As más notícias estão se espalhando pelos quatro cantos do mundo, mas muitos analistas preferem manter o otimismo em relação aos mercados emergentes. De acordo com um relatório divulgado recentemente pelo banco suíço Vontobel, o crescimento na Ásia será menor do que se esperava há um ano, mas ainda assim deve atingir a casa dos dois dígitos, com exceção do Japão.
Maureen Hinton, analista de varejo da Verdict Research em Londres, acredita que uma crise na Ásia precisa ser “muito, muito grave” para atingir os setores de moda e de marcas de luxo. “O Japão é um mercado problemático já há algum tempo, mas a China está se saindo bem e, se considerarmos o aumento das pessoas ricas na região, ainda há um grande potencial de crescimento.”
David Stoddart, analista de varejo da Altium Securities, em Londres, é um pouco mais cauteloso, mas acredita que as marcas de luxo serão menos atingidas em países como Rússia, China, Índia e Oriente Médio. “Alguns mercados emergentes serão mais afetados que outros e as condições ficarão mais difíceis para marcas intermediárias”, disse.
No curto prazo, os especialistas estão projetando a sombra da crise sobre o mercado imobiliário e de mobilidade, que inclui carros, barcos e aviões. Segundo uma porta-voz da Anya Hindmarch “as pessoas vão pensar duas vezes antes de gastar dinheiro com um novo carro ou novo imóvel, mas vão continuar gastando com roupas e acessórios”.
Muitos também comentam a tendência de haver um aumento da demanda nos segmentos de jóias e relógios. Segundo uma porta-voz da Richemont, “em tempos difíceis, muitas pessoas investem em metais preciosos”. A própria Richemont e a Gucci estão focadas na venda de jóias e relógios para contrabalancear os resultados no longo prazo.
Segundo a executiva da Richemont, que reúne as marcas Cartier, Van Cleef & Arpels e Dunhill, 25% das vendas da empresa são geradas na Ásia. “Estamos ampliando nossa base de consumidores pela Ásia. No entanto, 13% do nosso negócio está no Japão, portanto, não estamos imunes ao que está acontecendo. Esperamos que o mercado se ajuste e que os consumidores retomem a confiança”, disse a porta-voz.
|