Nesta sessão são publicadas matérias sobre os segmentos do Luxo com enfoque em Gestão.  Informações recentes sobre a compra e venda de marcas pelos conglomerados do luxo, marcas que estão s endo reposicionadas ou entrando em novas categorias de produtos, e análises das estratégias adotadas pelas empresas do setor do luxo, podem ser encontradas aqui.

 
 

O polêmico plano estratégico da Tiffany

GESTÃO DE NEGÓCIOS | Jóias e Relógios
por Patrícia Gaspar

Para uma marca do segmento do luxo, a Tiffany & Co. está colocando em prática uma estratégia ousada que prevê a inauguração de lojas menores e a venda de jóias femininas a preços mais acessíveis.

A loja que caracteriza a nova estratégia da empresa, com cerca de 200 m², foi inaugurada com a presença de investidores durante um café da manhã em Wall Street. A companhia planeja abrir 70 lojas dentro do novo conceito, com jóias femininas, sendo a maioria em prata, custando entre US$ 100 e US$ 15 mil.

Os executivos da empresa afirmam que a nova estratégia dará maior visibilidade aos produtos que se perdem nas grandes lojas da Tiffany. Eles alegam também que as lojas menores tendem a ser mais rentáveis, com uma margem maior e menores estoques. A estratégia ampliará a base de consumidores e a marca ganhará versatilidade, com uma linha mais extensa de produtos para diferentes humores e ocasiões. “É simplesmente um novo jeito de ver a Tiffany”, disse Michael J Kowalski, presidente e chefe executivo da empresa.

No entanto, essa é uma decisão arriscada e que segue na contramão das estratégias adotadas pelas joalherias de luxo. Chopard, Boucheron, Graff e Cartier fazem questão de fincar suas estacas no degrau do luxo absoluto, vendendo jóias cada vez mais exclusivas e caras para um segmento de mercado que ainda não perdeu a classe diante do nervosismo da economia mundial.

reprodução

Peça da nova coleção

Para minimizar os efeitos negativos da expansão e preservar o seu posicionamento, a Tiffany tem a opção de sustentar o valor da marca utilizando suas jóias de alto nível e seus famosos anéis de noivado, que vendem cerca de 20% a mais a cada ano. Esses produtos continuarão sendo vendidos somente nas lojas conceito, maiores e mais requintadas. No entanto, ainda que a comunicação da marca seja concentrada nos produtos top, é praticamente impossível que a percepção do consumidor não se modifique diante do número crescente de lojas menores, vendendo produtos mais acessíveis.

Portanto, não se trata de um simples plano de expansão, mas de uma mudança de conceito que causará impacto sobre o posicionamento da marca. Mesmo que a Tiffany continue produzindo peças de alta joalheria sob encomenda, a marca tenderá a ser reconhecida pelos produtos de preços medianos que deverão circular com maior freqüência. Se, por um lado, a marca ganha em volume, por outro ela perde prestígio e presença ao lado de marcas da alta joalheria no segmento do luxo. Quais serão as conseqüências dessa estratégia na receita da empresa nos próximos anos? Façam suas apostas.

 
 

O Papel da comunicação no mercado de Luxo (parte 1)

Como a propaganda e as relações públicas se combinam para construir marcas de prestígio mundial

GESTÃO DE NEGÓCIOS | Estilo de Vida
Por André D’Angelo

Propaganda é a alma do negócio? Nem sempre. Mercados de massa, de fato, dependem bastante da propaganda para a divulgação de novos produtos e a consolidação de marcas. Por mais que a internet e os pontos-de-venda tenham adquirido importância nas ações de comunicação, ultimamente, o anúncio puro e simples em TV, rádio e jornal constitui parte obrigatória de qualquer plano de marketing que pretenda gerar vendas e atingir consumidores de perfis sócio-demográficos variados.

Essa tática, no entanto, não vale para o mercado de luxo. O grande objetivo das empresas no mercado de luxo é tornar seus produtos sinônimos de sofisticação, de modo que possam cobrar preços elevados por eles, bem como construir marcas fortes o suficiente para alavancar novos negócios a partir delas. Para isso, a comunicação desempenha papel fundamental – o que não significa dizer que a propaganda seja sua ponta-de-lança.

As ações de comunicação de uma marca de luxo são determinadas a partir de duas variáveis principais: o nível de acessibilidade do produto de luxo e o estágio de desenvolvimento da marca no mercado.

A primeira variável diz respeito ao quão acessível é o produto de luxo aos consumidores, no que tange ao preço. Produtos como alimentos, bebidas, cosméticos e perfumes são considerados acessíveis, uma vez que seus preços unitários, ainda que muito acima de equivalentes convencionais, podem ser comportados pelo orçamento de um consumidor de classe média. Produtos intermediários, por sua vez, são aqueles que exigem do consumidor um poder aquisitivo mais elevado, visto que, não raro, seus preços unitários se equivalem ao salário de muitos profissionais -  roupas, bolsas, sapatos e jóias enquadram-se aqui. Já os produtos de luxo inacessíveis têm caráter eminentemente patrimonial, e só são adquiridos pelos muito ricos: embarcações, mansões, aeronaves e peças de alta joalheria estão neste grupo.

Pois bem, a tendência geral das ações de comunicação das marcas de luxo, levando em consideração o nível de acessibilidade de seus produtos, é:

  1. utilizar as ações de relações públicas (RP) de maneira intensiva para todos os produtos; e
  2. valer-se da propaganda principalmente para produtos acessíveis e intermediários.
  3. Imagine uma pirâmide, na qual a base seja formada pelos produtos acessíveis, o miolo pelos intermediários e o topo, pelos inacessíveis. À medida que se sobe na pirâmide, aumenta a importância das ações de RP para construção da marca e geração de vendas. No sentido contrário funciona a propaganda: torna-se mais relevante à medida que se desce do topo para a base.
Convém esclarecer: as relações públicas são utilizadas de maneira intensiva em todos os “andares” desta pirâmide. No entanto, sua importância cresce à medida que o nível de acessibilidade dos produtos diminui, pois ela se torna, a rigor, a principal (e às vezes, a única) ferramenta para arregimentação de consumidores – uma vez que a propaganda restringe-se aos primeiros andares da pirâmide e, ainda assim, jamais é intensiva.

A segunda variável é o estágio de desenvolvimento da marca no mercado: lançamento, crescimento ou consolidação. Novamente, as RPs são utilizadas de maneira intensiva em todos os estágios. A intensidade de utilização da propaganda é que varia: praticamente nula no início das atividades, moderada em sua fase de crescimento, e de pequena a moderada em seu momento de consolidação.

Mas por que as RPs são tão relevantes? Principalmente porque é através dela que se atingem os formadores de opinião – aqueles que adotarão a marca e serão alvo da atenção dos demais consumidores. As RPs também são um mecanismo eficaz para obter divulgação espontânea sobre a marca, seja através do boca-a-boca dos consumidores, seja via imprensa. As ações de RP servem igualmente para tornar a marca visível para o público-alvo e conferir-lhe uma identidade.

As ações de RP mais utilizadas são os eventos, que se dividem em três tipos:

  1. Aqueles voltados à divulgação e à construção da identidade da marca, como o patrocínio ou a promoção de eventos esportivos e culturais (ex: Volvo Ocean Race, BMW Open de Tênis, etc.);
  2. Os eventos destinados à apresentação de novos produtos e coleções, como desfiles ou pequenas reuniões sociais com compradores em potencial; e
  3. Os destinados a firmar um relacionamento com os clientes atuais, como jantares, coquetéis e convites vips para eventos patrocinados pela marca. Um exemplo recente desse tipo de evento ocorreu em março de 2007, quando a Louis Vuitton do Brasil convidou clientes para um jantar na sua flagship store de São Paulo. Durante o evento, não houve apresentação de produtos nem qualquer anúncio à imprensa; a intenção era simplesmente reunir os clientes da marca.

Outras ações de RP bastante utilizadas são as publicações próprias (como as revistas Daslu, BMW Magazine, Audi Magazine, Art Cartier) e a manutenção de bom relacionamento com a imprensa – porta para a exibição de produtos em editoriais de moda ou seções com dicas de compras.

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Revistas Daslu, Cartier e BMW

As ações de RP são complementadas pelas ações de publicidade e propaganda – tema da segunda parte deste artigo, na próxima edição.

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Autor de “Precisar, não Precisa – um olhar sobre o consumo de luxo no Brasil” (ed. Lazuli/Cia. Editora Nacional).
Site: www.precisarnaoprecisa.com.br.
E-mail: livro@precisarnaoprecisa.com.br.

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