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O discreto charme da Santa Maria Novella
Marca de perfumes de 1612 chega a São Paulo

Por Ana Juliana Prieto

Ela chegou quietinha. Sem festas com celebridades, sem convites pomposos ou anúncios em revistas. Afinal, não é esse o estilo da marca criada em 1612, e que ainda hoje possui pouco mais de 20 lojas em todo o mundo. Tanta discrição acaba sendo justamente o ponto mais forte da marca de perfumes Santa Maria Novella, que abriu sua primeira loja em São Paulo no fim de 2006

Fundada em Florença, na Itália, por monges beneditinos, a Officina Profumo-Farmaceutica di Santa Maria Novella, trouxe para um cantinho da rua da Consolação, no bairro dos Jardins, um pouco de sua sede localizada até hoje num anexo do próprio mosteiro próximo à famosa praça que lhe dá nome. Além dos produtos, alguns ainda feitos com base na fórmula original do século XVII, vieram também a inspiração para o piso em branco e preto e os armários de madeira, que lembram uma antiga botica.

“Levamos mais de dois anos para abrir a primeira loja no Brasil, apesar de ter sido imediata a empatia com os atuais proprietários da marca, na Itália”, afirma Rodrigo Ortiz, responsável pela vinda da marca ao Brasil. “Nesse período, analisamos bem o mercado, o conceito da loja, iniciamos o treinamento dos funcionários, o planejamento de comunicação – já que a marca não costuma fazer propaganda - e a operacionalização da importação e registro dos cosméticos na Anvisa”, completa ele, que não acredita que o Brasil comporte mais de três lojas, que deverão ser implantadas em dois anos.

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Sob a administração da família Stefani desde o século 19, quando os monges abriram mão do negócio para se focar na vida eclesiástica, a marca vem crescendo aos poucos. Há pouco mais de 10 anos, o engenheiro Eugenio Alphandery passou a integrar a sociedade, e introduziu uma gestão altamente profissional ao patrimônio fiorentino. Começava assim o processo de internacionalização restrita da marca, por meio de lojas monomarcas instaladas em locais cuidadosamente selecionados, para que cada produto continue sendo um objeto de desejo em todo o mundo. "Não acreditamos que a marca terá mais de 30 pontos próprios em todo o mundo. O mercado de cosméticos de luxo é bastante restrito e a produção da Santa Maria Novella, além de controlada, é também muito limitada", afirma o representante da grife no País.

Carro-chefe da marca, a Acqua di Colonia di Santa Maria Novella, utiliza a fórmula da Acqua della Regina, desenvolvida originalmente no século XVI para atender Caterina di´ Médici, quando foi coroada rainha da França em 1547. Mas a linha de produtos artesanais e com produção limitada não pára nos perfumes, que custam em média R$ 352,00. Hoje também é possível encontrar cremes, sabonetes, loções e tratamento para cabelos e uma linha para a casa, com velas aromatizadas, pot-pourris, perfumes de ambiente e cerâmica italiana artesanal,num total de 130 produtos em oferta. Pouco menos de 50% do arsenal existente em todo o catálogo. "No futuro, também pretendemos comercializar uma linha de licores, tal como o Alkermes di Firenze, além de produtos fitoterápicos", garante Ortiz.

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Antes de a parceria ser assinada, a marca dificilmente era vista em território nacional. Apenas aqueles que já conheciam sua fama graças a Catherine Deneuve, Antony Hopkins, Hillary Clinton e Caroline de Mônaco, fãs declarados da marca, e tinham a oportunidade de trazer da Itália seu pequeno estoque podiam se gabar de ter um frasco de tais produtos em casa. Mas ainda que o mercado seja restrito, Ortiz não se assusta. "Os produtos SMN são claramente destinados a um determinado nicho de consumidores exigentes, que não se incomodam em gastar um pouco mais, desde que o produto tenha qualidade superior. E esse nicho tem crescido bastante no Brasil nos últimos 15 anos. Enquanto tivermos produtos exclusivos que utilizem as melhores matérias-primas, sempre agradaremos a essa parcela de consumidores", avalia.

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