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Museu Louis Vuitton, um marco na união da arte e luxo

Por Ana Julia Prieto

Uma estrutura de ferro e vidro sob as árvores do Jardin d’Acclimation, a noroeste do parque Bois de Bologne, em Paris, promete ser a partir de 2009 o marco da união dos universos do luxo e da arte. Anunciada pessoalmente pelo magnata francês Bernard Arnault, presidente do grupo LVMH Louis Vuitton Moët Hennessy, o museu que abrigará a Fundação Louis Vuitton para a Criação será projetado pelo arquiteto canadense Frank Gehry e envolverá o investimento de US$ 127 milhões.

Composto por um conjunto de figuras geométricas que fazem lembrar cubos esculpidos em vidro, o edifício de 40 metros de altura e 150 metros de comprimento – num total de 6.000 m2 -, deverá lembrar uma estufa "transparente, lúdica, séria, mágica e efêmera", que permitirá a interação entre as exposições e o verde do parque. “Estou honrado em poder cuidar desse projeto que dará uma expressão concreta a anos de apoio da LV à arte”, disse Gehry, lembrando das inúmeras parcerias da marca com estilistas e artistas plásticos, tais como Ugo Rondinone, Takashi Murakami e Marc Jacobs. “Esse museu será ainda um símbolo da devoção francesa pela cultura”, disse o arquiteto, que ficou conhecido mundialmente pela moderna estrutura do Museu Guggenheim de Bilbao, feito em 1998, e do Walt Disney Concert Hall de Los Angeles, construído em 2003.

Além dos arquivos de todas as marcas do grupo de luxo LVHM, o museu abrigará um café, uma livraria, fóruns de debate entre a comunidade e músicos, cientistas e artistas, além de salões para grandes exposições, que terão a supervisão de Suzanne Page, atual diretora do Museu de Arte Moderna de Paris, que já está de mudança para a Fundação. Nos últimos 15 anos, o grupo promoveu 26 exposições, produções teatrais e projetos culturais, tais como a mostra sobre Yeves Klein, no Centro George Pompidou, a peça Poetry, no teatro Odéon, e o estímulo da formação de jovens criadores através do prêmio LVMH.

reprodução
Maquete do Museu

Segundo Arnault, o objetivo da Fundação é centralizar o patrocínio das artes em um local facilmente identificável, que possa servir como ponte entre o clássico e o moderno, a herança cultural e a inovação, a arte e o artesanato. “Nosso sucesso foi construído a partir de novas idéias, modernidade e inovações técnicas, unidas ao conhecimento ancestral e à tradição. Agora queremos ter um lugar que promova o diálogo, o debate e a reflexão desses pontos entre artistas, intelectuais e o público em geral”, afirmou o magnata. “Vamos criar uma ponte excepcional entre arte e cultura, com o desafio de emocionar e desafiar”, completou.

“Esperamos encorajar a expressão criativa nas mais diferentes formas. O público será convidado a viajar ao centro da criação e queremos que o maior número possível de visitantes se identifique com isso, porque a criação atravessa fronteiras e abre mentes”, disse Yves Carcelle, presidente da Louis Vuitton, que tem como foco principal o público mais jovem.

A iniciativa de construir um museu para marcar a união do mundo do luxo à arte não é propriamente nova. No início de 2006, François Pinault, presidente do grupo PPR - Gucci, também anunciou planos semelhantes. Construiria um museu em uma ilha do Rio Senna, no coração de Paris, para abrigar sua coleção de arte moderna. Entretanto a iniciativa foi bloqueada pela administração pública da cidade. O mesmo não deverá acontecer desta vez, já que até mesmo o prefeito de Paris, Bernard Delanoe, afirmou no dia do lançamento do projeto que tal obra será um “enorme presente a Paris e à imagem da França no mundo”. A construção do museu, que segundo o ministro da Cultura francês, Renaud Donnedieu de Vabres, terá tratamento fiscal favorável, deverá ter início ainda em 2007.

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