A criação dos móveis da embaixada brasileira em Roma, os da Universidade de Brasília e do Palácio do Planalto fazem parte do extenso portfolio do designer Sérgio Rodrigues. Assim como as poltronas Leve, Mole e Meia Pataca, premiadas e conhecidas no mundo inteiro. Mas nem só de móveis se fez a carreira desse carioca que esse ano completa 83 anos. Seu espírito criativo foi incentivado desde a infância, afinal, cresceu entre o tio - o dramaturgo Nelson Rodrigues - e o pai, Roberto, que era pintor e ilustrador. “A família de sua mãe, os Mendes de Almeida, era composta por juristas e jornalistas. Seu legado foi o senso crítico, a exuberância e o humor”, diz a jornalista cultural Adriana Doria Mattos. A consequência dessa herança foi a busca por referências brasileiras para inspirar suas criações. “Outra pessoa importante em minha vida profissional foi meu tio-avô James, que tinha uma oficina onde dois portugueses de altíssimo nível técnico realizavam os objetos que ele imaginava: bancos, cadeiras, mesas. Desde garoto eu acompanhava aquele trabalho e ficava impressionado com o artesão que conseguia ler o desenho e fazer a peça em três dimensões”, disse Sergio Rodrigues ao site ProjetoDesign.
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Reprodução
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Ele começou a traçar seu caminho profissional em 1952, ao se formar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como arquiteto, trabalhou ao lado de David Azambuja, Flávio Regis do Nascimento e Olavo Redig de Campos no projeto do Centro Cívico de Curitiba, tendo ficado responsável pelo prédio das secretarias de Estado. Mas como sempre teve visão privilegiada com relação a planejamento de interiores, ambientação e decoração, Sergio acabou deixando a arquitetura em segundo plano e partindo para o design de móveis. Um ano após sua formatura, em 1953, ele abriria a “Móveis Artesanal Paranaense”, também em Curitiba, em sociedade com os irmãos - e designers italianos - Hauner. A loja durou só seis meses, e vendeu apenas dois sofás. Carlo Hauner resolveu então convidar Sergio para trabalhar na Forma, loja em São Paulo que fazia ambientação de interiores. Foi aí que Sergio se identificou de vez com a área e não parou mais.
A grande guinada em sua vida profissional veio poucos anos depois, em 1955, quando abriu um espaço em São Paulo, em sociedade com o conde Leoni Grasselli. O espaço acabaria se chamando Oca (para mostrar sua predileção pela cultura indígena e por materiais tradicionais) e seria um marco na história do design brasileiro. Inicialmente a proposta era reunir um estúdio de arquitetura de interiores, ambientação, cenografia e componentes de decoração, além de galeria de arte. Mas o que despertou a atenção de críticos e consumidores foi mesmo o criativo design de móveis de Serio Rodrigues, com influências brasileiras e o uso de matérias-primas de qualidade. Sua primeira grande criação, em 1957, foi a poltrona Mole, com estrutura de madeira maciça de eucalipto e o revestimento em couro. A peça ficou exposta na vitrine por um ano sem comprador. O primeiro a adquiri-la foi a jornalista Niomar Muniz Sodré, à época proprietária e diretora do jornal Correio da Manhã. Era o impulso de que Sergio precisava. Hoje, a peça faz parte da coleção permanente do MoMA, Museu de Arte Contemporânea de Nova Iorque, e já ganhou prêmios importantes, inclusive da indústria italiana.
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Bottega Veneta
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“Sergio procurou pensar o Brasil pelo design e transformou totalmente a linguagem do móvel, foi generoso no traço e no emprego das madeiras nativas e, como bem afirmou Lucio Costa, ‘com a criação da Oca integrou a ambientação de interior no movimento de renovação de nossa arquitetura’”, diz a filósofa e pesquisadora Maria Cecília Loschiavo, autora do livro “Sergio Rodrigues”. Além da exigência por matérias-primas como madeiras de eucalipto e jacarandá, o designer dá às peças um acabamento artesanal, o que o torna ainda mais admirado no exterior, onde o consumidor valoriza essas características.
Sergio desligou-se da Oca em 1968 e, desde 1973 mantém uma companhia com seu nome no Rio de Janeiro, onde desenvolve linhas de móveis para produção industrial, projetos de arquitetura e ambientação de hotéis, residências e escritórios, além de sistemas de casas pré-fabricadas. Embora sejam facetas menos conhecidas de Sergio, as casas são a junção de suas paixões. “A casa pré-fabricada é a síntese da minha ligação com a arquitetura, com a madeira e com a indústria. Já fiz o Iate Clube de Brasília, a sede do Country Club de Goiânia e casas maiores. No total fiz mais de 250 casas, a maioria delas ainda existe”*, conclui o designer orgulhoso.
*Retirado da entrevista concedida por Sergio Rodrigues ao site Projeto Design. |