Inovação e tradição

Esse é o lema da marca relojoeira suíça Badollet que renasceu das cinzas em 2006

MERCADO | Jóias e Relógios
Por Estela Marchesini

A grife suíça Badollet é tão refinada que não produz relógios, mas sim instrumentos do tempo. A diferença pode ser entendida facilmente: a palavra “instrumento” remete às idéias de tecnicidade e funcionalidade e é exatamente isso que buscava a nobre família que começou a fabricar esses marcadores do tempo em 1655. A dinastia Badollet nasceu na França e se mudou para Genebra, na Suíça, no século XV. Desde que entrou no universo desse artesanato que requer conhecimento específico e uma habilidade sem igual, a família passou os segredos de pai para filho - e de tio para sobrinho - durante sete gerações, chegando a envolver 25 membros do clã na arte de fazer relógios.

No início dos anos 1920, a crise que sucedeu a Primeira Guerra Mundial ainda assolava a Europa e isso coincidiu com uma certa geração dos Badollet que não demonstrava interesse pelos negócios. Para dar continuidade à marca, herdeira de uma rica história, ela foi vendida em 1924 e teve sua produção interrompida em 1946. Cerca de 60 anos depois, como uma fênix, a grife ressurge das cinzas graças ao empreendedorismo de um grupo de investidores aliado a uma dose de saudosismo de um membro da família.

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Recomeço em alto estilo
Entenda-se: em 2006 - momento em que a relojoaria suíça vivia como nunca uma fase de prestígio mundial - um grupo de investidores incumbiu o empresário suíço Sandro Arabian de ressuscitar a grife. Sandro aceitaria a missão, mas pediria ajuda a seu amigo de longa data Aldo Magada, que se encarregou das estratégias necessárias e tornou-se CEO da grife. O auxílio também veio do último descendente da família, Pascal Badollet, que reconstituiu os arquivos da história do clã e reavivou a herança secular, tão importante para uma marca de luxo. “A filosofia Badollet está intimamente ligada à noção de luxo e de savoir-faire e à perpetuação da tradição relojoeira”, diz o site oficial. Todas as etapas e peças envolvidas na produção dos relógios são desenvolvidas à mão por mestres artesãos com anos de experiência, os únicos capazes de realizar esses trabalhos de alta complexidade.

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Após todo o processo de recomeço, as primeiras coleções da Badollet foram desenvolvidas em 2007 e 80 exemplares dessas obras de arte do tempo devem chegar aos Estados Unidos neste ano, sendo que todos podem ser customizados de acordo com as preferências do cliente. “Nosso público-alvo será, a princípio, o de colecionadores, por isso uma excelente performance técnica é fundamental. Investimos mais de US$ 10 milhões para isso”, disse Sandro Arabian à revista suíça especializada em relógios PME.

Além da preocupação em manter o savoir-faire que consagrou a grife secular, os atuais administradores apostam nas novas tecnologias para revisitar o espírito neo-clássico que a caracteriza com os conhecimentos disponíveis no século XXI. Além disso, o serviço personalizado é a principal meta de Magada. “O objeto de luxo é um conceito vazio se não vem acompanhado de um serviço perfeitamente aplicado”, afirmou à revista GMT. Grande parte desses dois anos que antecederam a nova entrada no mercado foi dedicada ao preparo da equipe, treinada para conversar com os clientes, esclarecer suas dúvidas e resolver seus problemas antes, durante e depois do processo de compra. “Queremos retornar a uma noção de luxo como experiência personalizada e íntima. Quando um consumidor entra em uma loja para comprar um relógio que vale mais de US$ 200.000, ele espera um certo nível de atendimento”, completa. E os valores não param por aí: eles podem chegar a US$ 350.000, caso do Observatoire 1872 Minute Repeater, à venda nos Estados Unidos.
Mais informações em www.badollet.com

 
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