Nesta sessão são publicadas matérias sobre os segmentos do Luxo com enfoque em Gestão.  Informações recentes sobre a compra e venda de marcas pelos conglomerados do luxo, marcas que estão sendo reposicionadas ou entrando em novas categorias de produtos, e análises das estratégias adotadas pelas empresas do setor do luxo, podem ser encontradas aqui.

 
 

Construindo o consumidor de luxo na China

GESTÃO DE NEGÓCIOS | Moda e Acessórios
por Patrícia Gaspar

Quando a Louis Vuitton abriu sua primeira loja em Pequim em 1992, perguntaram a Arnault se ele tinha certeza sobre o que estava fazendo. Parece que as coisas mudaram bastante desde aquela época. Atualmente, a loja da Louis Vuitton de Pequim vende mais do que a loja de Chicago.

O desfile da Fendi realizado recentemente em Pequim, que custou cerca de US$10 milhões, foi só uma amostra da importância da China para o grupo LVMH.
 
Quando entrou no mercado chinês, a LMVH vendia somente produtos a preços acessíveis como batons e cremes faciais. Hoje eles vendem produtos em todos os segmentos.

O conglomerado francês adquiriu vantagem em relação à concorrência, por ter sido o primeiro do setor a se estabelecer no mercado chinês. Para se ter uma idéia, eles passaram a vender o conhaque Henessy na China ainda no século XIX. Hoje, a LMVH detém uma fatia de 50% do mercado de conhaque. Outro exemplo pode ser dado no segmento de cosméticos, onde a Dior é marca mais conhecida e a mais forte.

Quanto a ser o pioneiro no mercado, Bernard Arnault responde: “Você pode programar a região que vai se tornar a região do luxo. Nós escolhemos as cidades e quais ruas seriam equivalentes à Avenue Montaigne, em Paris.”

reprodução

Mas o que explica o fascínio dos chineses por marcas francesas? “Nas mentes dos consumidores, as marcas de luxo estão anexadas ao passado. É por isso que marcas européias como Fendi, Dior e Vuitton são muito procuradas pelos chineses. Eles equipararam a qualidade, inovação e ao mesmo tempo, uma parte da história da Europa, que traz significado a eles”, disse Arnault.

Ainda que o poder de compra da maioria da população dificulte o acesso às marcas de luxo, os consumidores chineses estão se tornando mais sofisticados e conhecedores de moda internacional. “Até o início dos anos 80, os chineses não podiam sair da China,” Arnault explicou. “Agora eles podem viajar. Isso faz com que eles entrem em contato com marcas de luxo quando vão a Paris, Roma, Nova Iorque. Atualmente eles vão para a Rússia ou outros destinos na Ásia, onde o número de turistas chineses substituiu o de japoneses.”

No ano passado, a região da Ásia, exceto o Japão, foi responsável por 19% da receita da LVMH, totalizando 15.31 bilhões de euros, ou US$19.23 bilhões. Os EUA detém 26% da fatia, Japão13%, França 15% e o restante da Europa, 22%.

 

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