Por Carlos Ferreirinha

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O século do design

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Baccarat por Philip Starck

Alguns dos principais e mais celebrados executivos americanos, no encontro anual CEO CHALLENGE 2004/2005 - Top Ten Challenges, listaram o que seriam para eles os maiores desafios do cenário atual de negócios: 1) crescimento da primeira linha dos negócios 2) velocidade, flexibilidade e capacidade de adaptação à mudança 3) lealdade e retenção de clientes 4) estímulo à inovação 5) assumir riscos - aparecer com grandes idéias. Este último é considerado por eles o maior de todos os desafios.

Que riscos então assumir ou quais idéias deveriam surgir, em um mundo que está mudando a uma velocidade estonteante? Uma velocidade que desafia até as empresas que naturalmente são rápidas, eficientes e que geralmente antecipam as necessidades. A tecnologia avança de tal forma que eu arriscaria dizer que todos nós ficamos surpreendidos com o design, a diversidade de novas funções e invenções.

O inacreditável avanço da telefonia celular, a superinfovia com ênfase na internet, a descoberta do DNA, TV digital, carros movidos pelo sistema biocombustível e tantos outros avanços que poderiam ser aqui listados. Muito do que atualmente encaramos de forma natural ou até mesmo óbvia eram sonhos há não mais do que cem anos atrás. Em apenas um século, a mudança tem sido a única constante.

Para alguns especialistas, o século XX será lembrado como o século da Moda. Pouca atividade econômica não foi de alguma forma direta ou indiretamente influenciada pelo poder da moda! As mudanças gerando forte impacto na forma que consumimos e fazendo com que a necessidade de produtos não seja mais a vertente da tomada de decisão, mas obrigatoriamente o desejo de consumi-los (independente da necessidade) fez com que a moda influenciasse de forma muito eficiente esta relação. Moda mexe com vaidade, desejos, o belo e cores, atributos que precisam ser entendidos e decifrados cada vez mais por todos no mercado. Até a AMBEV ou melhor IMBEV lançou suas ações na bolsa de Nova York com a presença da modelo Gisele Bundchen.

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Para alguns outros especialistas e também na minha visão, o século XXI estará se firmando como o século do Design. Devemos estar preparados! O design também foi influenciado por uma alucinante sucessão de movimentos da art nouveau ao pós-modernismo, da escola de Bauhaus ao psicodelismo e agora será a interpretação definitiva de uma era onde o desejo - forma - estímulo visual - estímulo emocional são as características de diferenciação. Assumir riscos e aparecer com grandes idéias deverá considerar a ferramenta do Design em sua plenitude. "uma cadeira só faz sentido se ela for entendida também dentro de um conceito maior = a cadeira em uma sala, a sala em uma casa, a casa em um bairro, o bairro em uma cidade e a cidade em um plano maior". Como diria Adélia Borges: "... é só olhar para o lado e você verá que o design está em tudo...".

O design tem a força de alterar preconceitos, mudar a visão de produtos e gerar desejo de consumo da noite para o dia. Percebam o movimento da Mercedes-Benz com o carro Cabriolet - por Giorgio Armani, a parceria do empresário argentino Faena com o papa do design contemporâneo Philip Starck para o hotel Faena, a centenária (300 anos!) marca de cristais franceses Baccarat também em parceria com Philip Stark, buscando assim a renovação pelo design moderno; a Embraer em parceria com a BMW para os novos aviões very ligh e light, o novo fantástico Veyron da Bugatti, o Eco Sport da Ford, o I-Pod, as mini-geladeiras assinadas por estilistas da Brastemp. Enfim, o design está em tudo.

A loja Grifes & Design em São Paulo demonstra claramente que o design está em tudo e, quando ele é assinado, mais interessante ainda - pois valida e chancela. O design foi responsável pelas mudanças dos rádios que eram parecidos com móveis no início e, com o surgimento do plástico, ganharam novas versões; a vitrola, as luminárias, o abridor de garrafas, o saca-rolhas... tudo design.

Uma vez associado à tecnologia, às novas matérias primas e à moda, o design torna-se uma ferramenta indispensável. O que antes era evolução e inovação, no século XXI será requisito fundamental de mudança, exercendo fundamental importância para contar a história, construir identidade, solucionar ou encontrar soluções.

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O dicionário esclarece que a palavra design, de origem inglesa, é "Disciplina que visa a uma harmonia estética do ambiente humano, desde a concepção dos objetos de uso e dos móveis, até ao urbanismo".

Não importa a atividade em que você está inserido, do Luxo ao commodity, o design é a ferramenta gerencial de hoje! É a ferramenta para detectar as necessidades, resolvê-las com base na criatividade e implementá-las.

O encontro de Davos este ano teve como tema "Imperativo Criativo".O mundo, as empresas, os executivos, os profissionais, nós... temos que olhar as possibilidades e as alternativas com mais criatividade. A educação no design contribuirá, e muito, com isso!

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Esta matéria foi originalmente publicada no Jornal Gazeta Mercantil

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