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Unicórnio pró-ativo

As estratégias que fizeram o hotel Le Bristol de Paris aumentar sua clientela brasileira em 30% neste ano.

Por Andréa Ciaffone

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Fachada do Hotel Le Bristol, na Rua
Faubourg Saint Honoré, em Paris - França

Símbolos de pureza e honestidade, os unicórnios sempre trazem uma mensagem positiva. Só que é preciso reconhecer que um unicórnio sentado tranqüilamente transmite uma mensagem muito diferente da de um unicórnio empinado altivamente nas suas patas traseiras. A mudança no nível de energia entre um e outro é tão clara que não é preciso nenhum especialista em simbologia formado em Harvard para decifrá-lo.

"O novo brasão, criado pela Storie's, a mesma agência de imagem da Louis Vuitton, traz os unicórnios em uma atitude pró-ativa que combina muito melhor com o estilo de marketing que estamos desenvolvendo no hotel de Le Bristol Paris hoje", afirma seu diretor de vendas, Dominic Laudet. Quem adota um brasão para representar sua existência certamente tem em vista a longevidade. Afinal, a função intrínseca destes ancestrais das marcas é mostrar suas características e indicar a perenidade do que representam. Assim, quando alguém resolve mudar seu próprio brasão, é preciso prestar atenção porque isso geralmente assinala um profundo processo de mudança. Foi precisamente o que ocorreu com o Hotel Le Bristol de Paris.

"Até junho deste ano utilizávamos o brasão do conde de Bristol, na Inglaterra, um famoso viajante do século XIX que os fundadores do hotel quiseram homenagear", conta Laudet. "Entretanto, durante nosso processo de repensar a identidade visual do hotel em busca de diferenciação em relação à concorrência, vimos que era preciso mudar vários elementos, incluindo o brasão", completa.

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O novo brasão, com os unicórnios empinados

A mudança de brasão -- atitude inédita na alta hotelaria européia -- é o ápice de um processo de mudança na gestão de marketing do Le Bristol, um dos cinco hotéis de maior prestígio da capital francesa, que já gera efeitos sensíveis nos mercados internacionais. "Entre janeiro e outubro de 2004 tivemos um aumento de 30% no número de noites vendidas a hóspedes brasileiros", comemora Laudet.

Segundo o executivo, historicamente a venda de noites para brasileiros girava em torno de 700 por ano. "Acredito que fecharemos 2004 com 1 mil noites vendidas", prevê o executivo, que atribui o crescimento neste ano à combinação do resultado de investimento em ações de relações públicas que vem sendo realizadas no Brasil à criação de uma tarifa fixa anual em dólares (US$ 630 por noite), o que facilita o trabalho dos agentes de viagem. Para o Japão, o hotel vende 2 mil noites por ano.

Em 2005, o processo deve continuar. "Acredito que teremos um crescimento de pelo menos 20% ano que vem", afirma Laudet.

Em 2005, quando será celebrado o "Ano do Brasil na França", o Le Bristol deverá aumentar sua identificação com o público brasileiro por meio de uma série de ações e parcerias. Dona de um corner no hotel há cerca de um ano, a designer Carla Amorim criou uma série especial de bijuterias feitas com pedras brasileiras que serão oferecidas aos hóspedes. Além disso, o hotel já mandou produzir as Havaianas Le Bristol que serão brindes aos hóspedes e já fez um considerável estoque de cachaça para servir caipirinhas no seu bar durante a "saison brésilienne".

Além de adotar um verde brilhante, mudar o brasão e recuperar a tipologia utilizada nos anos 20, em sua estratégia Le Bristol enfatiza sua ligação histórica com o mundo da moda, que é reforçada por sua localização -- do 115 do Faubourg Saint Honoré -- e explorada em eventos promovidos pelo hotel como os Samedis de la Mode. Nessas funções semanais, são realizados desfiles das griffes de maior prestígio no Salon de Thé que terminam com uma conversa sobre as principais tendências de moda com as gerentes da grifes que apresentou os highlights da sua mais recente coleção.

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Cenas do jardim do Hotel
Le Bristol Paris

Outro diferencial que o hotel sempre destaca é o fato de ser uma propriedade única dotada de um jardim de dimensões raras nas áreas nobres de Paris e que passou a ser representado no brasão.

Outra característica importante: o Le Bristol não pertence à uma rede hoteleira e sim à família Oetker (aquela mesma da gelatina, a das misturas para bolo) e tem suas reservas comercializadas pela The Leading Hotels of the World. "Madame Oetker decora pessoalmente os apartamentos, todos diferentes uns dos outros, com dois conjuntos de tecidos de decoração, um para os meses de inverno outro para os de verão", revela Laudet. Na verdade, a pureza e a honestidade de um hotel que ainda é supervisionado pessoalmente por sua proprietária, situação cada vez mais rara na hotelaria do século XXI, combina perfeitamente com a imagem mitológica do unicórnio.

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