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Colecionismo: poder e prazer

Colecionar objetos é uma prática antiga e tem tudo a ver com o Luxo. Entre os alunos do MBA, há colecionadores bem bacanas que levam esse negócio muito a sério e com o maior prazer.

Por Mônica Nunes

O colecionismo surgiu já na época primitiva e, desde o início, mesmo ligado a funcionalidade, nunca ficou dissociado da idéia de posse. Não demorou muito pra que a sensação de poder fosse estimulada e transformasse o "acúmulo de coisas" numa forma de reconhecimento e prestígio.

Na Antiguidade, as grandes coleções pertenciam aos senhores, reis e imperadores. Na Idade Média, a igreja praticou o colecionismo como ninguém. E foi dessa vontade de acumular obras de arte e outros objetos de valor, além de conservá-las para exibir poder, criando um bom patrimônio, que, naturalmente, surgiram os Museus.

Mas não vou me aprofundar na História do Colecionismo. O que quero contar aqui é que, desde a primeira vez que o tema foi comentado no curso de Gestão do Luxo - na aula de "Cultura do Luxo" com a jornalista Cynthia Garcia, ele não saiu mais da minha cabeça. Isto porque, além de ser um assunto extremamente interessante - se você começa a pesquisar, não termina nunca e descobre muita coisa interessante !!! -, me fez descobrir que há bons colecionadores entre os alunos do MBA. E é justamente sobre eles que vou falar aqui.

ERUDITO OU MODERNO?

"O colecionismo é uma ferramenta que impulsiona o mercado do Luxo", afirma Cynthia Garcia. "É uma das primeiras formas praticadas pelo homem para demonstrar riqueza e adquirir reconhecimento". E continua: "E não precisa ser erudito, como todo mundo imagina. Ele pode ser moderno". Quer alguns exemplos? Então, vamos aos alunos!

Jamille Grunwald coleciona selos e fósforos. Claudio Ferreira é fanático por CDs e DVDs, mantendo-os todos organizados e catalogados. Cris Tamer tem todas as Vogues. Andréa Ciaffone é fã de tudo o que se refere a Starwars, além de bichinhos de pelúcia, fósforos e peças dos anos 80. Waleska coleciona lápis. Ferreirinha, nosso querido coordenador, é aficionado por CDs, tênis e Havaianas.

Mariana Amaral coleciona cardápios há quatro anos, mas explica que não é qualquer um que entra em sua coleção. "Comecei a guardar cardápios quando trabalhei como editora num portal de gastronomia no Rio", conta ela. "Gostei e não parei mais. Um é mais lindo do que o outro. E quando meus amigos souberam disso, começaram a trazer exemplares pra mim. São lindos também, mas não têm o mesmo apelo. Por isso, da minha coleção só fazem parte os cardápios dos restaurantes onde eu vou. Cada um tem uma história e é isso que a torna ainda mais especial".

Já Yara Russo começou a colecionar xícaras de café sem essa intenção. "Adoro xícaras. E a primeira que adquiri foi na Feira de Antiguidades do MASP - Museu de Arte de São Paulo", conta. "Minha coleção ainda é bem pequena, tenho só 20 peças, algumas sem pires e ainda não tenho um espaço exclusivo para exposição, estão guardadas, muito bem embaladas, dentro de uma caixa, mas quero exercitar mais a aquisição de novas peças. Quero levar mais a sério. No futuro, minha intenção é exibi-las numa bela cristaleira".

Mas, sem dúvida, as coleções mais apaixonantes são as de Eduardo Machado e Marta Rovella Schultz.

PAIXÃO PELA ARTE

Eduardo é colecionador de arte contemporânea desde os 26 anos, quando ainda morava em Recife e comprou seu primeiro quadro: uma pequena tela de João Câmara. "Nessa época, tinha acabado de comprar meu primeiro apartamento e resolvi investir em arte. Achei que era um bom negócio". E continua: "Logo em seguida, conheci o marchand Edgar Pessoa de Queiroz, que me convidou para trabalhar em sua galeria de arte. Não parei mais de comprar obras de arte". Quando foi morar no Rio, Eduardo logo montou uma galeria. Depois, quando passou a freqüentar a ponte aérea, dividindo-se entre Rio e São Paulo, conheceu a marchand Mônica Filgueiras de Almeida que o envolveu ainda mais no caminho das artes.

"Hoje, no apartamento do Rio, fica o melhor da minha coleção. Lá tenho obras de Hércules Barsotti, Mira Schendell, Julio Le Parc, Tenreiro, João Câmara, Eduardo Frota e uma lito-aquarela de Picasso, entre outras".

Mas Eduardo também é apaixonado por vidros. "E essa paixão foi despertada pela arquiteta Janete Costa, da qual tenho um móbile. Coleciono vidros de farmácia antigos, aqueles onde se colocavam pílulas e fórmulas. E alguns são de manufatura Baccarat". Mas ele não pára por aí. Tem mais: "também adoro vidros brancos, das mais diversas assinaturas, como Lalique, Gallais,...".

PEQUENOS (GRANDES) PRAZERES

Marta Rovella Schultz adora perfumes e coleciona miniaturas há 10 anos, que ocupam um lugar muito especial em seu closet. Claro que isso tem a ver com seu trabalho. Ela é assessora de imprensa de marcas premium desse segmento.

Pra vocês terem uma idéia da dimensão de sua paixão pelos perfumes, basta dizer que, em maio deste ano, quando tivemos a aula de "Cultura do Luxo", com Cynthia Garcia, na qual Marta falou sobre essa coleção, ela tinha 813 frascos. Hoje são 871. Isto é, em 4 meses, ela adquiriu mais 58 miniaturas.

"É um hobby caro, alguns frascos chegam a custar US$ 150, gasto que me dá o maior prazer. E não meço esforços para conseguir novos exemplares. Se descubro onde posso encontrar um frasco raro, anoto o endereço e, quando viajo, chego a desviar do meu roteiro para adquiri-lo".

Esta é uma característica comum dos colecionadores sérios. Cynthia explica: "Quem cultua e curte sua coleção, não tem limites. Viaja o mundo procurando aquele exemplar e paga por ele o valor que for exigido, sem discussão. Não há racionalização. A relação com o colecionismo é puramente emocional. A Mari Nigri, dona do restaurante Quatrino, em São Paulo, é obcecada por bolsas Louis Vuitton. Ela tem todas, não importa o modelo nem o estilo. Ela tem que ter todas".

E Marta conta mais: "Sei a história de cada frasco da minha coleção, a época em que ele foi feito. Me aprofundo mesmo. Tenho vários livros que pesquiso sempre e até livros sobre colecionadores. Entre meus preferidos, estão miniaturas do Shocking da Schiaparelli, todos de Chanel e de Jean Patou, que são raros, além de todos da marca Fragonat, da cidade francesa de Grasse, tradicionalíssima em perfumes".

Sua coleção começou com uma caixa de cinco fragrâncias do perfume "Maxim's". A última aquisição foi "Woman", de Versace. Da colega Andréa Ciaffone, Marta ganhou recentemente uma nova versão de uma linha especial da artista francesa Niki de Saint Phalle. E finaliza: "Quando comecei a coleção, era difícil conseguir bons perfumes. Com a liberação da importação, ficou mais fácil achar miniaturas realmente valiosas. Além disso, muita gente sabe que eu coleciono, então sempre ganho novos frascos".

MERGULHO CULTURAL

Relógios, moedas, facas, modelismo, embalagens de cigarros, canivetes, cartazes antigos, cartões, selos, bonecas, carros, bolsas, revistas,... tudo pode ser colecionado. Basta existir interesse e paixão pelo objeto. E a jornalista Cynthia se aprofunda ainda mais no assunto: "O colecionismo é um dado de refinamento, individualidade e também traz à tona a questão da obsessão. Está associado a valores que não têm nada a ver com preço, por isso tem tudo a ver com o Luxo. O colecionador 'viaja' no valor agregado. Mais importante do que o dinheiro gasto, é que há valores históricos e de tradição. Não interessa se a marca ou o objeto cultuado tem seis ou 350 anos".

E ela acrescenta: "Além de ser chic, elegante e estiloso, dependendo da maneira como o colecionismo é exercido, incentiva o envolvimento cultural porque você aprofunda seu conhecimento num determinado tema. Trata-se, portanto, de um estímulo cultural bastante interessante, levando ao conhecimento profundo do objeto admirado". Quem coleciona torna-se, naturalmente, um especialista.

A propósito, Cynthia Garcia, responsável por esta minha paixão pelo tema, coleciona objetos diversos com a bandeira brasileira.

Eu não coleciono nada. Por enquanto...

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