As atividades da Sotheby’s, casa de leilões mais antiga do mundo, tiveram início em 1744, quando Samuel Baker leiloou uma biblioteca inteira, na antiga Londres. É verdade que seu resultado financeiro não foi lá grandes coisas, mas não demorou muito para que a fama de bom leiloeiro corresse toda a cidade e desse a Baker ótimos contatos e a possibilidade de apregoar algumas das mais importantes coleções de livros da época. Caso das brochuras que permaneceram ao lado do imperador francês Napoleão Bonaparte até sua morte na Ilha de Santa Helena, na costa da África, onde foi exilado em 1814. Ou das bibliotecas dos duques de Devonshire e Buckingham.
Com a morte de Baker, em 1778, a casa que já gozava de respeitabilidade e fama entre os amantes da literatura passou a ser administrada por seu antigo sócio, George Leigh, e seu sobrinho John Sotheby. Aos poucos, a dupla começou a incluir no catálogo de leilões lotes raros de moedas antigas, medalhas, quadros e gravuras, ampliando assim a gama de objetos trabalhados pela casa. No fim da Primeira Guerra Mundial sua atividade ligada às obras de arte já era tão proeminente que a empresa teve de trocar sua antiga localização, na Wellington Street, para o prédio que até hoje lhe serve de ponto de referência na New Bond Street, em Londres.
Em 1955 a casa abre sua primeira sala de leilão nos Estados Unidos, mais precisamente em Nova York. Nove anos depois, compra a Parke-Bernet, então a maior casa leiloeira de artes plásticas da América, responsável pela venda do quadro “Aristóteles contemplando o Busto de Homero”, de Rembrandt, por US$ 2.3 milhões, um recorde que levou 18 anos para ser batido.
Mas o movimento expansionista não havia terminado. Sempre atenta a novas oportunidades de mercado, a empresa abriu novos escritórios nos EUA, na França, Austrália, Itália, Canadá, Alemanha, China, Tailândia, Israel, México e até mesmo no Brasil, onde é representada pelo bibliófilo e editor Pedro Corrêa do Lago. A gama de objetos ofertados também cresceu, acrescentando aos livros, raridades nas artes plásticas, na decoração, na joalheria, nos vinhos, roupas, peles, tapeçarias, móveis, moedas e fotografias.
Com tamanho prestígio, não foi de espantar quando em 1977 se tornou uma empresa de capital aberto, tendo voltado à condição de empresa privada em 1983, quando foi adquirida pelo empresário A.Alfred Taubman e um pequeno grupo de investidores, que cinco anos mais tarde a ofertou novamente na Bolsa de Valores. Só nos primeiros seis meses de 2007, a empresa faturou US$ 486,9 milhões, valor acima do resultado acumulado de todo o ano de 2006.
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Garçon au Gilet Rouge |
No hall de leilões históricos da Sotheby’s está a venda do quadro de Cézanne “Garçon au Gilet Rouge”, em 1958, por 220 mil libras, valor cinco vezes superior ao recorde obtido em leilão por uma obra de arte, na época. Em 1987, as jóias da duquesa de Windsor foram arrematadas por mais de US$ 50 milhões, durante um disputado pregão. Dois anos mais tarde, em uma sessão especial realizada simultaneamente nas salas de Londres e Nova York, pinturas impressionistas e modernistas foram arrematadas por US$ 1.1 bilhão. Em maio de 1995, o diamante de 100,10 quilates Star of the Season foi arrematado na casa por 19,8 milhões de francos suíços (US$ 16,9 milhões), um valor que nenhuma outra pedra preciosa conseguiu igualar até hoje.
O último grande leilão da Sotheby's aconteceu em dezembro, em Nova York. Foi apregoada uma rara cópia, de 710 anos, da Carta Magna promulgada como lei pelo Parlamento britânico em 1297, estabelecendo direitos à população inglesa e impondo limites ao poder da monarquia. A peça foi leiloada por 14,8 milhões de euros. |