conservação por mais do que alguns meses. Somente com a utilização da rolha e garrafas é que começaram a surgir os grandes vinhos que conhecemos hoje, oriundos do Piemonte, Reno, Bourgogne, Champagne entre outros.

O VINHO no mundo

Com a expansão do conhecimento e do consumo do vinho, hoje não só nos países produtores tradicionais, como França, Itália, como em muitos outros, o plantio e a produção de bons vinhos têm se firmado. Podemos dizer que nosso globo está dividido em três grupos distintos de países produtores, cada um deles com suas características, regulamentações e classificações bem diferenciadas.

O primeiro deles, o velho mundo do vinho, onde estão os países tradicionais da Europa, tais como Itália, França, Portugal, Espanha e Alemanha.

O segundo grupo é composto pelos países do novo mundo do vinho, onde destacamos Austrália, Chile, Nova Zelândia e África do Sul.

E como emergentes um terceiro grupo formado por Brasil, Argentina e Estados Unidos.

Produção e consumo

Estima-se que a produção anual de vinhos mundialmente esteja em torno de 300 milhões de hectolitros. O consumo médio per capita varia de país para país, por exemplo, França, Itália, Portugal e Luxemburgo consomem por volta de 70 litros ao ano (;Argentina, Suíça e Espanha 40 litros ao ano; Dinamarca, Austrália e Chile algo em torno de 25 litros ao ano, e o nosso Brasil com um consumo ainda pequeno, da ordem de 3 a 4 litros per capita ao ano.(fonte:Office International de la Vigne e du Vin, França, 2002).

Divulgação

Variedade de uvas

As uvas usadas na produção de vinhos são do tipo "Vitis vinifera".

É o tipo de uva usada no processo que determina o caráter de um vinho, que também pode ser influenciado pelo clima e pelo processo de produção e cultivo.
Os tipos de uvas mais conhecidas são:
Vinhos Tintos: Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Gamay, Shiraz.
Vinhos Brancos: Sauvignon Blanc, Chardonnay, Riesling, Gewürztraminer, Sémillon.

Raridades e o Luxo do vinho

"Um grande vinho tem a maravilhosa qualidade de imediatamente estabelecer a comunicação entre aqueles que o estão bebendo. Degustá-lo à mesa não deve ser uma atividade solitária e um vinho fino deve sempre ser bebido com comentários".

Existem vinhos de todos os custos e qualidades. É claro que estamos sempre buscando o melhor custo-benefício, porém sabe-se que dificilmente por menos de US$ 10,00 não se toma um vinho bem elaborado e com certa complexidade e qualidade, com raras exceções. Dentre os vinhos de Luxo, que pela tradição, além da qualidade ímpar, têm o seu "glamour" consolidado e em decorrência um custo bem longe destes US$ 10,00, podemos destacar:

De sobremesa: Chateau d'Yquem
Tintos: Romanee Conti e Petrus
Branco: Montrachet
Champagne: Krug e Don Perignon


Lembre-se que o vinho faz amigos, cultiva a generosidade e aumenta o companheirismo. Além disso, o melhor vinho do mundo não se guarda na adega, guarda-se na memória e no coração!

Um forte abraço e uma ótima degustação!

 

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