Mais de 140 anos de tradição fizeram da suíça IWC – grife que pertence a divisão de relógios do Grupo Richemont – uma especialista em combinar antigas e atuais gerações num casamento perfeito de negócios. Esse é o espírito da companhia. É da cabeça do mestre relojoeiro Kurt Klaus, por exemplo, um senhor de aproximadamente 76 anos, que trabalha na fábrica da sede, localizada em Schaffausen, na Suíça, que nascem algumas das principais criações da grife. Modelos de relógios que serão ou já se tornaram verdadeiras jóias da alta relojoaria. Porém é através da gestão de executivos como Michel Cheval, de 34 anos, diretor geral da IWC para América Latina e Caribe, que essas obras de arte chegam aos mercados latino-americanos.
Ao lado de grifes de relógios renomados como Cartier, Piaget, Vacheron Constantin, Baume & Mercier, entre outras, a IWC é uma das responsáveis pelo faturamento de € 5,3 bilhões que o Grupo Richemont obteve em 2008, contra € 4,82 bilhões registrados em 2007. Desse total € 237 milhões são referentes à América do Sul. E, claro, o Brasil está incluso.
Apesar de o mercado brasileiro ainda ser pequeno para a grife, os dirigentes da marca não escondem seus interesses pelo país. “A economia brasileira está resistindo bem à crise. Esse é um dos motivos que está tornando o Brasil um mercado cada vez mais importante para a IWC”, analisa Michel Cheval, em entrevista exclusiva ao site Gestão do Luxo durante uma visita recente ao País. Confira abaixo os principais trechos da conversa:
Gestão do Luxo – Qual é o propósito da sua visita ao Brasil?
Michel Cheval (M.C.) – Eu vim ao Brasil para preparar o lançamento da nossa nova coleção, Aquatimer, com o nosso parceiro exclusivo, a Natan.
Aquatimer |
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Gestão do Luxo – O que o mercado de luxo brasileiro representa para IWC?
M.C. – O Brasil está ficando cada vez mais importante para a nossa marca. Trata-se de uma grande nação com consumidores que conhecem muito bem os artigos de luxo. Nossa marca é conhecida no Brasil e vemos um grande potencial neste mercado para nós. Por isso estamos estreitando contatos com o nosso parceiro para fortalecer ainda mais nossa marca no país.
Gestão do Luxo – Qual é a principal estratégia de marketing para conquistar esse mercado?
M.C. – A mesma que usamos no resto do mundo. Os brasileiros são consumidores que conhecem muito bem os artigos de luxo e procuram saber cada vez mais sobre a alta relojoaria. Vamos concentrar nossa atenção em ações que aumentem esse reconhecimento. Nossa principal estratégia de marketing em 2009 é focar nos valores de nossa marca, manter o seu conteúdo autentico.
Gestão do Luxo – Como a IWC analisa a realidade econômica brasileira?
M.C. – Apesar da atual situação econômica mundial, a economia brasileira está resistindo muito bem à crise. O mercado cresceu mais de 30% até agora. A IWC não sente qualquer recessão no Brasil, ao contrário estamos crescendo por aqui.
Gestão do Luxo – Qual é o público alvo da IWC no Brasil?
M.C. – Homens inteligentes, educados, bem-sucedidos, apaixonados pela engenharia dos relógios e inspirados pela tecnologia. Geralmente nossos clientes são donos de mais de um relógio IWC. Temos seis diferentes famílias de relógios, cada um com uma identidade diferente: Portofino, Aquatimer, Pilot, Ingenieur, Português e Da Vinci.
Galapagos Islands |
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Gestão do Luxo – Quais são os lançamentos da IWC em 2009?
M.C. – Temos três grandes lançamentos em 2009. O primeiro e principal deles é o relançamento da coleção Aquatimer que inclui os modelos Aquatimer Deep Two, voltado para mergulhadores profissionais; Aquatimer Cronógrafo Edição Galapagos Islands, em homenagem a Fundação Charles Darwin, em Galápagos; Aquatimer Cronógrafo; Aquatimer Cronógrafo em ouro vermelho e Aquatimer Automático 2000. O segundo grande lançamento é o Big Ingenieur Chrono e Big Ingenieur Ltd Edition Plastiki. Esse último é o resultado de uma parceria que a IWC fez com aventureiro e ambientalista David de Rothschild. Ele vai cruzar o Oceano Pacífico em um barco chamado "Plastiki" feito de 12.000 garrafas PET para informar o mundo sobre os enormes prejuízos que o lixo plástico traz aos Oceanos. O último grande lançamento é o novo Da Vinci Digital Calendário Perpétuo, que é uma continuação do nosso sucesso Português Calendário Perpétuo.
Aquatimer Automático |
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Gestão do Luxo – Os efeitos desta crise atingiram a marca de alguma forma?
M.C. – Existe, sem dúvida, uma diminuição do número de compradores durante o período de crise, mas percebemos que quem compra nossos produtos agora são consumidores que estão à procura de valorizar seu dinheiro. Eles querem comprar um produto tradicional, marcas de boa qualidade. A IWC é uma marca que traz satisfação para o amante de relógios, portanto, é menos afetada pela crise do que provavelmente algumas outras marcas relógio. Apesar da crise estamos esperando bons resultados em 2009.
Gestão do Luxo – Qual é o tamanho da IWC na América Latina?
M.C. – A IWC está presente em dez países latino-americanos: Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Chile, Argentina, Uruguai e, naturalmente, o Brasil. Ao todo são 17 lojas incluindo quatro no Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Gestão do Luxo – Qual é o mercado mais importante da IWC na América Latina?
M.C. – A Argentina é o mercado mais forte no momento na América Latina. No entanto, México e Brasil são mercados com potenciais muito elevados. Hoje o Brasil é um dos mercados mais importantes para a IWC na América Latina.
Aquatimer Automático |
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Gestão do Luxo – A IWC tem planos de expandir seus pontos de venda na América Latina?
M.C. – Estamos muito seletivos na escolha de nossos novos pontos de vendas e futuros parceiros. A IWC não vai estar presente em uma grande quantidade de lojas. Queremos estar presentes nas melhores lojas apenas. Neste ano abriremos um ponto de venda no Panamá e, em breve teremos um representante em Brasília, que é uma cidade com muito potencial. Isso é tudo.
Gestão do Luxo – Quanto a IWC pretende investir em 2009 para a sua expansão no Brasil ou na América Latina em geral?
M.C. – O que posso dizer sobre investimentos é que o Brasil é parte de nossa prioridade na América Latina.
Gestão do Luxo – Qual o tamanho da IWC no mundo?
M.C. – Temos cerca de 1.200 lojas em todo o mundo, sendo que 27 são lojas próprias. Vamos inaugurar em junho uma flagship em Hong Kong, que será uma experiência única na marca.
Gestão do Luxo – Como assim?
M.C. – Esta flagship convidará os seus clientes a descobrir a IWC Schaffhausen e seu fascinante mundo de produtos. Juntamente com os relógios, a IWC exibirá uma série de ícones selecionados exclusivamente. Será uma coleção composta por peças totalmente únicas que foram criadas exclusivamente e que ilustrarão nossas fascinantes histórias envolvendo nossas seis famílias de relógios. Cada item estará disponível na loja em pequenas quantidades em um período limitado. Essa estratégia tornará cada visita à loja uma experiência individual.
Gestão do Luxo – A IWC tem planos para expandir seus pontos de venda no mundo?
M.C. – No restante do mundo temos planos de expandir o nosso número de lojas nos mercados emergentes como Rússia, China e Índia. Agora, o número de lojas que serão instaladas ainda será definido. Isso dependerá da disponibilidade de bons parceiros nesses países. Essas lojas, obviamente, serão instaladas nas grandes cidades de cada país e ou em pontos turísticos locais. Quanto aos mercados maduros, não estamos considerando aumentar o nosso número de lojas.
Gestão do Luxo – Qual é o principal mercado da IWC no mundo?
M.C. – O principal mercado para IWC é a Europa. Somos uma marca líder na maioria dos países europeus, especialmente em países como Alemanha e Suíça. Mas também somos muito fortes em outros países, como Itália, França, Espanha e Reino Unido.
Gestão do Luxo – Quem são os principais concorrentes da marca nestes mercados?
M.C. – Temos muitos concorrentes. Como as nossas famílias de relógios abrangem os relógios clássicos, esportivos e complexos, os preços variam de US$ 3 mil a US$ 300 mil. Portanto, temos diferentes concorrentes para cada tipo de relógio.
Gestão do Luxo – A IWC tem parcerias com movimentos ambientalistas e sociais. É possível se destacar no mercado de luxo e realizar ações sociais?
M.C. – A responsabilidade social é uma parte muito importante da nossa estratégia de marketing global. A IWC é a primeira empresa de relógios no mundo que detém um estatuto de neutralização do carbono. Lançamos este programa há dois anos e o resultado foi muito mais positivo do que o esperado.
Gestão do Luxo – Quais são as principais estratégias sociais para 2009?
M.C. – Cada parceria está ligada a uma determinada linha de produtos. Por exemplo, a colaboração com a Fundação Charles Darwin está ligada à nossa linha Aquatimer, onde temos uma edição especial chamada Galapagos Islands. Na linha Pilot temos uma edição especial limitada chamada Big Pilot Saint Exupery Edition, onde trabalhamos juntos há muitos anos com a Fundação Antoine de Saint Exupery. Em nossa linha Ingenieur temos uma edição limitada chamada Plastiki, dedicada à nossa parceria com o aventureiro e ecologista David de Rothschild e, como somos um parceiro global da Fundação Laureus, dedicamos cada ano uma edição especial limitada a eles.

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