edição nº 68 -
 
 
 

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Por Carlos Ferreirinha

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As tendências no Segmento do Luxo

Todo início de ano o assunto sobre tendências é novamente aquecido! Afinal, onde investir? O que será importante perceber ou considerar para investimentos e ações? Ainda se deve ou não levar em conta as tendências? Quais os nichos de mercado? Que mercados devem atrair os principais investimentos do setor?

Este é sempre um tema que desperta grandes interesses e, acima de tudo, dúvidas. Se pudéssemos prever o futuro, como muitos gurus de administração sempre sugeriram, muitas coisas teriam sido diferentes. Quem previu a Internet e todo o seu veloz crescimento como fonte de informação? E o Google e Orkut? Quem conseguiu prever em que o celular se transformaria? E o Blackberry? E qual de nós realmente conseguiu prever ou até mesmo admitir que a China, a indústria mundial das falsificações (e ruins), seria a quarta economia do globo e passaria a ser reconhecida também pela alta e boa qualidade dos seus produtos, inclusive na produção de automóveis? Quem poderia dizer que a Índia conseguiria também ser um excelente mercado de consumo de Luxo? Ou seja, está cada vez mais complicado prever o futuro! Temos então que tentar decifrar os códigos do hoje para o hoje mesmo!

Não tenho dúvida alguma de que o grupo do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) é composto pelos mercados mais promissores para o Negócio do Luxo no tempo "agora"! A China e a Rússia liderando este movimento e a Índia surpreendendo pelo crescimento contínuo. O que falta então ao Brasil para ter resultados realmente fortes e contundentes? Muita coisa. Falta principalmente mercado de classe média (o que tem movimentado os outros países do BRIC) e uma profunda revisão de tributação e impostos - nada de diferente para outros setores da nossa economia.

O que então deveria ser entendido como a próxima onda do crescimento de prestígio e luxo no Brasil e no mundo? No que se relaciona a mercados, atenção para a renovação de comportamento de consumo prestigioso nas principais capitais brasileiras, com forte relevância para o Norte e Nordeste brasileiro - o surgimento de restaurantes e multimarcas nestas cidades tem sido muito interessante - aqui vale ressaltar o belo trabalho que vem sendo feito pela multimarca Dona Santa, no Recife. O Rio de Janeiro, depois de anos de inércia, passa por um momento único de auto-estima elevada e recuperando seu status de 2ª cidade de consumo brasileira e, sem dúvida alguma, uma importante capital de moda e estilo do País. Existem mais multimarcas especiais e diferenciadas no Rio de Janeiro do que em São Paulo, com destaque para o Espaço Lundgren, em uma operação de frente para a praia de Ipanema, mas ainda lembrando da loja Novamente, Contemporâneo, Alberta e outras; a renovação do varejo de moda na região de Ipanema, a consolidação do bairro Leblon como o espaço 'cool' da cidade, a chegada de grandes restaurantes e a construção do Shopping Leblon, trazendo um movimento organizado de varejo na região sul do Rio após 20 anos.

O interior de São Paulo, que sempre foi considerado um grande pólo consumidor de prestígio na cidade de São Paulo, ganha força no consumo local com operações locais que nada deixam a desejar dos grandes centros. São José do Rio Preto já é responsável por uma das melhores vendas por m2 da marca Diesel e uma multimarca de Jóias, a Cristóvam Joalheria surpreende pelo espaço e serviço oferecido. O Sul do Brasil, que em outrora só era reconhecido pela forma conservadora e tradicional de consumo, já surpreende e inova com operações tipo Conte Freire em Porte Alegre, Capoane em Curitiba e brevemente a inauguração do Floripa Shopping Center, possivelmente um dos melhores projetos de Shopping Center do Brasil, em uma ilha que antes era somente Ilha da Magia. Isso sem falar ainda dos restaurantes El Divino Beach e Taikô no incrível Jurerê Internacional - a Miami Brasileira.

Definitivamente um novo país tem se apresentado e com isso novos consumidores ávidos por consumo prestigioso e diferencial. Um gigante adormecido que vem despertando lentamente.

Esqueçam o perfil de consumidor por sexo, idade, renda per capita ou região - a região do Tatuapé em São Paulo já tem empreendimentos imobiliários mais caros do que a região dos Jardins. O importante passa a ser o foco em manifestação de consumo. O mesmo consumidor pode agir de forma conservadora em determinado momento e em outros momentos extremamente jovial. O consumidor não tem mais idade e sim desejos que se manifestam cada vez mais ativamente em qualquer idade. Com o acréscimo da expectativa de vida em 29 anos, o que vem a ser agora a Terceira Idade? Como alguém pode dizer que "aqui só vendemos até os 35 anos"? Prefiro portanto não "prever" quais setores e comportamentos deverão ser as lideranças das tendências de consumo. Prefiro afirmar em quais eu acredito fortemente e, por isso, que demandam atenção dobrada e foco:

  • a) Tudo o que de alguma forma falar direta ou indiretamente com casa (decoração, mobiliário, cozinha, cama-mesa-banho). É a necessidade de voltarmos para valores mais concretos.
  • b) O segmento infanto-juvenil. É a nova barreira do consumo
  • c) A força dos cuidados pessoais (cosméticos, spas, automóveis, moda, acessórios, alimentação).
  • d) Esportes e Lazer: o Brasil é um País jovem - dos 180 milhões de habitantes - 50% entre 15 e 35 anos; é o segundo país em esportes outdoors e segundo país mundial no consumo da beleza (cirurgias, silicones, botox).
  • e) Terceira Idade. Crescimento de 29 anos na expectativa de vida mundial. Precisa dizer alguma coisa a mais?
  • f) Produtos suprem necessidades e experiências suprem desejos. Não estamos mais competindo por produtos e sim por sensações - atributos emocionais de competitividade (restaurantes com cozinha experimental, viagens customizadas, carros assinados por estilistas como Giorgio Armani, spas urbanos, espetáculos como Cirque Du Soleil)
  • g) E arrisco ainda dizer o Estilo Chinês. A China é um país que cresceu uma média de 99% de consumo de Luxo nos últimos 4 anos irá influenciar o mundo.

Entretanto, se prever fosse fácil e os resultados assegurados... com certeza eu não estaria aqui escrevendo este artigo!

Matéria originalmente publicada no Jornal gazeta Mercantil em 14/02/2006

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