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“Do Espiritual na Arte”, o abstracionismo de Kandinsky

Considerado por muitos o precursor do abstracionismo, Wasily Kandinsky foi um dos mais célebres professores da Escola Bauhaus que repensou a vida moderna no início do século XX.

MERCADO | Objetos e arte decorativa
Por Cristina Piffer - 09/04/2010

Kandinsky nasceu em Moscou em 1866 e morreu em 1944 em Neully-sur-Seine, na França. Estudou Direito e Economia na Universidade de Moscou e, ainda menino, começou a estudar a arte por meio da música. Somente aos 30 anos Kandinsky ingressou na Escola de Belas Artes de Munique.

O artista russo foi influenciado pelas idéias de Helena Blavatsky, maior expoente da Teosofia moderna, que prega a origem espiritual das formas e aponta uma fonte única e eterna para todo conhecimento. Segundo a teoria, toda a criação parte de uma progressão geométrica que começa num simples ponto e do aspecto criativo da forma derivam círculos, triângulos e quadrados.

Composição VIII (1923) Óleo sobre tela - Guggenheim Museum (NY)
reprodução

O próprio Kandinsky costumava contar como chegou à pintura abstrata: um dia ele entrou no seu atelier e encontrou um de seus quadros colocado de outra forma por alguém que passou por ali. Ele não visualizou de imediato aquilo que o quadro figurativamente representava, mas a maneira como as linhas e cores se compunham. Percebeu que o resultado expressava uma beleza particular e intensa.

A expressão da arte prevalece sobre a mera representação quando o conjunto, composto por cores e formas abstratas, se dirige mais à nossa percepção sensível do que à nossa percepção intelectual. Este aspecto permite que pessoas das mais diferentes culturas possam sentir a arte, já que no abstrato não há nada para ser entendida.

“Do Espiritual na Arte”, publicado em Munique em 1911, foi o primeiro grande manifesto da arte abstrata escrito por Kandinsky. Logo depois ele escreveu  “Ponto e Linha sobre Plano” (1926).

O artista foi convidado a lecionar na escola Bauhaus, em Weimar, que foi transferida para Dessau e fechada pelo nazismo em 1933. Seu trabalho influenciou toda uma geração de artistas norteados por uma concepção de arte avant garde e não figurativa, onde o artista antecipa o movimento de progresso da humanidade. Pela singularidade e expressão do novo, a obra de Kandinsky foi inicialmente rejeitada. Já naquela época, seus trabalhos evocavam a rapidez do tempo em momentos tumultuados, o que coloca o seu nome entre os artistas contemporâneos mais valorizados da atualidade.

Sobre o branco II (Musée National d´Art Moderne, Centre George Pompidou, Paris)
reprodução

Kandinsky foi para a França e lá viveu o resto de sua vida, tornando-se cidadão francês em 1939. Apesar das muitas dificuldades pelas quais passou, nunca deixou de lado seu grande entusiasmo pela arte.

SPreto e Violeta – 1924
reprodução

As obras de Kandinsky estão em exposição no Guggenhein Museum, que comemora 50 anos, e na exposição “Bauhaus 1919-1933: Workshops for Modernity” no Moma, ambos em Nova Iorque. A exposição sobre a escola alemã de arte e arquitetura reúne mais de 400 obras incluindo pintura, escultura, arquitetura, design industrial, de mobiliário, gravura fotografia e cerâmica. 

 
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