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Consumidores confortáveis para comprar

Enquanto alguns fecham as carteiras, outros abrem os laptops

COMPORTAMENTO | Jóias e relógios
Por Patricia Gaspar - 15/04/2009

De acordo com um relatório divulgado pela Bain & Co., as vendas online de produtos de luxo cresceram 65% em 2007 para 1,5 bilhão de euros, ou US$ 2, 06 bilhões. Em 2008, mesmo com o impacto negativo causado pela crise, as vendas por internet também deverão trazer resultados robustos.
 
“As vendas online deverão ser menos afetadas pela crise, porque há uma base maior e mais diversificada de consumidores, e menores barreiras psicológicas”, disse Claudia D’Arpizio, autora do Estudo anual Luxury Goods Worldwide Market Study, divulgado em outubro.

"Barreiras psicológicas" enquanto as marcas investem milhões em lojas e no treinamento de funcionários? Exatamente. Muitos consumidores não se sentem à vontade com o que podemos chamar de "cerimonial do consumo", aquele processo ritualizado que separa o consumidor do seu objeto de desejo. Só a idéia de ter que visitar lojas, conversar com vendedores e tomar decisões entre tantas opções de produtos, pode fazer muita gente desistir de comprar.

A internet reduz as etapas que separam o consumidor da sua decisão de compra, tornando possível que ele encontre rapidamente aquilo que deseja. O consumidor “entra” na loja virtual e analisa o produto quantas vezes forem necessárias até que a decisão seja tomada.

Já durante um processo tradicional de decisão de compra, é o consumidor que precisa se adaptar à loja, programando uma visita dentro do horário comercial, se apresentando de forma adequada e se dispondo a receber o atendimento de um vendedor. Se por um lado o vendedor pode utilizar seu treinamento para enriquecer e otimizar o processo, por outro ele pode fazer com que o consumidor se sinta pressionado a realizar a compra fora do seu tempo natural de decisão.

Menos acostumados a esses cerimoniais, os homens são os que mais se declaram insatisfeitos com a experiência de compra "ao vivo". Prova disso é que a maioria dos consumidores que utilizam a internet é composta por homens e jovens em geral. Segundo a pesquisa da Bain, muitas mulheres que trabalham e não têm tempo para visitar lojas também fazem parte dessas estatísticas.

reprodução


Sala reservada na Boucheron na Place Vendome

Segundo Jean Christophe Bedos, CEO da Boucheron, além daqueles que preferem fazer compras sem abrir mão do conforto da própria casa, muitos conhecem o produto pelo site e visitam a loja da Boucheron só para ver a jóia "ao vivo" e finalizar a compra. Bedos acredita que a internet colocou a marca em contato com novos consumidores, que possuem necessidades novas e procuram uma forma facilitada de compra. Durante o processo de compra, seja na loja ou pela internet, é essencial que o consumidor se sinta confortável para escolher produtos dentro do seu próprio tempo de decisão.

Eugenia Ulasewicz, presidente da Burberry na América, confirma a tendência. "Temos registrado um crescimento de dois dígitos ano após ano nas vendas pela internet. O site superou nossas expectativas. Para se ter uma idéia ele é responsável pelo maior volume de vendas da Burberry, depois da flagship de Nova Iorque. Descobrimos também que o site acaba levando muitos consumidores às lojas."


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