Nesta sessão são publicadas matérias sobre os segmentos do Luxo com enfoque no Mercado, tanto no Brasil quanto no exterior. Informações recentes sobre demanda, segmentação, desenvolvimento de marcas, produtos e serviços de luxo, podem ser encontradas aqui.
 
 

As pérolas mais badaladas do momento

MERCADO |Imóveis
Por Cristina Piffer

Até 1940 o Qatar era um país pobre, que dependia basicamente da pesca e do cultivo de pérolas. Com a descoberta de petróleo na Península Arábica, o país passou por uma reviravolta econômica e hoje abriga as Pérolas do Qatar, um mega empreendimento de ilhas artificiais estimado em US$ 6 bilhões.

O projeto, que está em fase de construção a 325 metros do continente, abrigará cerca de 40 mil pessoas em 15 mil unidades residenciais entre três blocos de apartamentos, mansões e a exclusivíssima “Isola Dana”, conjunto de nove ilhas com acesso somente por barco e cujos compradores desembolsaram US$ 25 milhões a unidade.

Ligada à Doha por uma ponte de 355 metros com oito pistas, a ilha artificial promete uma infra-estrutura completa e requintada a fim de proporcionar uma visão do paraíso.

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Hotéis cinco estrelas, clubes, lojas, joalherias e concessionárias de carros de luxo também farão parte do conjunto que deve estar terminado em 2011. Cerca de 200 butiques de moda estão planejadas para estarem prontas em setembro de 2008, atraindo marcas como Hermés, Giorgio Armani, Bulgari, Jimmy Choo, Jean Paul Gautier, Loro Piana, Yves Saint Laurent, Chloé, Fendi e Balenciaga, que já confirmaram sua intenção de presença. Uma megastore multimarcas de luxo americanas e européias, a Royal Avenue, oferecerá calçados, acessórios e cosméticos.

Entre outras atrações estão o Ritz-Carlton e o Four Season hotéis. Na área de alimentação estão Bice, Armani Caffe e Nikki Beach. De acordo com experts da indústria, as lojas gerarão altos lucros em termos de baixos custos de aluguel, salários e taxas.

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Como em outros países islâmicos, no Qatar o estrangeiro que deseja um imóvel paga por ele uma concessão de 99 anos quando, então, deverá ser devolvido. Apesar ser um projeto da iniciativa privada, o empreendimento conta com a simpatia e o apoio do Emir Hamad Bin Khalifa Al Thani, que concedeu uma exceção para “Pérola do Qatar”: a possibilidade de estrangeiros adquirirem o imóvel e deixá-lo de herança para a família. 

A especulação imobiliária é grande em torno do projeto e entre os compradores estão cidadãos da região do Golfo, americanos e ingleses. A incorporadora responsável pelo projeto afirma que o retorno de 100% do investimento é garantido. A empresa não divulga os nomes dos compradores, mas, segundo informações publicadas no jornal Valor Econômico, quatro brasileiros de São Paulo estão entre eles.

Paraísos artificiais como The Pearl Qatar e Palm Islands nos Emirados Árabes abrem as portas para o investimento estrangeiro na região trazendo como forte apelo a união do exótico oriente com seus segredos, temperos e aromas, com o alto luxo, o requinte e a sofisticação que o dinheiro pode comprar.

Hussein Al Fardan, principal acionista da incorporadora responsável pelo projeto, é também dono de uma das mais famosas coleções de jóias do mundo.

 

 
 

Chás especiais

MERCADO | Alimentos e Bebidas
Por: Anna Julia Prieto

Presente no dia-a-dia de reis e imperadores, o chá sempre foi considerado uma bebida muito mais sofisticada que o café, descoberto anos mais tarde. Muito ligado aos hábitos da aristocracia inglesa, o líquido extraído da infusão das tenras folhas da Camellia sinensis pode ser facilmente comparado à complexidade do vinho. Assim como este apresenta diferentes aromas e sabores dependendo do terroir em que é plantado, da safra em que é colhido e dos processos pelos quais passam durante sua produção. Processos estes que dão origem ao chá verde (não fermentado), ao preto (cujas folhas são fermentadas), ao oolong (com fermentação média), ao defumado e ao branco (cujas folhas são colhidas ainda quando broto, momento em que possuem uma fina penugem branca). Cada qual podendo resultar em chás de altíssima qualidade dentro de sua categoria.

Um dos especialistas mais respeitados nesse setor é o degustador alemão Thomas Holz, da Tee Gschwendner, que pode ser comparado ao crítico de vinho norte-americano Robert Parker. Todos anos, ele percorre as principais plantações de Camellia sinensis na China, Japão, Índia e Indonésia para descobrir onde estão os melhores chás da temporada, sendo que sua opinião pode jogar o preço da matéria-prima às alturas.

Foi o que aconteceu este ano com o Gyokuro Kimigayo, produzido a 700 metros de altitude, na base do Monte Fuji, na cidade de Aichi, a oeste do Japão. Com sabor complexo e aroma de amêndoas verdes, nozes tostadas e um delicado toque doce – resultado da maior concentração de clorofila obtida com a cobertura das folhas nas três semanas que antecederam a colheita -, este chá verde pode ser considerado hoje um dos mais caros do mundo. Tanto que a porção de 20 gramas será vendida a R$ 350,00 na Loja do Chá, em São Paulo. Para se ter uma idéia, 50 gramas do Gyokuro comercializado na temporada anterior valia R$ 105,00.

A loja, especializada na bebida, ainda apresenta outras raridades, como o Yin Zhen – chá branco produzido no sudeste da China, na província de Fujian, com aroma de pêssegos maduros, nozes e toques de orquídeas, e boca redonda, com acento floral e toques de amêndoas – comercializado a granel (50 gr, R$ 110,00) ou pronto para beber (R$ 20,00 a xícara). O Formosa Fancy Superior Choice Oolong (50 gr, R$ 108,00) e o Shincha Shimoyana First Flush, chá verde também produzido em Aichi, no Japão, mas com as primeiras folhas colhidas no ano, cuja porção de 50 gramas sai por R$ 134,00. Mas Carla Saueressig, representante brasileira da marca alemã e proprietária da Loja do Chá avisa. “Estou para receber o Shincha Kirisakura FF, que é ainda mais especial que este.”

Atenta a este mercado ainda pouco explorado no Brasil, a doceira Pati Piva também montou um cardápio de chás especiais para servir em sua loja na Daslu. No menu há chás importados das marcas Mariage Frêres, Le Palais de Thés e T’Cha, onde destaca-se o Pèrles de Jasmim Imperial, feito para encantar o paladar, o nariz e os olhos. Durante sua elaboração, os primeiros brotos da Camellia sinensis são colocados para secar por cinco dias com flores frescas de jasmim. O processo, que é finalizado com a formatação manual das folhas em mini-pérolas, permite que o chá absorva naturalmente o perfume do jasmim. Assim, quando as pérolas de chá entram em contato com a água quente, elas se abrem gradualmente, liberando aroma e cor. O bule deste chá é servido por R$ 18,00.

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Mas na categoria de chás performáticos, as surpresas podem ser ainda maiores. Como se fossem origamis, as folhas de chá são trabalhadas por criativas e cuidadosas artesãs chinesas e indianas para que ao serem postas em infusão, se abram em forma de dragão, coração ou flor. Um dos mais charmosos da loja francesa Mariage Frères é o Sweetheart, um coração feito com folhas de chá branco que, quando submerso, se abre em uma flor, com um colar de jasmins. O vidro, com nove unidades do coração custa 48 euros. Vale lembrar que, assim como os demais, a validade desses chás é de dois anos e meio. Após esse período, as folhas começam a perder suas propriedades, sabores e aromas.

 

 
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