Nesta sessão são publicadas matérias sobre os segmentos do Luxo com enfoque no Mercado, tanto no Brasil quanto no exterior. Informações recentes sobre demanda, segmentação, desenvolvimento de marcas, produtos e serviços de luxo, podem ser encontradas aqui.
 
 

Corneliani celebra 50 anos

A grife italiana diversifica, expande e vê suas vendas aumentarem a mais de 10% ao ano.

MERCADO | Moda e acessórios
Por Estela Marchesini

Tradição e modernidade se encontram na marca italiana Corneliani. Sua alfaiataria continua sendo feita à mão, com o estilo que a consagrou há mais de 50 anos na pequena cidade de Mantova: um equilíbrio que a posiciona entre ternos desestruturados e cortes muito rígidos. Mas sua estratégia de marketing se destaca das muitas outras marcas masculinas famosas pelo histórico estilo italiano de vestir. Quando os irmãos Carlalberto e Claudio Corneliani assumiram, em 1958, a alfaiataria nascida na década de 30 com o esforço solitário de seu pai, finalmente tornaram a Corneliani uma marca que é sinônimo de qualidade e durabilidade.

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A preocupação é tanta que a equipe especializada (muitos alfaiates trabalham há mais de 30 anos no ramo) desenvolve seus próprios tecidos a partir de uma seleção inicial de fibras. As naturais, como linho, algodão, pura lã e tweed, predominam. Em seguida, escolhe as cores entre centenas de amostras. A preferência normalmente é por tons sóbrios e não faltam beges e marinhos. Na coleção verão 2009, exibida no último mês de junho na Pitti Uomo, semana de moda masculina da cidade de Florença, tons de cinza e marrom claro receberam detalhes em salmão e azul-bebê na linha alfaiataria. Mas você pensa que só de alfaiataria vive a Corneliani?

Não. O crescimento ininterrupto da grife (em 2007 o faturamento estimado foi de 150 milhões de euros, tendo subido 16% em relação a 2006), não se deve a seus ternos que chegam facilmente a US$ 2.000, mas sim à família que está à sua frente e parece estar bem conectada a seu tempo. Nos anos 80, a terceira geração assumiu a empresa e os irmãos Maurizio e Sergio preencheram, respectivamente, as funções de diretor de marketing e diretor criativo da empresa. Aí nasceria a atual Corneliani. “Meu desafio foi expressar os valores de uma marca que conhecíamos muito bem, mas que não tinha uma forte identidade”, conta Maurizio.

Para isso, Sergio desenvolveu outras linhas dentro da marca, atingiu um público maior e descolou a imagem da Corneliani de grife de um produto só, o terno. Sua percepção se deu na área criativa: ele notou que muitas empresas européias e americanas adotavam o casual day e os executivos mais tradicionais ficaram sem saber o que vestir às sextas-feiras. Aos poucos, foram nascendo as linhas Via Ardigo, Styled by Corneliani, Corneliani, Corneliani Trend, e Corneliani Sportswear. Isso fortaleceu a marca nos Estados Unidos, que conta com cerca de 100 pontos de venda da grife atualmente. Seu prestígio cresceu ainda mais entre os americanos quando a Corneliani comprou a licença da Polo Ralph Lauren para a América do Norte, em 1998. No começo dos anos 2000, seria criada a linha mais jovem e barata, a Trend, com looks casuais e voltados para momentos de lazer. A Trend é a face da Corneliani mais voltada para a moda, e vai de escritórios nos dias de semana a resorts e cruzeiros nas férias. Nada mais atual que trajes utilitários. Impossível combinar melhor com o tempo em que vivemos.

 
 

Inovação e tradição

Esse é o lema da marca relojoeira suíça Badollet que renasceu das cinzas em 2006

MERCADO | Jóias e Relógios
Por Estela Marchesini

A grife suíça Badollet é tão refinada que não produz relógios, mas sim instrumentos do tempo. A diferença pode ser entendida facilmente: a palavra “instrumento” remete às idéias de tecnicidade e funcionalidade e é exatamente isso que buscava a nobre família que começou a fabricar esses marcadores do tempo em 1655. A dinastia Badollet nasceu na França e se mudou para Genebra, na Suíça, no século XV. Desde que entrou no universo desse artesanato que requer conhecimento específico e uma habilidade sem igual, a família passou os segredos de pai para filho - e de tio para sobrinho - durante sete gerações, chegando a envolver 25 membros do clã na arte de fazer relógios.

No início dos anos 1920, a crise que sucedeu a Primeira Guerra Mundial ainda assolava a Europa e isso coincidiu com uma certa geração dos Badollet que não demonstrava interesse pelos negócios. Para dar continuidade à marca, herdeira de uma rica história, ela foi vendida em 1924 e teve sua produção interrompida em 1946. Cerca de 60 anos depois, como uma fênix, a grife ressurge das cinzas graças ao empreendedorismo de um grupo de investidores aliado a uma dose de saudosismo de um membro da família.

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Recomeço em alto estilo
Entenda-se: em 2006 - momento em que a relojoaria suíça vivia como nunca uma fase de prestígio mundial - um grupo de investidores incumbiu o empresário suíço Sandro Arabian de ressuscitar a grife. Sandro aceitaria a missão, mas pediria ajuda a seu amigo de longa data Aldo Magada, que se encarregou das estratégias necessárias e tornou-se CEO da grife. O auxílio também veio do último descendente da família, Pascal Badollet, que reconstituiu os arquivos da história do clã e reavivou a herança secular, tão importante para uma marca de luxo. “A filosofia Badollet está intimamente ligada à noção de luxo e de savoir-faire e à perpetuação da tradição relojoeira”, diz o site oficial. Todas as etapas e peças envolvidas na produção dos relógios são desenvolvidas à mão por mestres artesãos com anos de experiência, os únicos capazes de realizar esses trabalhos de alta complexidade.

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Após todo o processo de recomeço, as primeiras coleções da Badollet foram desenvolvidas em 2007 e 80 exemplares dessas obras de arte do tempo devem chegar aos Estados Unidos neste ano, sendo que todos podem ser customizados de acordo com as preferências do cliente. “Nosso público-alvo será, a princípio, o de colecionadores, por isso uma excelente performance técnica é fundamental. Investimos mais de US$ 10 milhões para isso”, disse Sandro Arabian à revista suíça especializada em relógios PME.

Além da preocupação em manter o savoir-faire que consagrou a grife secular, os atuais administradores apostam nas novas tecnologias para revisitar o espírito neo-clássico que a caracteriza com os conhecimentos disponíveis no século XXI. Além disso, o serviço personalizado é a principal meta de Magada. “O objeto de luxo é um conceito vazio se não vem acompanhado de um serviço perfeitamente aplicado”, afirmou à revista GMT. Grande parte desses dois anos que antecederam a nova entrada no mercado foi dedicada ao preparo da equipe, treinada para conversar com os clientes, esclarecer suas dúvidas e resolver seus problemas antes, durante e depois do processo de compra. “Queremos retornar a uma noção de luxo como experiência personalizada e íntima. Quando um consumidor entra em uma loja para comprar um relógio que vale mais de US$ 200.000, ele espera um certo nível de atendimento”, completa. E os valores não param por aí: eles podem chegar a US$ 350.000, caso do Observatoire 1872 Minute Repeater, à venda nos Estados Unidos.
Mais informações em www.badollet.com

 
 
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Corneliani celebra 50 anos
Por Estela Marchesini
 
Inovação e tradição
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edição nº 85 -