O Instituto Cultural Inhotim, localizado em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte em meio a uma área ambiental de 8.000m², é um lugar único. Idealizado pelo empresário Bernardo Paz, o instituto, cercado de Mata Atlântica e Cerrado, possui um paisagismo cuja concepção remonta aos anos 1980 e teve a colaboração do mestre paisagista brasileiro Roberto Burle Marx (1909-1994).
Aos poucos a propriedade particular foi se modificando e transformou-se num espaço cultural com as primeiras construções para receber obras de arte. O acervo botânico também começou a tomar forma com as coleções de espécies vindas de todo o Brasil.
Desde então esse projeto cresceu e se modificou até a fundação do Instituto em 2002. O Instituto Cultura é uma instituição sem fins lucrativos, que tem como objetivo a exposição e produção de trabalhos de Arte Contemporânea em meio à preservação de um acervo de 2.100 espécies botânicas, nativas e tropicais. Conta ainda com iniciativas nas áreas de pesquisa e educação visando a produção de conhecimento através da Arte, Botânica e preservação do meio ambiente.
O espaço possui um acervo de aproximadamente 350 obras de arte contemporânea produzidas desde os anos 1960. Pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, vídeos de renomados artistas nacionais e estrangeiros estão dispostas em uma seqüência não linear de nove pavilhões que se espalham por todo o parque botânico. Isso possibilita ao visitante admirar as obras e também poder usufruir do passeio através de uma vegetação exuberante, com uma variedade de tons e formas invejáveis criados pela própria natureza.
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Detalhe do jardim - Foto: Marcus Friche
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Em 2008 novas galerias foram inauguradas para abrigar obras de Adriana Varejão e da colombiana Doris Salcedo. As exposições permanentes também contam com obras de Tunga, Cildo Meireles, Hélio Oiticica (1937-1980) e Victor Grippo (1936-2002). Esculturas ao ar livre de Meireles Dan Graham, Olafur Eliasson e Simon Starling. Além disso, exposições de obras dos mais variados gêneros e artistas estão sempre na programação do Instituto.
Inhotim desenvolve também programas sociais e culturais para a comunidade de Brumadinho não só como agente cultural, mas também de desenvolvimento local, preservação, geração de renda, turismo, esporte, saúde. Projetos e atividades educacionais, científicas e lúdicas voltadas ao meio ambiente são desenvolvidos para a difusão dos acervos e conscientização a respeito dos assuntos ambientais. A Gestão Ambiental está presente na adoção do manejo integrado para a sustentabilidade, conservação da biodiversidade e utilização racional de recursos naturais.
As atividades abertas ao público, a partir de 2005, timidamente começaram pelas visitas programadas de escolas de Brumadinho. Em 2006, com a abertura ao grande público, o espaço passou a receber visitantes que, em 2008, somaram 210 mil de todo o Brasil e de diversos países do mundo.
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Hélio Oiticica e Neville D’Almeida, Cosmococa 5 Hendrix War, 1973. Foto: Eduardo Eckenfels
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Através é o primeiro livro publicado da coleção de arte de Inhotim. Editado por Adriano Pedrosa e Rodrigo Moura, reúne obras de 57 artistas entre os 90 presentes no acervo. Os textos são assinados pelos curadores de Inhotim - Jochen Volz, Rodrigo Moura e Allan Schwartzman - e críticos como Ana Paula Cohen, José Augusto Ribeiro, Lisette Lagnado entre outros.
No caminho para o Instituto, o visitante pode ainda desfrutar de paisagens deslumbrantes da região como a vista da Serra do Rola Moça, além de riquezas históricas e culturais da região de Brumadinho que começou a ser colonizado por garimpeiros de ouro no Vale do Paraopeba. Na região encontra-se a Fazenda dos Martins, construída por escravos, com muros de “pedra seca” com paredes e tetos pintados ao estilo do séc. XVIII. E ainda, um dos povoados mais antigos “das Minas Gerais”, Piedade de Paraopeba, cuja igreja matriz data de 1729. Há ainda a comunidade quilombola de Sapé, oriunda de escravos alforriados que mantém suas tradições.
A união da natureza e da arte aliadas à cultura e história possibilitando a sensibilização e elevação da alma, conduzindo à consciência da necessidade de preservação.
Sem dúvida essa é uma obra original e digna de ser vista e aplaudida. |