O Hotel Imperial de Nova Delhi foi sede da Conferência do International Herald Tribune sobre o Luxo, que teve como tema as ameaças e as oportunidades do mercado indiano.
Segundo um relatório divulgado pela Bain & Co. em 2008, o setor do luxo poderá crescer 25% ao ano pelos próximos 15 anos. Atualmente as lojas de luxo representem apenas 0,4% de toda a atividade de varejo na Índia. Com perspectivas tão otimistas não é de se espantar que a Índia tenha despertado o interesse de tantas empresas.
No entanto, as barreiras impostas pelo mercado indiano ainda são enormes. “Entrar nesse mercado requer investimento pesado e muita paciência”, disse John Hooks, diretor administrativo da Giorgio Armani SpA. “Como somos um grupo de marcas direcionadas ao setor do luxo, preferimos gerenciar diretamente as operações de marcas como Giorgio Armani e Emporio Armani. Mas, na Índia, nenhuma companhia estrangeira pode deter mais de 51% de participação em um negócio estabelecido no país, então é preciso encontrar um parceiro local. Foi por isso que inauguramos nossa primeira loja no shopping de luxo Emporio, em Nova Delhi, desenvolvido pelos nossos parceiros, o Grupo DLF.”
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Mohan Murjani, presidente do Grupo Murjani Group, que trouxe a Tommy Hilfiger para a Índia em 2004, fez uma análise do mercado indiano a partir da sua experiência com marcas premium. “Nosso grupo possui 850 pontos de vendas no país, sendo que oito foram inaugurados só este mês. Contudo, 98% da nossa receita é gerada por marcas premium como Calvin Klein, French Connection e Tommy Hilfiger” disse Murjani. “Nosso grupo tem parceria com o Grupo Gucci, mas as marcas de luxo representam apenas 2% da nossa receita.”
Na opinião de Murjani, as marcas de luxo não conseguem se desenvolver no mercado indiano por causa do preço altíssimos dos produtos. “O consumidor final na Índia paga um preço de 30 a 60% maior por causa dos impostos de importação. Um produto de luxo custa muito mais caro na Índia do que fora do país”, comenta Murjani. As marcas premium, no entanto, estão conquistando espaço no mercado indiano porque possuem preços competitivos. A diferença está no modelo de negócio das empresas: enquanto as marcas de luxo entregam o produto pronto e cobram pelo lucro na ponta do processo, as marcas premium licenciam a fabricação para fornecedores locais.
A falta de locais adequados para instalar lojas de luxo foi outro problema levantado. O varejo na Índia é extremamente fragmentado e os poucos locais disponíveis possuem preços proibitivos. Para se ter uma idéia, apenas 4% da atividade de varejo é organizada. “Além disso, não existem outlets para escoar as coleções passadas dessas marcas com um mínimo de dignidade”, disse Murjani.
Os empresários concluíram que a Índia está pelo menos 10 anos atrás da China em termos de infraestrutura. “O mercado indiano ainda é muito imaturo”, disse Hooks, “Mas, pelo menos, já conseguimos fincar a nossa bandeira aqui.”
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