Nesta sessão são publicadas matérias sobre os segmentos do Luxo com enfoque no Mercado, tanto no Brasil quanto no exterior. Informações recentes sobre demanda, segmentação, desenvolvimento de marcas, produtos e serviços de luxo, podem ser encontradas aqui.
 
 

A Natureza da Arte

MERCADO | Estilo de vida
Por Cristina Piffer - 17/03/2009

O Instituto Cultural Inhotim, localizado em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte em meio a uma área ambiental de 8.000m², é um lugar único. Idealizado pelo empresário Bernardo Paz, o instituto, cercado de Mata Atlântica e Cerrado, possui um paisagismo cuja concepção remonta aos anos 1980 e teve a colaboração do mestre paisagista brasileiro Roberto Burle Marx (1909-1994).

Aos poucos a propriedade particular foi se modificando e transformou-se num espaço cultural com as primeiras construções para receber obras de arte. O acervo botânico também começou a tomar forma com as coleções de espécies vindas de todo o Brasil.

Desde então esse projeto cresceu e se modificou até a fundação do Instituto em 2002. O Instituto Cultura é uma instituição sem fins lucrativos, que tem como objetivo a exposição e produção de trabalhos de Arte Contemporânea em meio à preservação de um acervo de 2.100 espécies botânicas, nativas e tropicais. Conta ainda com iniciativas nas áreas de pesquisa e educação visando a produção de conhecimento através da Arte, Botânica e preservação do meio ambiente.

O espaço possui um acervo de aproximadamente 350 obras de arte contemporânea produzidas desde os anos 1960. Pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, vídeos de renomados artistas nacionais e estrangeiros estão dispostas em uma seqüência não linear de nove pavilhões que se espalham por todo o parque botânico. Isso possibilita ao visitante admirar as obras e também poder usufruir do passeio através de uma vegetação exuberante, com uma variedade de tons e formas invejáveis criados pela própria natureza.

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Detalhe do jardim - Foto: Marcus Friche

Em 2008 novas galerias foram inauguradas para abrigar obras de Adriana Varejão e da colombiana Doris Salcedo. As exposições permanentes também contam com obras de Tunga, Cildo Meireles, Hélio Oiticica (1937-1980) e Victor Grippo (1936-2002). Esculturas ao ar livre de Meireles Dan Graham, Olafur Eliasson e Simon Starling. Além disso, exposições de obras dos mais variados gêneros e artistas estão sempre na programação do Instituto.

Inhotim desenvolve também programas sociais e culturais para a comunidade de Brumadinho não só como agente cultural, mas também de desenvolvimento local, preservação, geração de renda, turismo, esporte, saúde. Projetos e atividades educacionais, científicas e lúdicas voltadas ao meio ambiente são desenvolvidos para a difusão dos acervos e conscientização a respeito dos assuntos ambientais. A Gestão Ambiental está presente na adoção do manejo integrado para a sustentabilidade, conservação da biodiversidade e utilização racional de recursos naturais.

As atividades abertas ao público, a partir de 2005, timidamente começaram pelas visitas programadas de escolas de Brumadinho. Em 2006, com a abertura ao grande público, o espaço  passou a receber visitantes que, em 2008, somaram 210 mil de todo o Brasil e de diversos países do mundo.

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Hélio Oiticica e Neville D’Almeida, Cosmococa 5 Hendrix War, 1973. Foto: Eduardo Eckenfels

Através é o primeiro livro publicado da coleção de arte de Inhotim. Editado por Adriano Pedrosa e Rodrigo Moura, reúne obras de 57 artistas entre os 90 presentes no acervo. Os textos são assinados pelos curadores de Inhotim - Jochen Volz, Rodrigo Moura e Allan Schwartzman - e críticos como Ana Paula Cohen, José Augusto Ribeiro, Lisette Lagnado entre outros.

No caminho para o Instituto, o visitante pode ainda desfrutar de paisagens deslumbrantes da região como a vista da Serra do Rola Moça, além de riquezas históricas e culturais da região de Brumadinho que começou a ser colonizado por garimpeiros de ouro no Vale do Paraopeba. Na região encontra-se a Fazenda dos Martins, construída por escravos, com muros de “pedra seca” com paredes e tetos pintados ao estilo do séc. XVIII. E ainda, um dos povoados mais antigos “das Minas Gerais”, Piedade de Paraopeba, cuja igreja matriz data de 1729. Há ainda a comunidade quilombola de Sapé, oriunda de escravos alforriados que mantém suas tradições.

A união da natureza e da arte aliadas à cultura e história possibilitando a sensibilização e elevação da alma, conduzindo à consciência da necessidade de preservação.

Sem dúvida essa é uma obra original e digna de ser vista e aplaudida.

 
 

Saquês de ouro

MERCADO | Alimentos e Bebidas
Por Anna Julia Prieto - 17/03/2009

Se você é do tipo que acha que saquê é tudo igual e que, tirando a zonzeira que se sente ao tentar levantar depois da terceira dose, a bebida está mais para água do que para álcool, pode parar de ler esta matéria. O assunto aqui é para entendedores. Ou pelo menos para aqueles que estão tão dispostos a buscar as sutilezas do destilado de arroz que não se importariam de pagar caro por isso.

Dividido em seis categorias – daiginjo, ginjo, tokubetsu, junmai, honjouzou e futsuu-shu –, de acordo com o nível de polimento de arroz e o tipo de álcool, o universo dos saquês reserva àqueles classificados como daiginjo o mesmo glamour que recebem os Grand Crus no mundo do vinho. Feitos com arrozes especiais - como o Yamada Nishiki –, polidos em até 70% de seu tamanho original para que somente o coração de cada grão seja utilizado, alguns saquês ultra premium, produzidos artesanalmente e em edições limitadas, se tornam objetos de desejo no mercado.

Caso do Hokusetsu YK35 Shizukuzake, avaliado em R$ 22 mil. Produzido com grãos do tipo Yamada Nishiki na província de Niigata – uma das mais tradicionais regiões produtoras de saquê do país, ao norte do Japão -, ele é obtido da lenta filtragem – e não prensagem - do “moromi” (mosto de arroz já fermentado) em sacos de pano. O resultado é um líquido seco, com notas sutis de lichia e aroma floral, comercializado em garrafas de titânio, para que as ações nocivas dos raios ultravioleta não danifiquem suas características originais.

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Niigata

Outra estrela internacional é o Myoka Rangyoku, produzido pela Daishichi, uma das fabricantes mais antigas e respeitadas na região de Fukushima. Envelhecido por três anos antes de ser distribuído ao mercado, seu preço tem variado de R$ 1.485 a R$ 2.970 nos restaurantes mais badalados de Las Vegas. E, segundo especialistas, seu nome, dado em homenagem a um espetáculo dramático do século XIV, dá a exata sensação que se tem ao degustá-lo.

Raridade etílica oriental, o Gekkakou Kikusakari Daigijo Vintage 89 é um dos poucos saquês safrados em circulação. Daí, sua garrafa de 500 ml ser vendida a R$ 932 no restaurante londrino Sake no Hana. “Apesar de trazer uma data de validade de dois anos no rótulo, o saquê pode envelhecer bem, mas seu sabor, aroma e coloração certamente irão mudar com o tempo”, afirma o especialista Alexandre Tatsuya Iida. Com uma impressionante variedade de saquês, a casa inglesa conta com o Mizubasho Daiginjo Premium (R$ 939) e o Wataribune Junmai Daiginjo Nama Zume (R$ 739), ambos classificados entre os mais frutados da carta com mais de 90 rótulos.

No Brasil, onde não circulam mais de 80 rótulos diferentes – no Japão, esse número é superior a 49 mil -, o Koshi No Hana pode ser apontado como o saquê mais valioso a disposição. Importado pela Adega de Sake, ele é vendido no restaurante Kinoshita, em São Paulo, a R$ 523. “Levemente seco, aveludado e com um bom corpo, este é, sem dúvida, uma boa opção para acompanhar charutos”, diz Iida. Dono da importadora, ele explica que o público alvo desse tipo de bebida ainda se limita a grandes empresários e executivos de multinacionais asiáticas. Mais do que o alto custo, o interesse restrito se justifica por um fator cultural. “Este mercado ainda está engatinhando no país e, de fato, é muito difícil sentir as nuances que caracterizam um saquê especial. O diferencial quase sempre está na qualidade do arroz e da água utilizados, na tradição do fabricante e na escassez de oferta”, explica.

 
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