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O luxo da confortável solidão à beira mar
Por Juliana Bianchi
Privacidade, contato com a natureza e tranqüilidade. Se essas são as premissas do novo luxo, não há dúvida de que o novo hotel instalado no município de Una, entre Ilhéus e Comandatuba, na Bahia, é um verdadeiro seis estrelas de puro charme. No hotel Fazenda da Lagoa não há luz elétrica fora dos quartos e da sede principal, para facilitar o contato entre céu e terra em noite de lua cheia, o trabalho de paisagismo na verdade é um esforço de reflorestamento para trazer de volta toda a vegetação original, como se o homem nunca houvesse pisado ali antes, e as estradas nada mais são do que picadas de mato que ainda conservam as erosões naturais do tempo. Nada de asfalto, paralelepípedo ou pedriscos para facilitar. A idéia é mergulhar na natureza e dela se fartar.
A aventura começa logo ao sair do aeroporto, quando depois de entrar na mata fechada, contornar a lagoa que dá nome ao local e cruzar o mangue, é preciso pegar uma balsa para atravessar o rio que circunda o hotel e desemboca no mar, deixando o terreno como que ilhado entre rio e mar. Nesse pequeno pedaço de paraíso, onde antes funcionava uma fazenda de coco, foram instalados 14 bangalôs de 140 m2 (diárias de R$ 650 a R$ 850), cuidadosamente desenhados pela arquiteta Lia Siqueira e decorados pela artista plástica carioca Mucki Skowronski - sócia do local juntamente com seu marido, o empresário Arthur Bahia, ex-dono da editora Nova Fronteira, e o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.
"Cada tecido que usamos foi pintado a mão no meu ateliê. Com exceção do tecido de algodão Indonésia que serve de mosqueteiro para as camas king size, todo o restante da decoração foi garimpado nos quatro cantos do Brasil", explica Mucki, que valeu-se de peças da Oficina de Agosto e antiquários de Minas Gerais para compor com lustres de cristal e esculturas de madeira o clima elegante-despojado do local.
Nos quartos, portas móveis com venezianas de cima a baixo fazem as vezes de paredes para não desperdiçar a brisa e o sol do sul da Bahia. Um deck de madeira anexo, totalmente cercado por folhas de sapé, permite ao hóspede tomar banho - com direito a água quente - num chuveiro gigante, enquanto olha o movimento do mar. E uma rede estendida na varanda convida a uma soneca ao som das ondas.
Quem vai ali procurando movimento, escolheu o lugar errado. É possível passar o dia inteiro na piscina instalada praticamente na areia da praia - e olha que estamos falando de um sol que nasce à 4h30 e se põe só às 6h30 - sem ver qualquer ser humano cruzar o seu caminho. Nos 7 quilômetros de praia deserta pertencentes ao empreendimento não há viva alma morando, e pra ajudar, o deságüe do rio é grande o suficiente para impedir a passagem de visitantes durante a maré cheia, isto é, boa parte do dia. "É exatamente isso o que tenho para oferecer aqui, essa tranqüilidade e a certeza de que aqui ninguém vai nos incomodar", diz Mucki, que fez questão de instalar uma biblioteca de quase 2 mil livros (há obras em inglês, árabe, russo, alemão, francês e espanhol), para ajuda a entreter os hóspedes mais ansiosos.
Já os mais contemplativos dificilmente se cansarão de ficar por ali por longos períodos. Quando os diferentes cenários de cada amanhecer ou anoitecer transbordar o olhar, é possível valer-se de uma das confortáveis espreguiçadeiras ou sofás para reparar nos detalhes de decoração pensados por Mucki, que fazem muita diferença no todo. Sejam os uniformes desenhados por Lenny Niemeyer, o paisagismo selvagem de Eduardo Lins, que recriou a vegetação de restinga original do lugar onde antes entravam tratores e adubos químicos, o brilho das lantejoulas bordadas em painéis decorativos atrás das camas, o lustre de contas de cristal que levou seis meses para ficar pronto, no tronco de árvore que virou pia, as bacias de pedra que convidam todos a deixar a areia dos pés na água fresca antes de entrar em casa, as lanternas de vela que servem de guia na escuridão da noite sem iluminação elétrica ou os enormes tapetes de palha que amaciam o caminho.
Para quem faz questão de se movimentar, o hotel oferece passeios de barco rio acima, piqueniques à beira da lagoa de 35 hectares de água cristalina com direito a um mergulho, pedaladas na areia, traslados até Comandatuba para uma partida de golfe e um extenso cardápio de massagens sob a sombra do cajueiro. E como nada disso teria sentido sem uma boa mesa, o chef francês Marc Le Dantec foi contratado para elaborar o cardápio afrancesado executado pelo chef Caubi Nascimento, - ambos discípulos de Laurent Suaudeau.
Lugar para ir e não querer mais voltar para casa.
Fazenda da Lagoa
Rodovia BA 001, Uma - Ilhéus, Km 18
Tel: (73) 3236-6028/ 6137
www.fazendadalagoa.com.br
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