Nesta sessão são publicadas matérias sobre os segmentos do Luxo com enfoque no Mercado, tanto no Brasil quanto no exterior. Informações recentes sobre demanda, segmentação, desenvolvimento de marcas, produtos e serviços de luxo, podem ser encontradas aqui.
 
 

Roteiro exclusivo e estrutura refinada sobre os trilhos

MERCADO | Estilo de Vida
Por Priscilla Portugal

Cansado dos tradicionais roteiros turísticos? Que tal embarcar em um passeio de trem por regiões pouco exploradas, confortavelmente acomodado em uma poltrona de couro e com uma taça de champagne na mão? E isso sem precisar enfrentar os temidos atrasos nos aeroportos ou o tráfego rodoviário...

A partir de 23 de abril entra em funcionamento o primeiro trem de luxo do Brasil. Com o nome “Great Brazil Express”, o projeto é da companhia belga Transnico International que, em parceria com as empresas brasileiras Serra Verde Express, BWT Operadora, e com as companhias Ferroeste e Embratur, investiu aqui cerca de dois milhões de reais. “Na verdade, a idéia de implantar um trem de luxo no Brasil nasceu em abril de 2004, após seis anos de freqüentes conversas entre mim e o empresário belga Thierry Nicolas”, conta Adonai Arruda, um dos diretores do Great Brazil Express.


Já pelo nome dado ao trem e pelo site www.greatbrazilexpress.com (inteiro em inglês), fica claro que o foco são os turistas estrangeiros. O site ainda conta as maravilhas deste País tropical, incluindo informações básicas sobre o Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu, por exemplo. Mas quem se importa? Por mais brasileiro – ou paranaense – que se possa ser, a viagem é uma oportunidade única de sentir um gostinho da sofisticação européia com o carisma do atendimento brasileiro e o calor das nossas paisagens. “Por mês, nossa expectativa é transportar 176 turistas (são disponibilizados 44 lugares por viagem), o que corresponde a cerca de 2.100 por ano”, conta Adonai Arruda.


O requinte mora nos detalhes

O trajeto oferece vista para o mar, a serra, as montanhas, as formações rochosas e uma amostra considerável e intacta de Mata Atlântica. E tudo isso em alto estilo. “Toda a estrutura do trem foi concebida baseada nos critérios de luxo”, expõe Adonai Arruda. O que isso significa? A presença de três comissários poliglotas por vagão e uma tela de plasma posicionada ao lado do bar mostrando ao vivo toda a paisagem que ficou para trás. A decoração busca reproduzir uma atmosfera inspirada na época colonial do Brasil, com poltronas no estilo Ralph Lauren revestidas de couro e com forro de penas de ganso, cortinas de seda, reproduções de Debret e Rugendas. O teto é pintado a mão com imagens da flora brasileira e o sistema all-inclusive ainda permite a abundância tão apreciada pelos brasileiros.


Um dos pacotes mais completos dura oito dias, sai do Rio de Janeiro de avião e chega a Curitiba, de onde parte o trem pelas cidades históricas do litoral paranaense, pelos Campos Gerais (conhecendo as curiosas formações rochosas do Parque de Vila Velha, em Ponta Grossa e dos Canyons da região de Tibagi), por Cascavel e Foz do Iguaçu, o que inclui as Cataratas.

Na realidade, dentro do trem, o turista passa apenas dois dias, mas as outras etapas da viagem são igualmente luxuosas: a hospedagem se dá em hotéis cinco estrelas e as refeições, em restaurantes refinados, como um almoço no histórico Castelinho do Batel, palco das mais requintadas festas de Curitiba. “Nossos serviços são refinados e foram pensados para que o usuário se encante com tudo”, explica Adonai Arruda.

Descendo do Great Brazil Express, o deslocamento dos viajantes acontece em ônibus da categoria luxo e com guias bilíngües. Há ainda a possibilidade de personalizar ou estender o passeio realizando trechos aéreos até Salvador, Pantanal, Buenos Aires (Argentina) e Assunção (Paraguai). Os preços para o pacote de oito dias são cerca de 2.600 euros (6.760 reais) em quarto duplo e 3.000 euros (7.800 reais) em quarto single. As extensões são pagas à parte.

Serviço:

Great Brazil Express
Telefone: (41) 3323-4007
www.greatbrazilexpress.com (em inglês)


 
 

Uma mala digna de 007

MERCADO | Moda e acessórios
por Ana Julia Prieto

Definitivamente mala não é tudo igual. Que o diga a Louis Vuitton, que começou seu império fabricando esse item, ou a Rimowa, que acaba de desembarcar no Brasil. Líder mundial em bagagens de alumínio e policarbonato voltadas ao segmento de luxo, as malas da marca alemã passam por até 90 etapas de produção, muitas ainda artesanais, e levam mais de 200 componentes para garantir sua qualidade reconhecida por artistas de Hollywood, fotógrafos internacionais e a própria Porsche, cujos carros mais disputados saem com malas Rimowa no bagageiro.

Fundada em 1898 por Paul Morazeck e seu filho Richard, na cidade alemã de Colônia, a Rimowa nasceu como fabricante de malas de couro. Mas ao perceber que apenas as placas de alumínio sobreviveram a um tremendo incêndio que consumiu sua fábrica durante a II Guerra Mundial, a família Morazeck decidiu inovar. Já em 1936 surgem no catálogo da marca as primeiras bagagens ultra-resistentes.

Nos anos 1970, graças a um desenvolvimento tecnológico liderado por Dieter Morazeck – terceira geração da família e hoje presidente mundial da empresa – foi lançada a primeira mala de alumínio à prova d´água. A novidade conquistou imediatamente fotógrafos, repórteres fotográficos e cinegrafistas, que viram a possibilidade de transportar filmes e equipamentos em qualquer condição de temperatura e local, sem riscos.


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De lá pra cá, diversos modelos e tamanhos de malas foram criados para atender os viajantes mais exigentes. Cada qual com as laterais reforçadas e o alumínio com ranhuras – grooves – que se tornaram símbolo da marca ao se manterem intactas nas esteiras de aeroporto, mesmo tendo sido submetidas aos tratamentos mais bruscos durante a viagem.

No portfólio, há desde porta-notebooks, frasqueiras e malas executivas nas cores prata, azul, vermelho, preto, dourado e âmbar, a verdadeiros baús, que quando colocados na vertical podem ser usados como armários. É o caso do modelo “Tango 77 Multiwheel”, com 82 cm de altura, 55 cm de largura e 34 cm de lateral. Internamente, duas câmaras com acessos independentes, armazenam verdadeiras prateleiras e cabideiros para vestidos, camisas, cintos e produtos de higiene pessoal. O modelo, vendido em São Paulo por R$ 3.640, teve seu estoque esgotado logo nas primeiras semanas de abertura da loja. Agora, para arrematar o novo objeto de desejo, é preciso entrar em uma lista de espera e torcer para que a próxima importação da empresa chegue logo ao País.

Outro modelo que vem chamando a atenção do público mais sofisticado é o “Topas”, criado nos anos 1950. Mas graças a um processo de eletrólise com o ouro, a mala ganhou nova roupagem dourada, sem perder suas características de estabilidade e proteção contra alta umidade do ar e mudanças bruscas de temperatura. Internamente, traz bolsos e divisões de couro. Preciosidade que sairá por R$ 3.440.


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Parte importante no projeto expansionista iniciado em 1981, a Rimowa inaugurou sua primeira loja na América Latina em dezembro de 2007, mais especificamente em frente à loja Ermenegildo Zegna e ao hotel Fasano, no bairro dos Jardins, em São Paulo. “Apesar de se falar muito do consumo das classes C e D no Brasil, não se pode esquecer que o País é enorme e a classe A engloba mais pessoas que muitos países europeus”, diz Ulrich Weskott, CEO da Rimowa para a região. O próximo passo será a conquista do mercado mexicano, país que junto com o Brasil concentra 70% do mercado de luxo no continente.

A marca, que hoje produz em torno de 150 mil malas e bagagens por ano, já está presente na Europa, Estados Unidos e Japão.

 
 
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edição nº 85 -