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Por Carlos Ferreirinha

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Recentemente, publicações americanas, francesas e brasileiras começaram a discutir a performance das empresas, analisando o aspecto Familiar ou Profissional. Interessante estudo! Qual gestão é melhor sucedida? As empresas totalmente profissionalizadas e com executivos profissionais no comando ou as empresas que ainda são totalmente gerenciadas pela estrutura familiar?

Os primeiros resultados apontam que as empresas familiares ainda possuem um melhor nível de aproveitamento e resultados - ou seja, a primeira análise nos faz crer que as empresas geridas pela estrutura familiar são as que possuem a mais eficiente gestão, por conseguinte, o melhor modelo.

Este tipo de reflexão e análise impacta diretamente nas tradicionais empresas do segmento do Luxo, uma vez que a grande maioria delas veio de estruturas familiares.

Entretanto, o que vem a ser uma empresa Familiar?

E o que vem a ser uma empresa Profissionalizada?

Tomemos como exemplo a mega empresa WalMart, onde a família Walton possui 38% de participação. Devemos considerá-la uma empresa familiar ou profissional? A família Walton não está na gestão da empresa WalMart e então, como analisamos?

O conglomerado Armani, ainda 100% de propriedade e 100% gerido pelo Giorgio Armani, é uma empresa familiar ou uma empresa de um dono só?

O grupo LVMH, com ações sendo comercializadas, onde o Bernard Arnauld ainda é o maior acionista e o CEO.

Trata-se de uma empresa familiar, profissional ou uma empresa profissional gerida pelo dono-fundador?

E a toda poderosa Ford? A família possui 42% de participação e, até então, administrada por gestores chamados profissionais de mercado. Entretanto, o bisneto de Henry Ford (o fundador), Bill Ford, assumiu o comando da empresa. A Ford é profissional ou familiar?

Será que a questão da performance das empresas está associada à sua estrutura? Familiar ou profissional? Executivos ou donos? Gestão profissional, familiar ou intuitiva?

Sabemos que as estruturas familiares, quando não renovadas, podem travar todo um processo de aprimoramento e melhorias da empresa. Sabemos também que gestores profissionais de mercado interferem drasticamente nas empresas, alterando assim suas características principais (vide exemplo da HP) e também tendem a não ser tão eficientes.

Empresas familiares que não olham para frente e ficam paradas no tempo são ultrapassadas rapidamente. Empresas profissionais sem o devido aspecto "familiar" também se perdem no mercado.

Será que existe assim uma fórmula?

E no Luxo, como tem sido este quadro? A maior parte das empresas familiares do Luxo, ao longo destas últimas duas décadas, faliram, desapareceram, enfraqueceram. Receita: foram compradas e passaram a ser geridas por estruturas familiares. Entretanto, grupos como Armani, D&G, Diesel, Ferragamo, Missoni dentre tantos outros, ainda continuam muito bem sucedidos e com ótimos resultados - ainda continuam sendo ou familiares ou de um dono só.

Qual o modelo, então?

A análise deveria ser feita exclusivamente no aspecto da gestão!

Gestão profissional, com aspectos de análise de mercado, com velocidade competitiva, inovação e renovação... e assim por diante - podendo-se aqui listar inúmeros aspectos da administração moderna ou não - está associado exclusivamente à GESTÃO em si. Não deveríamos portanto nos preocupar se são familiares ou profissionais. Empresas familiares têm muitos problemas, assim como as chamadas empresas totalmente profissionalizadas. Há um risco de banalização dos termos familiar e profissional. O que deveria estar em discussão são os aspectos de gestão profissional em empresas familiares, de capital aberto, de capital fechado, 100% geridas por executivos ou não.

Não há uma regra e nem deveria haver. Existe, sim, uma realidade de mercado - todas precisam, em algum momento de sua história, ser reinventadas. E todas precisam rever seus conceitos de gestão diariamente.

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