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Luxo no Brasil?
Por Luciana Stein
Você já deve ter notado. Nos últimos tempos várias revistas sobre Luxo foram lançadas no país e muitas matérias têm sido feitas pelos veículos tradicionais para tratar do tema. Curiosamente, se discute muito recessão, recuperação econômica assim como se fala de Luxo. Por que tratar do viver sofisticado num país pobre e que não tem tradição formal no assunto? Em primeiro lugar, é preciso dizer que tradição é algo que se cria e que o Luxo não é monopólio de determinadas civilizações ou países. Um dos mais importantes filósofos da contemporaneidade, o francês Gilles Lipovetsky ensina que, desde o Paleolítico, em épocas de nenhum esplendor material, os homens cultivavam algum tipo de luxo seja ele o gosto pelos adornos, pelas tatuagens, pelas festas. Vivemos todos cercados de maiores ou menores luxos.
Luxo é a "excelência no fazer", no acabamento e na entrega de um produto ou de um serviço. Você poderá reconhecer muitos exemplos de Luxo no lugar onde você vive. Pense num doce caseiro feito com os ingredientes mais puros ou no frescor de uma toalha branca bordada sobre uma mesa. Para ver o Luxo como negócio, é importante sensibilizar o olhar para os pequenos Luxos - senão é provável que você não saberá apreciar mimos mais caros.
Esse exercício de pensar (e agir) sobre os pequenos e os grandes Luxos - o Luxo como comportamento e o Luxo como empreendimento comercial - é que se proprõe a Fundação Alvares Penteado - FAAP. Ao criar o MBA em Gestão de Luxo no início deste ano, o primeiro da América Latina, a instituição quer formar pessoas para servir o segmento e prepara outras iniciativas. Além desse site que trará informações sobre o segmento de Luxo no mundo e no Brasil, uma revista e um centro de documentação do Luxo já estão em andamento.
Sabemos hoje que o consumo de luxo movimenta aproximadamente 2 bilhões de dólares no país - ou seja há um grande potencial de crescimento do setor. Estamos num momento de consolidação do segmento, novas grifes internacionais devem desembarcar por aqui e outras se expandem no mercado brasileiro para fora do Sudeste. Quais são as características do segmento premium no Brasil? Quais seus potenciais consumidores? Quem vende luxo? Essas são questões que o site, a revista e o centro de documentação da FAAP pretendem responder. E com as indagações, estão as oportunidades. No dia 2 de agosto, o Brasil foi capa da revista americana "Newsweek" com o título "Samba Chic". Pergunta-se: como transformar nosso ritmo e nossa maneira de ver o mundo em produtos - quem dera de luxo? Não seria um momento para pensarmos qual a nossa contribuição ao mundo dos artigos premium?
É preciso dizer também que o estudo do luxo de uma maneira geral ajuda a pensar outros segmentos do consumo. O luxo ensina lições importantes sobre a criação do desejo - motor da nossa sociedade. O luxo não é pautado pela necessidade básica, mas sim pela noção de prazer. O luxo inaugura a sua própria demanda e é muito hábil em transformar o que antes era considerado sonho numa necessidade. No estágio de consumo em que estamos, onde a qualidade não é mais um diferencial do produto, mas um traço inerente dele, se compete pelo apelo mais original, pela emoção que se desperta nos consumidores - e o luxo é o mestre em seduzir até mesmo quem dizia não precisar dele.

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