Por Patrícia Gaspar

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A alta das bolsas

Quais bolsas estão em alta? Bolsas femininas ou bolsas de valores? Ambas, no caso dos conglomerados do luxo, já que o lucro dessas empresas tem sido gerado em grande parte pelas vendas de bolsas femininas cada vez mais caras. E não estamos falando das it-bags, aquelas bolsas que custam por volta de US$ 2 mil e que todo mundo reconhece, seja pelo design ou pelo monograma da marca. Estas estão por toda parte, nas ruas, nos shoppings, falsificadas em camelôs. Tornaram-se um fenômeno de massa tão evidente que abriram espaço para uma nova demanda, formada por consumidoras ansiosas por bolsas realmente exclusivas, tanto pelo viés da customização quanto pela seleção de matérias-primas.

"Quando o nosso consumidor entra em uma de nossas lojas e vê uma bolsa Azzedine Alaïa, ele compra sem perguntar o preço," disse Ikram Goldman, dono das lojas Ikram em Chicago. Uma bolsa Alaïa pode custar entre US$2.500 e US$20 mil. "Eu acredito que as pessoas querem ter bolsas realmente únicas," disse Goldman. Nesse ponto, elas são muito cuidadosas, mas não se importam tanto com o preço que vão pagar."

Os designers concordam. Muitos acham que os preços ainda não atingiram o teto máximo. Lá nas alturas, a francesa Hermès é sempre tida como referência, com bolsas que podem custar mais de US$ 100 mil. A loja Hermès de New York recebeu recentemente duas bolsas Birkin de US$148 mil. O argumento? Elas são feitas em couro de crocodilo, possuem detalhes em diamante e são tradicionais bolsas Hermès, é claro.

Assim como a Limo Washed da Bottega Veneta e a Tribute Patchwork da Louis Vuitton, que custam US$78 mil e US$42 mil respectivamente, a Birkin da Hermès já tinha lista de espera muito antes de chegar à loja.

reprodução
Birkin da Hermès

Os especialistas apontam diversas razões para o aumento dos preços das bolsas de luxo. Em primeiro lugar, o preço médio dos produtos sofreu o impacto do aumento dos custos de matérias-primas. A utilização de peles exóticas também teve uma contribuição óbvia na escalada dos preços. Além disso, a demanda também aumentou. Com o constante desenvolvimento de novos produtos, aquela consumidora que comprava uma única bolsa por estação agora compra várias - uma para cada ocasião.

Mas serão estes fatores os únicos responsáveis pelo aumento sistemático dos preços? É evidente que não. Aquela velha percepção do consumidor de que "o melhor é mais caro" continua e permite que a marcas utilizem o preço como um fator de diferenciação em relação à concorrência. No caso específico das bolsas, o preço reflete não só o valor da criação, da customização, das matérias prima e da exclusividade, mas também o valor percebido da marca em relação a outras marcas.

Segundo uma executiva da Prada: "Apesar da demanda crescente por produtos em couro, é preciso considerar a complexidade do desenvolvimento de diversos modelos, da inovação contínua em design e, principalmente, de certos custos que não podem ser reduzidos se a marca pretende preservar seu nível de qualidade e satisfazer as expectativas de um consumidor internacional. "

O que veio antes: a demanda, insatisfeita com a falta de exclusividade das it-bags, ou a oferta, criando novos objetos de desejo a preços estratosféricos? Não importa. Muitas dessas marcas já entenderam o recado.

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