Um palácio reformado em 1909 acaba de completar 100 anos. Com uma história digna de contos de fadas, e repleta de hóspedes ilustres – como o imperador Hiro Hito, o Rei George V da Inglaterra, o Rei Juan Carlos da Espanha, os presidentes americanos Herbert Hoover, Théodore Roosevelt e Richard Nixon, além de Madonna, Zinedine Zidane e tantas outras estrelas – o luxuoso Hôtel de Crillon, em Paris, faz aniversário esse ano. Mas as comemorações estão suspensas. Isso porque desde o dia 17 de junho o boato de que a Starwood Capital (a firma de investimentos americana fundada em 1991 e detentora do hotel desde 2005) estaria colocando à venda o hotel-palácio. Quem realizaria a venda seria a companhia especialista em grandes negócios imobiliários americana Eastdil Secured – que teve faturamento de US$ 194,5 bilhões entre vendas de imóveis, Joint Ventures, e Private Equity durante 2008. “Não estamos comentando o assunto”, disse ao Gestão do Luxo Tuikura Roche, do departamento de comunicação do Hôtel de Crillon.
Embora o hotel desconverse, sites especializados garantem que o boato ganha forças e que a Eastdil Secured espera uma transação no valor de US$ 420 milhões. Há quem diga ainda que um grupo de investimento saudita teria a prioridade nas negociações, mas aí seria só especulação. Como também não passa de uma suposição o fato de o Starwood Capital não estar de fato querendo vender o hotel, mas sim especulando quanto ele valeria no mercado de imóveis hoje em dia – em uma época, não custa lembrar, longe de ser a melhor para quem atua na área, visto que os imóveis estão relativamente desvalorizados. Resta esperar os próximos capítulos desta novela.
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De certeza, resta o fato de o Crillon ser um dos hotéis mais finos do mundo, enquadrado numa categoria que fica acima dos 5 estrelas, a dos hotéis-palácio. Para compreender isto a fundo, basta saber que suas visitas ilustres fizeram dele cenário para momentos históricos, que sua localização – diante da Praça da Concórdia e ao lado da elegante rua Faubourg St Honoré – faz dele ainda mais charmoso e que suas instalações – bar e cave freqüentados pela nata parisiense e o prestigioso restaurante Les Ambassadeurs, premiado com duas estrelas do guia Michelin – são um convite ao deleite. Seus 103 quartos – cujas diárias começam em 770 euros – e suas 39 suítes, além das 5 suítes prestígio, são carregados de história. Isso porque, embora o Crillon tenha se transformado em hotel 1909, sua percurso começou a ser traçado muito antes.
Em 1758, mais precisamente. Foi neste ano que, o Rei Luis XV teria encomendado ao maior arquiteto de sua época, Jacques-Ange Gabriel, a edificação de duas fachadas na praça da Concórdia. Por trás delas, uma suntuosa residência particular nasceria e seria decorada pelos melhores artistas e artesãos da época. Anos mais tarde, em 1788, ela se torna moradia do Conde de Crillon e de sua esposa, que mantêm a residência na família até 1907, quando a Sociedade das Grandes Lojas e dos Hotéis do Louvre cria ali o primeiro grand palace de luxo de Paris. O arquiteto Destailleur recebe a missão de reformar o local, conservando a riqueza histórica da decoração e em 12 de março de 1909, com a reforma concluída, o Hôtel de Crillon abre suas portas aos primeiros hóspedes. |