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O mundo dos óculos no Planeta Luxo
Por Andrea Tavares

Divulgação
Peça Emilio Pucci produzida pela italiana Safilo no final dos anos 60

Meu primeiro contato com o Luxo como business foi quando decidi fazer o curso Gestão de Luxo com Carlos Ferreirinha, em agosto de 2003. Desde então, tive a oportunidade de começar a entender os bastidores desse mercado que movimenta anualmente bilhões de dólares ao redor do planeta e consegui reunir mais elementos para compreender como se mantém em alta o desejo do consumidor de produtos de Luxo.

Também reuni mais bases para analisar como os óculos se inserem nesse universo. Mas, por que exatamente óculos, você me perguntaria. Sim, óculos porque atuo nesse setor há oito anos como editora da VIEW, revista voltada ao varejo óptico brasileiro e viajo anualmente para as principais capitais do mundo em busca do novo e das próximas tendências que farão o mercado 'bombar'.

Quando o mundo se resumia a suprir apenas necessidades e não atender desejos, os óculos cumpriam perfeitamente esse primeiro papel: eram duas "bolinhas" (os aros) munidas de duas "perninhas" (as hastes) que faziam as pessoas enxergarem e pronto. E foi assim por muito tempo, até o final dos anos 60, quando os criadores Christian Dior e Emílio Pucci lançaram suas coleções de óculos solares - a primeira fabricada pela austríaca Carrera (hoje pertencente à italiana Safilo) e, a segunda, pela Safilo, a segunda fábrica de óculos do mundo e detentora das mais importantes marcas de moda.

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Os primeiros exemplares da coleção de Marc Jacobs, lançada em
janeiro 2005

Pela primeira vez, coleções de óculos fabricadas em série levaram a assinatura de estilistas. Foi exatamente naquela época de óculos de proporções super avantajadas, dos quadradões ao redondões, em sua maioria de plástico (acetato é a denominação correta para o material).

Mas ao mesmo tempo em que a década de 60 abundava em delírios psicodélicos e criatividade, faltava consistência para seguir adiante: passou o tempo dos óculos loucos e Christian Dior até seguiu em frente a produzi-los, mas nada tão sintonizado com a freqüência da moda e de despertar o desejo das clientes para adquirir tais peças. Os óculos carregavam ainda um quê de commodity e nível quase zero de luxury flavor, seja pelo design ou pela falta de posicionamento.

Os anos 90 foram a grande e definitiva virada, quando as grandes casas de moda e de produtos de Luxo começaram a encarar o mercado óptico como mais uma atraente fonte de receita. O grande ícone dessa década foi Giorgio Armani, em um casamento muito bem-sucedido com a 'número um' do mundo: a italiana Luxottica - casamento desfeito em 2002, após 14 anos de relacionamento. A tão bem-sucedida experiência de Armani nos óculos estabeleceu naquela altura um modelo básico de relação entre os estilistas e as fábricas de óculos, ditando os procedimentos básicos de uma época.

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Estilo aviador com aplicação de 400 cristais em cada peça, um clássico da Chanel em 2004

Eis que o século 21 chegou e promoveu uma nova revolução, que pode ser considerada a terceira geração da relação entre as marcas de moda e o mercado óptico. E trouxe finalmente uma conduta de trabalho mais profissional e com posicionamento de Luxo muito bom, na maioria dos casos. Os criadores que importam de fato começaram a produzir coleções com reais informações de moda traduzidas para os óculos, por mais que possam ser peças tão pequenas para carregar os códigos de cada temporada. Além disso, começaram a exigir uma distribuição muito bem dirigida somente aos pontos adequados. A Chanel é um ótimo exemplo: desde que assinou com a Luxottica, em 1999, exige que as ópticas comercializem seus óculos apenas sob a sua autorização, com uma espécie de licença por escrito, que atesta a qualificação daquele ponto-de-venda.

Esse é o admirável mundo dos óculos, hoje já muito inserido e em sintonia com o Planeta Luxo. E com a rapidez com que o mundo tem andado, as novidades virão cada vez mais rápido. Espero estar sempre por aqui para partilhar com você os fatos mais quentes. Até a próxima!

 

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