Por Patrícia Gaspar

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Balenciaga: da alta costura à larga escala

Nicolas Ghesquière, estilista responsável pela revitalização da Balenciaga, está confiante. Em recentes entrevistas o estilista declarou que finalmente se sente apoiado e compreendido. A marca Balenciaga, comprada pelo Grupo Gucci em 2001, divulgou recentemente um crescimento em vendas de três dígitos em todas as categorias de produtos. " Nós sempre fomos uma marca de nicho, mas seremos em breve uma marca de grande porte", disse o estilista.

Em diferentes entrevistas, o chefe executivo da Balenciaga James McArthur descreveu o futuro da companhia em termos otimistas. "Este negócio tem o potencial de atingir mais de 200 milhões de euros," disse McArthur, que como vice-presidente executivo e diretor de estratégias e aquisições, é também supervisor das marcas Alexander McQueen e Stella McCartney. O Grupo Gucci se comprometeu a investir mais no desenvolvimento da marca, permitindo que Ghesquière contratasse uma equipe adicional de desenvolvimento de produtos, fizesse mais propaganda e construísse uma rede de varejo própria em New York e Paris.

Fontes no mercado estimam que o volume de vendas da Balenciaga's já ultrapassa 60 milhões de euros. Seria o triplo do valor que a marca atingiu em 2001, quando foi comprada pelo grupo Gucci num pacote de aquisições.

O potencial de crescimento futuro ainda é grande principalmente porque até agora somente os mercados dos EUA e da Europa têm sido priorizados. "Existem muitas partes do mundo que ainda não foram tocadas", disse McArthur, citando o Japão como exemplo. Recentemente a Balenciaga fez movimentações importantes no mercado asiático, abrindo lojas dentro de lojas maiores em Singapura, Taiwan e Koreia do Sul - com um mix de contratos de franquias e distribuição.

Mc Arthur não quis comentar o volume de capital que tem sido investido pelo Grupo Gucci para desenvolver o negócio, mas adiantou que o dinheiro será utilizado principalmente na comunicação e na abertura de lojas próprias. Os EUA, a Ásia, a Europa e o Japão são considerados mercados prioritários para as lojas de varejo, mas "o atacado será sempre considerado uma parcela significante do nosso negócio", disse McArthur.

Nicolas Ghesquière e Cristóbal Balenciaga

Ghesquière é, desde 95, responsável pela revitalização da marca que definhou após a morte de Cristóbal Balenciaga em 72. Mas foi somente depois da compra da Gucci em 2001, que Ghesquière passou a ter acesso aos arquivos da Maison que permaneciam até então guardados a sete chaves. "Ter acesso ao arquivo mudou minha maneira de fazer moda, disse Ghesquière, que se viu influenciado pelo lado mais vanguardista do trabalho de Balenciaga, traduzido em peças superdecoradas, futurísticas e abstratas.

reprodução

Ghesquière construiu sua reputação como um criador de moda experimental de vanguarda. O que o distancia de Balenciaga é essencialmente a visão estratégica sobre o negócio. Balenciaga sempre recusou negócios lucrativos para licenciar seu nome e não criava coleções prêt-a-porter. "Para quê eu preciso de mais dinheiro?", ele costumava responder quando questionado sobre os motivos de sua relutância em desenhar coleções mais comerciais.

Ghesquière, por outro lado, nunca foi contra as perspectivas de aumentar progressivamente a escala das vendas e os lucros do negócio. "Eu compartilho desta ambição" ele diz. "A Balenciaga já foi uma grande marca de moda, então, por que não transformá-la numa marca de grande porte? "Eu gosto da idéia de popularidade, de ver pessoas usando bolsas nas ruas; de ver nossas coleções sendo compradas pelos consumidores na Balenciaga ao invés de uma cópia feita em outro lugar qualquer".

O rápido crescimento se deve em parte à estrutura relativamente pequena da Balenciaga. Mas Ghesquière também atribui o resultado aos produtos, com a releitura de estilos, com a criação de "hits" de moda mais acessíveis e pela expansão da linha de acessórios.

"Agora podemos abastecer o mercado com mais produtos e com uma diversidade maior de preços," disse Ghesquière. Os preços de varejo dos produtos Balenciaga agora variam entre 220 euros para uma peça feita em malha e 30.000 euros para pedidos de peças feitas sob medida.

Nos últimos tempos, Ghesquière comentou sobre construir a marca Balenciaga sobre elementos iconográficos, da mesma forma que a Chanel faz com seus tweeds e suas camélias. Como o corte preciso, os tecidos nobres e o futurismo afiado são elementos consistentes e constantes na Balenciaga, Ghesquière disse que será a evolução natural do trabalho definir os ícones da marca. "A bolsa Lariat é um produto sem logo e, no entanto, é nossa bolsa mais reconhecida. Seguirei esta direção para continuar desenvolvendo a marca Balenciaga," ele completa.

Se lá no céu Cristóbal Balenciaga está ou não sorrindo para os rumos que sua grife vem tomando, nunca saberemos. Ghesquière garante que recorre aos melhores fornecedores de Paris - o bordador Lesage, o especialista em plumas Lemarié e o joalheiro de roupas Robert Goossens, que já trabalharam com o próprio Balenciaga.

McArthur disse que a rentabilidade veio rápido, graças ao crescimento das vendas e não ao corte de custos. "Nós queremos investir com inteligência para sustentar a marca." Ele disse que esta abordagem deve continuar e que o aumento nos investimentos não comprometerá a rentabilidade futura da marca.

Se atingir a lucratividade, Ghesquière provavelmente entrará em fortes negociações com o grupo Gucci para a renovação de seu contrato, que termina em julho. No entanto, para assegurar os resultados Ghesquière dificilmente descansará sob os seus louros. Com o sucesso da marca a pressão sobre o estilista deverá aumentar, já que expectativas do mercado são maiores a cada coleção. Ghesquière, no entanto, adianta que a pressão não diminuirá a sua reputação de sempre explorar as fronteiras da moda, criando novas técnicas e silhuetas. Na verdade, ele disse "Eu me sinto mais livre, agora que as perspectivas são mais sólidas".

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