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MUSEU À VENDA

Por Mariana Amaral, de Londres

Mariana Amaral
Detalhe da Christie´s, em Londres

Onde encontrar obras de artistas como Monet, Matisse, Dürer, Mondrian, Picasso e Giacometti? E desenhos de Da Vinci, Di Cavalcanti e um Stradivarius original de 1726? Num Museu, qualquer um diria...

E se você quisesse comprar uma dessas obras ou um objeto de colecionador, como a partitura original do 1º movimento da 9ª Sinfonia de Beethoven, os sapatinhos de rubi usados por "Dorothy" no clássico "O Mágico de Oz", de 1939 ou até mesmo o vestido usado por Marilyn Monroe na festa de 45 anos de John F. Kennedy? Difícil? Que nada! Basta ficar de olho na programação das duas mais tradicionais casas de leilão do mundo, a Sotheby´s e a Christie´s. Afinal, foi através delas que todos esses objetos e obras de arte, além de muitos outros, foram leiloados.

Com suas histórias de tradição e com a ajuda de alguns dos melhores profissionais do mercado, a Christie´s e a Sotheby´s não só representam um negócio lucrativo e uma paixão constante pela arte, através de um profissionalismo ímpar, como também inovam ao oferecerem serviços cada vez mais atrativos aos seus clientes, lotes a preços accessíveis para bolsos mais modestos e uma orientação especial para aqueles que nunca compraram arte na vida.

CHRISTIE´S

Reprodução
O fundador da Christie´s, James Christie, retratado por Thomas Gainsborough, em 1778
 

Com 90 escritórios e 15 centros de venda em cerca de 35 países, a Christie´s leiloa objetos divididos em 80 categorias distintas, entre elas celebrities sales, vinhos e até mesmo cargas de navios afundados.

Com um time de leiloeiros capazes de conduzir qualquer venda e profissionais experts nas mais diversas áreas, alguns deles intelectuais e autores renomados, a empresa mantém a fama de uma das mais tradicionais do mundo.

De olho no crescimento do negócio, a Christie´s investe também no auxílio e na formação de seus novos e antigos clientes. Para isto, criou departamentos especiais, como o Christie´s Valuations e o Client Advisory Department, que ajudam a realizar uma venda de sucesso, orientando sobre as condições do mercado e sobre a fixação de preços mínimos ou até mesmo orientando aqueles que desejam saber mais sobre a arte de comprar e vender através de leilões.

Outra estratégia para conquistar mais clientes é manter suas portas abertas: qualquer um pode visitar gratuitamente suas galerias, examinar as obras e até mesmo pedir a ajuda de um funcionário caso queira informações mais detalhadas. Há também uma pequena loja onde é possível comprar livros e catálogos de diversas coleções. De olho no bolso de colecionadores emergentes, a empresa criou o House Sales, um leilão de objetos que atingem preços razoavelmente modestos e mais accessíveis, se comparados aos leilões tradicionais. Uma pequena amostra do mundo bilionário para aqueles que desejam fazer o exercício do luxo.

Além do ramo de leilões, a Christie´s atua na área imobiliária de alto luxo, através da empresa Christie´s Great Estates e no ensino de arte para alunos de todas as idades através da Christie´s Education. Há ainda a Christie´s Fine Art Security Services e a Christie´s Images - que oferece imagens de obras de arte para reprodução.

Fundada há 238 anos por James Christie, a casa de leilões surgiu em Londres a partir de um evento onde foram vendidos lotes de porcelanas, móveis e lençóis. Aos poucos, o lugar transformou-se num ponto de encontro para a sociedade, negociantes e conhecedores de arte. Interessado em divulgar seu negócio, James abriu as portas para exposições e manteve relações próximas com alguns dos mais conhecidos artistas da época, como Joshua Reynolds e Thomas Gainsborough.

A consagração veio mesmo a partir de 1778, quando James negociou pessoalmente com Catarina, "a Grande" a venda da Coleção particular de Robert Walpole´s, que mais tarde viria a integrar a base da coleção do Museu Hermitage.

Reprodução
Capa de um dos catálogos da Sotheby's

SOTHEBY´S

A Sotheby´s foi fundada em 1744 por Samuel Baker, num leilão de livros raros, que foram vendidos por uma verdadeira ninharia, se comparados à atual média de preços das obras vendidas em seus leilões.

A própria Sotheby´s afirma que Samuel dificilmente acreditaria que sua casa de leilões um dia pudesse alcançar tamanho status e abrangência: são cerca de 100 escritórios pelo mundo, movimentando leilões com cifras bilionárias.

Assim como James Christie, Baker era muito bem relacionado e, graças a isso e ao seu carisma, foi responsável pela comercialização de algumas das mais famosas bibliotecas particulares, entre elas a de Napoleão, que, após sua morte, foi levada de Sta. Helena diretamente para a Sotheby´s.

Reprodução
Outros catálogos da Sotheby's
 

Após 34 anos de trabalho, Baker faleceu e deixou a empresa, já célebre, para seu sócio George Leigh, e seu sobrinho, John Sotheby, cuja família administrou a empresa durante 80 anos. Em 1917, após uma mudança de endereço para a New Bond Street, a casa de leilões decidiu ampliar-se, diversificando ainda mais seus lotes. Um dos grandes responsáveis por seu crescimento e modernização foi o executivo Peter Wilson, que entrou na empresa em 1936 e investiu fortemente na aquisição de obras de arte Impressionistas e Modernas, uma aposta certa, na hora ideal. Um dos mais movimentados e ousados leilões de que se ouviu falar nessa época foi o da Coleção Goldschmidt, que era formada por sete das mais estonteantes pinturas que já tinham ido a leilão. Uma noite de gala foi realizada e contou com nada menos que 1.400 participantes de vários lugares do mundo. As pinturas foram vendidas em apenas 21 minutos.

Em 1964, a Sotheby´s comprou a americana Parke-Bernet e abriu os olhos para o mercado de ações. Sobrevivendo às crises enfrentadas pelo mercado de arte, a Sotheby´s soube apostar em sua expansão e modernização, adquirindo cada vez mais espaços e investindo também na conquista dos clientes e nos serviços on-line.

A Sotheby´s também apostou no novo dinheiro e no sonho do luxo e criou o Arcade Auctions, um leilão também com obras de arte a preços mais accessíveis.

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