
Por Carlos Ferreirinha
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VACHERON CONSTANTIN - 250 anos de alta relojoaria
A casa de relógios Vacheron Constantin é uma das mais tradicionais da alta
relojoaria suíça. Fundada em 1755, a Vacheron é a mais antiga fábrica de
relógios do mundo em atividade e uma das poucas empresas do ramo que fabrica e monta todos os mecanismos de seus relógios.
Quando a empresa foi fundada na metade do século XVIII, Genebra ainda não
pertencia à Suíça, era um território livre, tendo governo e leis próprias.
Nesta época, a cidade já tinha um próspero comércio têxtil e de pedras
preciosas, prata e ouro, principalmente devido à sua posição estratégica,
localizada no centro da Europa.
A tradição relojoeira da cidade surge no final do século XVI, quando as
primeiras oficinas se instalam. Foram os refugiados huguenotes
(protestantes calvinistas), oriundos da França, que trouxeram os conhecimentos técnicos decisivos para o desenvolvimento da relojoaria. Genebra abrigou a primeira corporação de relojoeiros da história, no início do séc. XVII e o setor foi crescendo para outras regiões sobretudo ao longo do "Jura" (entre Dijon e a Suíça) e Schaffhausen (localizada na parte alemã da Suíça e que até hoje abriga a fábrica da IWC).
A Vacheron surge exatamente neste período. Fundada por Jean-March Vacheron
em 1755. quando o relojoeiro tinha apenas 24 anos, ele abre inicialmente
uma pequena oficina e 30 anos depois passa as rédeas do pequeno negócio
para seu filho Abraham Vacheron. Esse foi um período bastante difícil para
a empresa, às vésperas da Revolução Francesa. Os principais clientes da
oficina eram oriundos da aristocracia francesa, já que desde o seu início a
Vacheron estava mais interessada em fabricar mecanismos de precisão e
complicação do que relógios populares.
Com Napoleão no poder, Genebra foi anexada à França e perdeu seu status de"território livre". Durante este período de dificuldades e transformações
sócio-políticas, o principal objetivo de Abraham foi manter a duras penas
o negócio de sua família. Em 1810, ele passa o comando da oficina para seu
filho Jacques-Barthélémy Vacheron, que representa a terceira geração da
empresa.
A juventude de Jacques trouxe novo ânimo à marca. Ele expande os negócios da empresa para outros mercados, como a Itália por exemplo. O fim da era napoleônica e o retorno da paz na Europa fazem os negócios prosperarem.
Em 1819 Jacques realiza uma grande mudança na estrutura da oficina. Faz
uma sociedade com o jovem comerciante François Constantin e em 1821 a
empresa passa a responder finalmente pelo nome Vacheron Constantin, hoje
sinônimo de relógios de alta relojoaria - elaborados e sofisticados.
A demanda por relógios passa a crescer e a Vacheron Constantin foi uma das
pioneiras no processo de automação, passando a utilizar algumas máquinas
capazes de produzir peças, os calibres. Neste processo de mecanização, os
suíços atingem um grau de excelência que os faz ultrapassar todos os
concorrentes e dominar o mercado mundial por mais de um século. A
progressão foi extremamente rápida e a vocação exportadora da relojoaria
suíça tornou-se uma tradição de peso. Atualmente, dos cerca de 170 milhões
de relógios e de movimentos fabricados por ano, 95% são exportados. É importante salientar que a Vacheron produz um número limitado de
peças (abaixo de 15 mil por ano) para manter sempre o alto nível técnico da alta
relojoaria, que só é possível quando o relógio é produzido artesanalmente por
mestres relojoeiros.
Em 1880, a Vacheron Constantin passa a utilizar como logomarca a Cruz de
Malta. Mais do que um simples logo, a Cruz de Malta é um dos símbolos da
Vacheron, aparecendo inclusive dentro das engrenagens dos relógios da
marca-grife que em muitos modelos são visíveis.
E assim a Vacheron Constantin entrou no século XX, atravessando as duas
Grandes Guerras que assolaram a Europa, a Depressão de 29, e outras crises
que marcaram o século XX, sem jamais fechar suas portas ou interromper sua
produção e a qualidade dos relógios.
A companhia permaneceu em mãos familiares até 1987 quando foi adquirida
pelo Sheik Ahmed Zaki Yamani e em 1996 foi vendida novamente para o
Richemont Group (www.richemont.com), holding que hoje é proprietária de outras casas tradicionais como a Cartier, Piaget, IWC, Jaeger-LeCoultre, entre outras.
Durante todos estes anos a Vacheron Constantin se manteve fiel aos seus
princípios: a qualidade do produto, os constantes aperfeiçoamentos e a
disponibilidade de um serviço pós-venda. Ao completar 250 anos de
existência, a Vacheron Constantin comemora o fato de ser a mais
antiga companhia relojoeira do mundo em atividade.
Sabendo de tudo isso, fica mais fácil entender como uma empresa consegue alcançar 250 anos de existência!
Carlos Ferreirinha
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