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| Nesta sessão são publicadas matérias sobre os segmentos do Luxo com enfoque no Mercado, tanto no Brasil quanto no exterior. Informações recentes sobre demanda, segmentação, desenvolvimento de marcas, produtos e serviços de luxo, podem ser encontradas aqui. |
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Acampamento de luxo |
MERCADO | Serviços
por Ana Julia Prieto |
Esqueça a mochila nas costas, os sleepers fininhos, as barracas desconfortáveis e trabalhosas na hora de montar e as refeições improvisadas em fogareiros. Foi pensando nos viajantes que gostam da aventura de poder acampar, mas não abrem mão de uma boa dose de conforto, que algumas companhias se aliaram a hotéis de luxo para criar roteiros especiais para eco-turistas sofisticados. Neles, é possível passar uma noite em tendas pré-armadas em pleno deserto, no meio de uma savana africana ou tendo apenas a neve como companhia, com direito a cama king size, lençóis de algodão egípcio e, quem sabe, até um chef de cozinha e banho quente.
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divulgação |
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Under Canvas |
Os aventureiros mais exigentes que estiverem em busca de maior contato com a vida selvagem poderão dormir em tendas itinerantes previamente montadas dentro da reserva de Serengeti, na Tanzânia, por exemplo. Dentro da instalação de lona do Under Canvas, que se desloca periodicamente para acompanhar a migração do guinus, pode-se encontrar uma verdadeira estrutura hoteleira, com suítes de luxo decoradas com móveis de madeira, cama king size, tapetes e sofás de couro, serviço de quarto, chuveiro com água aquecida, talheres de prata e até champanhe no cardápio. Como se não bastasse, no dia seguinte, é só erguer a porta de plástico transparente e começar o safári fotográfico dali mesmo.
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Under Canvas |
A mesma estrutura pode ser vista no Bateleur Camp, próximo à reserva de Masai Mara, no Quênia. O local, que foi cenário do filme “Out of África’s”, com Meryl Streep e Robert Redford, possui nove tendas pré-armadas no meio da savana, equipadas com ventilador de teto, chão de madeira, chuveiro e lençóis de algodão egípcio. Membro do seleto grupo de Small Luxury Hotels of the World, o acampamento cinco estrelas ainda oferece serviço de mordomo e chef privê, para servir o jantar à luz de velas na varanda da sua tenda.
Outra aventura possível é no Marrocos. O passeio proposto pela Teresa Perez Tours, por exemplo, começa com um piquenique nas dunas para ver o pôr do sol na região do Vale de Tassetift – um bosque de palmeiras às margens do rio Oued -, e termina em um acampamento em tendas-suítes armadas em pleno deserto do Saara. Como se a paisagem externa não fosse suficiente para deleitar os olhares mais exigentes, a equipe do hotel El Khiam Ahlam ainda decora cada barraca de luxo com tapetes persas, quadros e móveis antigos. Na hora do jantar, mais uma surpresa. Sob a luz da lua e de tocheiros, a mesa posta com talheres de prata e fina porcelana é servida por uma brigada especial, sob comando de um chef privado.
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salar de Uyuni |
Na América do Sul, o Hotel Explora também oferece passeio semelhante, mas com a possibilidade de desfrutar por ainda mais tempo da estrutura de luxo de um acampamento classe A. Saindo de jipe do altiplano boliviano rumo ao salar de Uyuni, no altiplano chileno, o turista aventureiro terá direito a desfrutar das mordomias de quatro paradas itinerantes ao longo da Cordilheira dos Andes. Em cada uma delas, uma equipe de apoio cuidará previamente da montagem e desmontagem das barracas e da cozinha, para que se possa encontrar uma nova estrutura hoteleira em cada trecho da viagem.
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salar de Uyuni |
Preparadas para ajudar a enfrentar temperaturas de até -30ºC à noite, as suítes de lona trazem travesseiros de pena de ganso, chuveiro com água quente e cama king size com lençóis de algodão e mantas térmicas. Do lado de fora, mesas e cadeiras para refeições ao ar livre, com o charme da paisagem branca do salar, ou dos demais sítios arqueológicos da região.
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salar de Uyuni |
Quem prefere o branco da neve, também poderá acampar no Whitepod, localizado a uma hora e meia de Geneva, em pleno Alpes Suíços. O detalhe é que nessas barracas-iglus, feitas de algodão e forradas por peles, só é possível chegar esquiando. Um equipamento de calefação e uma lareira também ajudam a manter o ambiente sempre aquecido para que se possa relaxar contando as estrelas pelas clarabóias ou simplesmente aproveitando o serviço de massagem in loco.
Teresa Perez Tours: (11) 3365-4000
www.whitepod.com
www.ccafrica.com
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Arte e história se encontram em exclusivos quimonos de seda |
MERCADO | Moda e Acessórios
Por Priscilla Portugal |
Colecionadores entediados, consumidores de luxo ávidos por novidades, fashionistas, historiadores, artistas. O que poderia chamar a atenção e até despertar a paixão em grupos aparentemente tão distintos? A resposta pode ser o quimono. Sim, o traje de história milenar, criado numa cultura oriental e composto de um longo manto solto com mangas largas - normalmente amarrado na cintura com uma faixa larga - tem dado o que falar.
Palavra que significa “coisa que se usa”, o quimono surgiu por volta do ano 800 d.C. e era uma peça de vestir por baixo,inicialmente adotada pela nobreza e, mais tarde, por burgueses e vassalos. “Foi necessário esperar o ano de 1.600 para vê-lo sendo usado por todas as classes”, esclarece a revista francesa Les Echos, que publicou há cerca de quatro meses uma matéria intitulada “A onda do quimono”. No texto, a novidade: “o retorno do quimono não se efetua nas massas, mas de forma discreta”. Afinal, o que isso significa?
Exclusivo e feito a mão
O quimono que volta a ser o centro das atenções não é aquele produzido em larga escala e consumido pela massa, como acontecia no Japão antigamente, mas sim em modelos desenvolvidos com materiais nobres e com resultados únicos. A peça de roupa se torna uma espécie de tela onde artistas se expressam e encantam.
Esse é o caso da artista contemporânea japonesa Naomi Kaneko, que há 35 anos tem se aperfeiçoado no estilo Yuzen, técnica tricentenária de tingimento que utiliza cores fortes e normalmente evoca as estações do ano. A temática preferida de Naomi é a natureza, e ela desenvolve um trabalho “poético, detalhista e vibrante”, segundo descreveu a conceituada revista Luxury Culture. “Em suas pinturas, ela procura expressar a personalidade da mulher que vestirá o quimono, incorporando nele símbolos culturais e pessoais, em peças únicas”, derrete-se a revista. Naomi tem uma longa conversa com a cliente para descobrir suas preferências e mescla esses elementos com lembranças de sua própria infância no Japão.
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Para desenvolver esse trabalho tão especial, a artista chega a dedicar-se por até três meses a uma única peça. Segundo a revista, o trabalho de Kaneko é puro luxo porque envolve as idéias de raridade, refinamento, respeito pela tradição e é uma arte apaixonada e personalizada. A artista ainda oferece em seu ateliê (no Japão) uma experiência única, uma espécie de viagem ao mundo Yuzen, em que explica a história da técnica, ensina as clientes a desenvolvê-la e ainda presenteia as interessadas com a peça que elas mesmas produziram. “É uma lembrança memorável”, diz o site de Kaneko.
Antigos, raros e caríssimos
Os admiradores mais tradicionalistas de quimonos podem também adquirir peças históricas, como as que pertenceram a gueixas ou que presenciaram momentos como o fim da Segunda Guerra Mundial. Marla Mallett, colecionadora e vendedora dos chamados quimonos vintage (antigos), conta em seu site que teve acesso a peças raríssimas por um preço relativamente acessível porque elas tinham um pequeno defeito, como uma manchinha perto da gola ou da barra. Mesmo assim, o preço de peças antigas chega às alturas, como um quimono infantil que bate na casa dos US$ 14 mil. (leia abaixo)
“Os melhores quimonos são considerados arte têxtil no Japão e, por isso, seus preços podem variar tanto quanto os de obras de arte”, conta. Alguns quimonos pintados à mão ou com a técnica Yuzen são extremamente caros, sobretudo quando têm estampas inéditas e exclusivas. O preço também é influenciado (além de se levar em conta o custo original das peças, é claro) pelo passar do tempo: quanto mais antigo – desde que em bom estado – mais acaba valendo o quimono.
Bons exemplos são os furisodes e os hikizuris, usados originalmente por gueixas de luxo que, além de satisfazer os prazeres dos homens, também lançavam moda para as mulheres. Esses trajes podem ultrapassar os US$ 12 mil. E olha que cada gueixa tinha dezenas deles no guarda-roupa. Na autobiografia “Minha vida como gueixa”, Mineko Iwasaki conta que gastava milhares de dólares por semana em quimonos e que a maioria custava mais de US$ 7 mil. Isso porque, além do material empregado na elaboração das peças, a mão-de-obra consumia tempo e dinheiro.
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Técnica Yuzen |
“É claro que também existem quimonos estampados a máquina, concebidos para o dia-a-dia, produzidos em larga escala e com valores bem acessíveis. Mas meu interesse se concentra nos trajes decorados a mão, que são a verdadeira arte têxtil”, conta Marla. Um quimono de casamento, por exemplo, bordado e com brocado pode chegar a US$ 40 mil. E essa decoração vai além dos fios de seda e do tingimento: alguns dos quimonos têm até detalhes em fios de ouro e prata, que ficam em alto relevo e causam efeitos ainda mais opulentos nas peças.
Você sabia…
...que a cronologia do quimono se divide em períodos históricos, que vão de 1603 (Era Edo) a 1989 (Era Showa)?
... que um Uchikake é o exuberante traje usado por noivas e ele leva sempre motivos coloridos e dramáticos em seus bordados, pinturas e até nos detalhes em ouro?
... que um Shiromuku é outro traje usado pela noiva, mas somente durante a cerimônia? Ele é sempre branco, com detalhes em brocado e adamascado.
... que um Tomesode é um quimono preto usado por mulheres mais velhas e pelas casadas para cerimônias formais?
... que um Furisode é o traje mais elegante usado por uma mulher solteira? Ele tem longas mangas e pode ter qualquer cor. É difícil encontrar um Furisode antigo atualmente e, por isso, ele desperta muita atenção dos colecionadores.
... que o Katazome é um tecido produzido com estêncil a partir de uma pasta compactada de arroz e usado principalmente em trajes de verão?
... é possível comprar um quimono infantil no valor US$ 13.550 no site de Marla Mallett? O preço que se paga é por levar para casa um pedaço da história do Japão: o traje fora doado a um comandante japonês durante a ocupação de uma base americana, no fim da Segunda Guerra Mundial.
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