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Fumaça em desenvolvimento

Ainda que sofrendo com o contrabando e sérias restrições alfandegárias, o mercado de charutos não pára de crescer

Por Juliana Bianchi

O crescimento do mercado de gastronomia vem estimulando não só o refinamento do setor alimentício, como o desenvolvimento de toda a cadeia de prazeres que a cerca, caso do vinho e do charuto. Não e à toa que nos últimos cinco anos, a indústria do tabaco nacional vem apresentando incremento de pelo menos 10% ao ano em suas vendas, mesmo sem qualquer tipo de publicidade. Dado estimulado ainda pela recente introdução de sementes cubanas na plantação da empresa baiana Menendez & Amerino, criada em 1977, responsáveis pela fabricação das marcas Dona Flor, Alonso Menendez e Aquarius Século XXI, elevando ainda mais a qualidade dos charutos produzidos em solo nacional.

Estimado em cerca de 3 milhões de charutos ao ano, o mercado consumidor brasileiro é composto em sua maioria (70%) por produtos nacionais ou contrabandeados de Cuba. Apenas 30% do que chega da ilha de Fidel Castro vem legalizado pelas mãos da Puro Cigar, única representante da estatal Habanos S.A, responsável pelo controle da produção e comercialização de todo charuto cubano, no Brasil. "Apesar de termos canais sérios de distribuição legal desses produtos, a nossa carga tributaria ainda é muito alta e desestimula a regulamentação do mercado", explica o especialista Rodrigo Gorga, da tabacaria Lenat.

Mas, ainda que o país já apresente uma forte movimentação nesse setor, estamos à milhas de distância dos países que figuram no topo dos maiores consumidores do mundo, onde figuram Espanha, França, Inglaterra e Alemanha. "Em cada dez espanhóis, de seis a sete fumam charuto regularmente. No Brasil essa proporção cai para 0,5. Mal dá pra comparar", afirma César Adames, um dos maiores especialistas brasileiros na área.

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Com números díspares, a produção mundial do produto gira atualmente em torno dos 14 bilhões, sendo apenas 500 milhões considerados charutos premium, isto é, feitos a mão, um a um, com folhas selecionadas, seja em Cuba, no Brasil, República Dominicana ou Honduras. Nestes últimos, grande parte da produção hoje pertence a empresas holandesas, suíças e alemãs, que levam as folhas de fumo para a Europa para processá-las industrialmente. Já em Cuba, a produção total é estimada em 200 milhões de charutos ao ano, o que movimenta cerca de US$ 300 milhões e emprega 220 mil pessoas. Um mercado que pode sofrer grandes mudanças assim que caírem por terra as barreiras alfandegárias estipuladas pelos Estados Unidos, país que também disputa a liderança de consumo, mas que hoje só consome legalmente a produção vinda principalmente de Honduras e República Dominicana.

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Para tentar minimizar os efeitos econômicos do choque que será a retomada das fábricas antes de propriedade de americanos no momento em que terminar o embargo comercial, a Habanos S.A - que em 2000 vendeu 50% de suas ações para a espanhola Altadis, hoje a maior companhia de charutos do mundo e a quarta maior companhia tabacalera mundial - correu em abrir outras 30 fábricas de charuto pela ilha e criar novas marcas que pudessem ser comercializadas nos 110 países que pertencem a rede oficial de distribuidores. Em alguns casos, pensando em concorrer também na categoria dos charutos mecanizados, isto é, de valor ainda menor que os R$ 10 a R$ 15 \cobrados hoje por um puro feito a mão. Caso do Guantanamera e até mesmo de algumas séries do Romeo Y Julieta.

Mas se hoje, mais do que nunca, volume interessa a Cuba, eles sabem que é preciso se esforçar para não perder nunca de vista a aura de glamour e o padrão de qualidade atingido durante varias décadas para não se tornar mais um no mercado. Surge aí a necessidade de lançar com regularidade novas séries especiais e edições limitadas, como novos formatos, bitolas e tamanhos. Segmento que hoje representa menos de 10% do volume total de vendas.

No Brasil, a produção tem girado em torno de 3 milhões de unidades ao ano, quase 80% produzida pela Menendez & Amerino, em sua fábrica na região de São Gonçalo dos Campos, a 120 km de Salvador. A qualidade alcançada pela empresa é tanta que países como Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Portugal e Emirados Árabes já figuram entre os principais consumidores dos produtos da empresa.

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Aquarius - Século XXI, produzido pela Menendez & Amerino

Segundo Adames, não e possível comparar os charutos nacionais aos cubanos assim como não se pode fazer entre os espumantes produzidos na serra gaúcha e os autênticos champanhes. "Não é questão de qualidade, mas de produto mesmo. Ainda que se use a mesma planta, o micro-clima a tornará uma folha diferente, que gerará um charuto igualmente distinto." E como dizem os especialistas, é preciso experimentar todas as possibilidades para descobrir qual mais agrada ao paladar. Este sim será o melhor charuto.

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