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O Luxo contra a banalização

Em meio ao mercado de cópias, a sofisticação é a saída. Essa é a proposta da Première Vision 2005/2006, a mais importante feira de tecidos do mundo, que terminou no dia 24 de setembro.

Por Luciana Stein, de Paris

O investimento no Luxo é uma das principais armas que a Première Vision 2005/2006, a mais importante feira de tecidos do mundo, que terminou no dia 24 de setembro, em Paris, sugere aos seus 33.176 visitantes.

"Fazer a diferença. Cada vez mais a feira deve afirmar sua inventividade e sua inovação", diz Daniel Faure, presidente do evento. Tão importante quanto sapatos confortáveis para visitar a feira - esqueça os saltos altos - , é necessária a capacidade de ler nas entrelinhas as sutilezas do grande evento. A afirmação de Faure seria trivial se não se soubesse que a Première Vision enfrenta o mercado das cópias têxteis vindas da Ásia assim como a emergência de outras feiras.

Existente há 37 anos, a Première deste ano reuniu 723 expositores da Europa, Américas e Ásia - entre eles, três brasileiros: Santana, Santista (ambos de índigo) e Paramount (lãs), e foi consagrada pela sua criatividade. É considerada a passarela da alta costura têxtil, local onde as idéias são primeiramente apresentadas, enquanto outras feiras, que surgiram mais tarde - como a Texworld, que se realiza no mesmo período em outro lado de Paris - , são vistas por alguns como um tipo de lojas de departamentos, uma feira de volume de vendas, não de novidades.

A Première Vision foi criada numa época em que os tecidos asiáticos e a guerra de preços imposta por eles eram uma abstração. Daí a sugestão de monsieur Faure: para combater a banalização do mercado (e das cópias), para vencer a batalha de preços criada pelas indústrias chinesas, o Luxo, as tramas ricas, os bordados, muita pesquisa e alguma experimentação. O Luxo pode tirar o foco da guerra de preços chamando atenção para o que é esteticamente deslumbrante e acima de tudo, exclusivo. O Luxo está nos devorês, nas rendas incrustadas com cristais e tecidos com mais brilhos (tanto para homens quanto para mulheres) apresentados na feira este ano. Havia uma certa opulência no ar e até os tecidos que tinham uma aparência básica revelavam tramas complexas quando vistos mais de perto.

Cerca de 50% dos expositores da Première Vision são italianos. Entre eles, um dos mais poderosos é um senhor de cabelos grisalhos e pele morena, Moritz Mantero, pertencente a uma tradicional família italiana da cidade de Como e dono da Mantero Seta Spa, uma das maiores empresas de tecido de Luxo do mundo - fabricante de sedas de gravatas para a Ferragamo e lenços para a Gucci.

Mantero sugere uma reorganização da distribuição de seus luxuosos produtos primando pela qualidade desses distribuidores e não pela quantidade. Alguns de seus tecidos eram a síntese do Luxo da nossa época: sobre a seda, desenhos à mão livre faziam referência a tribos africanas.

Outra forma que o Luxo têxtil toma na contemporaneidade são os tecidos utilitários e funcionais. Estes, exercem funções como a resistência à gordura, à água e com proteção contra bactérias (como é o caso do índigo da Santista). Tecidos com performance são normalmente relacionados a prática de esportes, mas hoje nota-se que roupas de outros setores também querem se beneficiar dessas propriedades. Assim, o Luxo também está em tecidos que já existiam antes, mas que só agora, com o investimento de alta tecnologia, ganharam acabamento de qualidade, como o dupla face e tecidos sem costura.

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