Partindo da premissa que o chamado segmento do luxo é
constituído por parcelas de proporção variável de diversos
e importantes setores da economia, estamos assistindo
uma escalada de interesse por parte da sociedade sobre
estas atividades.
Os meios de comunicação descobriram o luxo. Nunca o
jargão jornalístico "a imprensa pauta a imprensa", foi tão
verdadeiro. E neste festival de cobertura, como não
poderia deixar de ser, é absolutamente necessário separar
o joio do trigo. |
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Um dos conceitos que necessitam de uma explicação um
pouco mais apurada é o conceito de "mastígio". Um neologismo que quer dizer alguma coisa parecida a prestígio para as massas.
Recentemente, uma importante marca brasileira da área de moda para jovens, cunhou um "slogan" para sua campanha: Luxo para todos. Brilhante do ponto de vista da comunicação, mas impreciso, do ponto de vista conceitual. Bens e serviços de luxo não são para todos. Enganam-se, no entanto, os que imaginam que o contraponto da supracitada afirmação seria: Luxo para os ricos. Prefiro continuar acreditando que a melhor forma de abordar a questão seria através da expressão: Luxo para os cultos.
O episódio que vou narrar é verdadeiro. A contextualização da situação foi distorcida para evitar constrangimentos.
Dia destes, numa reunião social, comentava-se a astúcia de uma certa pessoa que havia conseguido arrematar uma obra de um consagrado artista nacional por apenas R$ 70 mil, quando um dos presentes, com uma expressão de ironia nos lábios, tomou a palavra e com a gravidade de um catedrático de uma universidade londrina sentenciou:
Que estúpido. Com este dinheiro ele podia comprar um apartamento na Praia Grande.
Nada contra os investimentos imobiliários de veraneio, muito menos contra este simpático município do litoral paulista.
Naquele momento pude perceber, na medida em que a rodinha se desfazia, que o episódio revelava muito mais do que um desconhecimento sobre o mercado de arte. Revelava uma visão de mundo, uma escala de valores mentais que irá presidir todas as decisões de compra que este Senhor fará nos próximos anos.
Acompanhei-o com o olhar e testemunhei aquilo que pareceu um ar de vitória, de supremacia do pragmatismo sobre a emoção, do simples sobre o complexo.
É por estas e por outras, muitas outras, que pelo menos para mim, o luxo não é para todos.
Silvio Passarelli |