Nesta sessão são publicadas matérias sobre os segmentos do Luxo com enfoque no Mercado, tanto no Brasil quanto no exterior. Informações recentes sobre demanda, segmentação, desenvolvimento de marcas, produtos e serviços de luxo, podem ser encontradas aqui.
 
 

O sapateiro-fetiche

MERCADO | Moda e acessórios
Por Anna Julia Prieto - 15/04/2009

Arrematar o visual com um bom sapato sempre foi fator primordial para estar bem vestido. Mas, desde que o designer francês Christian Louboutin colocou no mercado seus scarpins e sandálias de solado vermelho, uma nova categoria de sofisticação foi criada no universo dos calçados femininos. Facilmente reconhecidas ao desfilarem em grandes eventos nos pés de Angelina Jolie, Victoria Beckham, Sarah Jessica Parker, Nicole Richie e Katie Holms, suas criações ganham em março sua primeira loja própria no Brasil, no shopping Iguatemi. Ali, modelos que na Europa não saem por menos de 500 euros (e podem facilmente chegar a 1.000 euros), terão seus preços na casa dos R$ 3 mil.

Longe de terem nascido como estratégia de marketing – apesar de terem se tornado a principal nos tapetes vermelhos e editoriais de moda, uma vez que a marca pouco investe em mídia – as solas escarlate surgiram quase que por acaso. Durante a finalização de um novo modelo, Louboutin recorreu ao esmalte de unha de uma assistente para acrescentar mais luz à combinação. Desde então, a coloração só é deixada de lado nos modelos destinados às noivas, quando o vermelho sexy é substituído pelo azul turquesa.

reprodução

O detalhe, considerado por homens e mulheres como verdadeiro fetiche, ainda vem acompanhado, na maioria das vezes, por desafiadores saltos agulha de 12 a 13 centímetros de altura. Fato que parece não incomodar a clientela, muito menos o designer. “Há uma diferença entre sofrimento e falta de conforto. De sapatos de saltos altos não se anda como de pantufas, mas dá um prazer tão grande”, disse ele, em entrevista à revista Marie Claire francesa.

Nascido em Paris, em 1963, Louboutin começou a desenhar sapatos aos 16 anos, depois de se encantar com a elegância das dançarinas do Moulin Rouge e do Folies Bèrgere sobre os saltos. “Minha inspiração pode vir de diferentes coisas, um quadro, um objeto, um tecido, uma viagem ou um jardim, mas a maior de todas é  as mulheres”, diz ele. Certo de que seguiria a profissão, mudou-se para Romans-sur-Isere, reconhecida região produtora de calçado na França, em 1981, para se tornar aprendiz de Charles Jourdan.

Onze anos mais tarde, depois de ter assinado modelos exclusivos para Chanel e Yves Saint Laurent, ele abria sua primeira loja na capital francesa. Pequeno império que hoje conta com 150 pontos-de-venda em 40 países e 17 lojas próprias, sendo três na França, três em Londres, duas em Moscou, três na Ásia – Jacarta, Hong Kong e Cingapura – e cinco nos EUA, mercado responsável por 40% de suas vendas. E, mesmo com a crise, o projeto de expansão iniciado em 2007 deve seguir em frente. Uma loja em Dubai, uma no Japão e outra em Miami estão nos planos de 2009. E uma segunda loja no Brasil nos próximos dois anos também não está descartada. Não à toa, que as exportações representam 95% de suas vendas, que, desde 2005, apresentam crescimento de 30% a 40% ao ano. Com perspectiva de aumentar ainda mais com o lançamento da linha de bolsas  - cujo preço, na Europa, vai de 800 euros a 1,3 mil euros - e a previsão de inaugurar 15 lojas nos próximos três anos.

Definidos por Louboutin como “a base da linguagem corporal” e “responsável por dar uma atitude feminina à mulher”, os sapatos já ganharam status de obra de arte nas mãos do designer. Algumas de suas primeiras criações fazem parte do acervo permanente do Instituto de Moda do Metropolitan Museum, de Nova York. Outras serviram de pretexto para um ensaio sensual assinado pelo cineasta David Lynch, e exposto em Paris em 2007. Neste ano, são os dois modelos feitos em parceria com o bordador Jean-François Lesage em homenagem a Maria Antonieta que prometem virar peça de museu. Produzidos em edição limitada de apenas 36 pares, as peças foram colocadas à venda por US$ 6.295 apenas na butique da Madison Avenue, em Nova York, desde o dia 26 de fevereiro.

 
 

Um corte de Mestre

MERCADO | Objetos e arte decorativa
Por Martha Toledo - 15/04/2009

William Henry Studio alia tecnologia, arte, tradição e exclusividade na produção de facas e canetas, atraindo o olhar de colecionadores e personalidades.

Facas e canivetes deixam de ser um simples instrumento de corte e passam a ser peças de arte quando são desenvolvidos pelo William Henry Studio.

Fundado em 1997 pelos sócios Matthew William Conable e Michael Henry Honack, o estúdio situado na cidade de MC Minville, Oregon, cresceu e tornou-se referência na produção de peças sofisticadas de cutelaria, atraindo a atenção de colecionadores do mundo todo.
 
Cada item é uma verdadeira obra de arte. Para a produção de uma peça são necessários oito meses, que envolvem o trabalho de, aproximadamente, 30 artesãos. Parece inacreditável, mas são mais de 800 passos que devem ser seguidos até se ter uma das poucas peças do estúdio. Uma ampla gama de técnicas que vão desde a utilização de equipamentos de última geração e jatos de água com cortes precisos até práticas centenárias de artesãos são utilizadas para a criação de um pequeno objeto de desejo que pode custar até U$ 2.000,00. “Tudo o que faço, projeto e produzo, vou ao limite da imaginação. O William Henry Colllection é uma forma hibrida entre a arte tradicional de produzir facas e tecnologia moderna”, diz Conable.

reprodução

O trabalho dos artesãos para criar uma lâmina com um corte mais que perfeito e ao mesmo tempo extremamente refinada é um capítulo a parte em todo o processo de produção. Primeiro, a lâmina de aço é forjada a mão pelo mestre Mike Norris, que usa uma técnica especial chamada Damascus, na qual diversas camadas do metal são mescladas formando gravuras na superfície.

Após este processo, a peça segue para a cidade de Seki, no Japão, conhecida por ser o berço das espadas Samurais. Cada lâmina é afiada e polida pelas mãos do habilidoso mestre Kikuo Matsuda.No final, é o próprio Conable quem verifica a afiação e funcionalidade de cada item.
Para a parte estrutural das facas outro processo bastante peculiar é utilizado, o mokume, onde várias camadas de metais como níquel, prata e bronze são misturados formando uma espécie de tapeçaria de metal.

A utilização de material exótico para o acabamento do cabo é outro grande destaque do William Henry Studio. Das tundras do Alasca e da Sibéria, marfins, ossos e dentes de mamutes e morsas fossilizadas tornam cada peça ainda mais exclusiva. Pedras preciosas como o rubi, o diamante e a esmeralda dão o toque final a cada objeto.

reprodução

Além de colecionadores anônimos que disputam as poucas peças e edições limitadas, muitas personalidades também estão na lista de clientes da empresa. Brad Pitt, Angelina Jolie, Bill Murray, Andy Garcia e Nicolas Cage são apenas alguns deles.

Mas a ousadia de Conable e Honack não ficou apenas nas facas e canivetes. Um dia, os sócios perceberam que as lojas nas quais seus produtos eram vendidos tinham muitos clientes que buscavam por presentes únicos, exclusivos. Foi neste instante que surgiu a idéia de produzir canetas com a marca e tradição William Henry.

Para lançar estes novos produtos Conable pesquisou muito sobre o mercado de relógios e canetas para aprender como algumas marcas combinam a forma e a funcionalidade em produtos de luxo. Para produzi-los, juntou este conhecimento com as técnicas e know-how já adquiridos por seu estúdio.

reprodução

Foram necessários meses para conseguir todo o material idealizado para produzir os primeiros instrumentos de escrita. Cada modelo é lançado em edições limitadas de apenas 100 peças e tem um número gravado na tampa. Elas são adornadas com uma pedra preciosa colocada na presilha. A primeira edição foi lançada no final de 2007 e, em poucas semanas, já estavam esgotadas.

A utilização de materiais fortes o suficiente para uso diário e exótico na medida certa para surpreender até o mais incrédulo colecionador é o grande segredo da empresa. O resultado final -  a síntese de materiais e técnicas, milenares e modernas - é o fantástico legado da arte de William Henry.

MERCADO | Alimentos e bebidas   MERCADO | Objetos e Arte decorativa
O melhor restaurante do mundo
Por Estela Marchesini
 
Pensando o Brasil pelo design
Por Estela Marchesini
Copyright 2007/2010 FAAP - Todos os direitos reservados - Créditos - Última atualização 23/07/2010
edição nº 112 -