No grupo dos países em desenvolvimento, a Rússia, que em 2008 comemorava em clima de euforia um crescimento de 6%, foi o país mais afetado pela crise econômica internacional. Em posição vulnerável por estar amarrada ao valor das commodities, a economia russa viu suas reservas evaporarem quando o seu principal produto de exportação – o petróleo-, sofreu uma desvalorização de 70% durante o período. Como resultado, a crise derrubou as maiores fortunas do país, trazendo desdobramentos negativos sobre a poupança da classe média.
No setor do luxo, uma frente fria se instalou sobre o mercado que mais celebrou a inauguração de lojas no ano passado. O varejo registrou queda nas vendas durante o primeiro semestre e muitas marcas anunciaram que simplesmente pararam de crescer. Os reflexos estão por toda parte: uma loja de Vivienne Westwood foi fechada, outra da marca Tom Ford teve a inauguração adiada para o próximo ano e a Versace desistiu de inaugurar uma unidade que estava agendada, sem comunicar o motivo. “Registramos queda de 30 a 40% nas vendas”, disse Irina Bytchkova, gerente de uma loja da marca Celine.
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As quedas divulgadas pelas marcas de luxo refletem uma mudança nos gastos do consumidor que precisou se adaptar ao dinheiro mais curto. Segundo o Fashion Consulting Group, antes da crise o consumidor médio escolhia duas ou três peças de roupa a cada compra. Hoje, a quantidade de peças está em torno de 1,5 itens. O tíquete do consumidor médio caiu de 15% a 20%.
Ainda que os analistas estejam projetando crescimento zero para a economia interna em 2009, as perspectivas de longo prazo não são ruins. Alguns especialistas acreditam que o país mais extenso do mundo sairá fortalecido da crise. Apesar da redução drástica no número de milionários russos em poucos meses, as vendas continuam fortes se comparadas a outros mercados. No setor da alta joalheria, por exemplo, as vendas estão aquecidas, como prova de que o consumidor rico desloca seus gastos para bens que representam bons investimentos. “Nada mudou em comparação aos últimos anos. A crise não surtiu efeito”, disse Yekaterina Vetrova, gerente da loja Boucheron.
Além disso, o consumidor russo não abastece apenas a demanda das lojas de Moscou. Lojas em Londres e em Dubai reportaram que o volume de consumidores russos não diminuiu. Segundo informações publicadas no WWD, no primeiro semestre o fluxo de turistas russos em Dubai aumentou 7% em relação ao mesmo período do ano passado.
Apesar da recente desaceleração, os executivos estão de olho no longo prazo e no potencial de expansão das marcas de luxo em um país que possui nada menos do que 11 fusos horários. Empresas que investiram recentemente na Rússia apostam na recuperação daquele típico consumidor russo, que possui um largo apetite pelo luxo e pela exclusividade. A escritora russa Marina Yudenich é uma das melhores representantes dessa classe. “As pessoas estão comprando aquilo que compravam antes. A crise econômica não mudou isso”, disse a escritora. No que depender dela, o mercado russo voltará a ferver.

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