A história mostra que desde o Egito antigo ao século XXI, o consumo de produtos de beleza tornou-se rotina em todas as classes sociais. Naquela época, os egípcios recorriam à gordura animal e vegetal, cera de abelha, mel e leite no preparo de cremes para a pele. Eram todos produtos de base simples, e seu uso correspondia muito mais do que beleza estética. Era uma maneira de se preparar para contemplar os Deuses.
De lá para cá, as preocupações mudaram e os cosméticos passaram a ser mais requintados e usados principalmente com o intuito estético.
O século XX inaugurou a era da indústria cosmética. Inicialmente, a maquiagem básica era composta de pó-de-arroz e batom. Mais tarde, as cores de maquiagem tornam-se variadas para acompanhar as coleções de alta-costura italiana, francesa e inglesa.
Surgem os aparelhos a laser, e os ácidos retinóico e glicólico começam a ser empregados no tratamento de rugas e manchas. Novos princípios ativos diminuem o tempo entre a aplicação do cosmético, e o efeito prometido na bula cai de 30 dias para menos de 24 horas. São criados também os cosméticos multifuncionais, como batons com protetor solar e produtos hidratantes que previnem o envelhecimento.
Já no século XXI temos uma verdadeira revolução tecnológica. São desenvolvidos os chamados cosmecêuticos, cosméticos capazes de proporcionar a sensação de bem estar para a pele. Os laboratórios investem cada vez mais em pesquisas e na criação de novas matérias-primas e princípios ativos mais potentes e revolucionários. Esse avanço inclui a manipulação genética em prol da estética.
Com tanta tecnologia e, a partir de todo respaldo científico, as células-tronco derivadas de plantas são a nova pedida no mundo cosmético.
Quando poderíamos imaginar que cosméticos a base dessas células ajudariam a proteger a célula-tronco da pele humana contra os danos e a deterioração ou até mesmo estimulá-las?
Sim, pois agora já temos os chamados “concentrados de vida”, o que significa que as células-tronco podem receber mensagens para criar proteínas, carboidratos e lipídios a fim de reparar linhas finas e rugas, e restaurar e manter a firmeza e elasticidade cutânea.
As células-tronco são consideradas a verdadeira fonte de vida pelo seu grande poder de multiplicação e de especialização. Ficam localizadas na base da epiderme, onde de cada dez células, apenas uma apresenta essa diferenciação, dando vida diariamente a centenas de células que compõem as camadas da pele. Elas são a principal fonte de regeneração.
As células da pele têm um ciclo de vida de 21 dias. Após esse período elas morrem e as células-tronco adultas dão origem a novas células-filhas, que se diferenciam para substituir as que morreram. Porém são muito frágeis e perdem sua vitalidade devido à ação do tempo e de agentes externos. Como conseqüência as rugas se tornam mais visíveis, a pele perde seu brilho, fica mais desidratada, mais frágil e com uma flacidez acentuada.
A tecnologia elaborada uniu agentes que estimulam essas células a produzir mais colágeno e a se comportarem de maneira mais parecida com a pele jovem.
Esses cosméticos à base de célula tronco, possuem uma fórmula única que age em todos os níveis da pele, mantendo-a hidratada por todo o dia, preservando a integridade, protegendo as células-tronco adultas das agressões do meio ambiente, reativando o mecanismo de regeneração e ainda favorecendo a estimulação de colágeno.
O importante é pensar que a idade já não é mais um problema, e que já temos cosméticos que protegem e restauram os danos causados pelo tempo, proporcionando mais qualidade de vida e mantendo e recuperando a jovialidade da pele.
E agora, quem se arrisca a dizer qual será o próximo passo da indústria cosmética?
* Ana Lia Vandoni é fisioterapeuta especializada em fisioterapia dermato funcional e MBA em Gestão do Luxo. |