Por Carlos Ferreirinha

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O poder da Ásia ?

A Conferência Internacional do Luxo realizada no início de Dezembro em Hong Kong, trouxe algumas importantes reflexões e discussões sobre o tema do Luxo. Algumas delas que atualmente são vistas como vitais na gestão: Expansão do Modelo de Negócios - qual o limite a ser considerado e como lidar como efeito da falsificação que cresce de forma impressionante.

Realizar a quarta edição da prestigiada Conferência na China - as demais foram todas em Paris - foi sem dúvida alguma um ato de coragem e ousadia! A China é a grande fábrica do mundo, portanto, a produção mundial das falsificações. É impressionante a que ponto chegou a indústria da falsificação na China. E mais ainda, como seus produtos são comercializados quase que de forma legal nas ruas (o Brasil neste sentido ainda dá um show de civilidade!) e o nível de qualidade que algumas delas estão conseguindo alcançar... isso sem falar da velocidade.

Fica a pergunta: tanta excelência e preciosismo para falsificar? O que poderia ser feito com tanto vigor, ousadia e ímpeto criativo?

Como combater? Os EUA informaram que somente neste ano foram apreendidos cerca de US$ 100 milhões de produtos de Luxo oriundos da China. Alarmante! Mas a guerra contra a falsificação tem sido acentuada e fomentada em todos os níveis! Não se crê em término, mas é preciso frear!

Mundo paradoxal! Ao mesmo tempo em que o problema das falsificações vem crescendo e aumentando cada vez mais, com grande força na Ásia e na China principalmente, este continente também vem apresentando fascinantes números de crescimento de consumo e, claro, a China tomando a dianteira absoluta - sem considerar o Japão aqui. Calcula-se que, nesta velocidade, nos próximos 15 a 20 anos a China/Ásia poderá exercer o papel de grande consumidor mundial de Luxo. Veja os dados do mega grupo Richemont (Cartier, Montblanc, Van Cleef & Arpels, Chloé...). Tem um dado que seduz: apenas 30% da população chinesa possui relógio de pulso - ou seja, mercado promissor!

Para os modelos de gestão, esse crescimento acima pode servir como aspecto de pleito e solicitações mais duras às autoridades asiáticas no combate mais eficiente às falsificações.

A pergunta de um milhão de dólares: conseguirá a Ásia ser também a fornecedora mundial para as marcas/empresas de Luxo ou somente seguirá na posição de consumidora? No mundo da gestão aprendemos a negar e a ter que rever conceitos adiante. CASES! Não se acredita (ou não se quer!) nesta hipótese - mas, o tempo dirá!

E como fica a segunda questão relacionada à expansão das marcas? Cada vez mais que as empresas de Luxo seguem expandindo suas linhas de produtos e serviços, não ajuda diretamente para o incremento das falsificações? Ou então, não correm as empresas/marcas sérios riscos de degradação de imagem e posicionamento?

Positiva resposta para ambos os casos!

Entretanto, este é o novo mundo e o novo momento do Luxo.

As empresas/marcas estão preocupadas - despertaram para o consumo potencial das bases, estão cada vez mais próximas... em breve, ou isso se consolida e ninguém falará mais a respeito ou os modelos serão percebidos como excessivos e serão revistos. Ou quem sabe até, ambos os casos... EQUILÍBRIO!

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